Cancro de Cabeça e Pescoço

O que é?
Prevenção
Sintomas
Fatores de Risco
A quem me dirigir?

O Cancro de Cabeça e Pescoço é uma designação utilizada pelos médicos para agrupar um conjunto de outros cancros que estão presentes na zona da cabeça e do pescoço, tais como:

  • Cancro da Laringe, 25% dos cancros de cabeça e pescoço
  • Cancro da Cavidade Oral, 42%
  • Cancro da Orofaringe, 15%
  • Cancro da Hipofaringe, 6%
  • Cancro Nasofaringe, 12%
  • Metástases cervicais de Primário Oculto
  • Cancro das Glândulas Salivares
  • Cancro das Fossas Nasais e Seios Perinasais
  • Cancro da pele da Face, Pescoço e Couro Cabeludo

 

 

Mais de 90% destes tumores ocorrem em pessoas acima dos 40 anos, embora a sua incidência esteja a aumentar nos mais jovens. Infelizmente muitos são diagnosticados tardiamente o que compromete muito o seu prognóstico.
 

Por isso é tão importante o diagnóstico precoce e os médicos otorrinolaringologistas têm um papel fundamental no diagnóstico destes tumores numa fase inicial bem como das lesões pré-malignas de forma a permitir um tratamento eficaz.

 

Existem várias formas de evitar o cancro de cabeça e pescoço ou de diminuir o seu risco de aparecimento tais como diminuir o consumo de tabaco, de álcool e evitar ser afetado pelo Papilomavirus Humano (HPV), entre outros. 

No entanto, nem todas as pessoas com diagnóstico de um cancro de cabeça e pescoço tem uma causa determinada ou um fator de risco associado. Por vezes, a razão pela qual o tumor aparece é ainda desconhecida

Os principais sinais e sintomas de alerta são:

  • Tumefacção (“caroço”) no pescoço
  • Alterações da voz (rouquidão)
  • Dificuldade ou dor ao engolir persistente
  • Aparecimento de sangue na saliva ou na boca
  • Dor num ouvido persistente, sem doença no ouvido
  • Alterações na pele da face ou do pescoço
  • Outros sinais de alerta podem ser o aparecimento de manchas brancas ou vermelhas na boca, feridas na boca que não cicatrizem, tumefação ou ferida do maxilar que cause má adaptação ou desconforto da prótese dentária, infeção crónica dos seios peri-nasais que não responde à antibioterapia, hemorragias nasais de repetição, obstrução nasal permanente de instalação recente, dores de cabeça persistentes, aumento de volume das glândulas salivares ou a paralisia de músculos da face.
     

Na grande maioria das situações estes sintomas não significam a existência de um tumor mas um exame cuidadoso por parte do seu médico é indispensável para excluir esta hipótese.

É do conhecimento geral que há factores de risco para os tumores que faz com que algumas pessoas estejam mais em risco do que outras. Os principais factores de risco dos tumores da cabeça e pescoço são:

  • Tabaco – o tabaco está associado ao aparecimento dos tumores da cavidade oral, faringe, laringe e nariz e seios perinasais;
  • Álcool – as pessoas que consomem de forma excessiva bebidas alcoólicas têm maior probabilidade de vir a ter um tumor da cavidade oral ou da faringe e o risco aumenta mais se estas pessoas para além de ingerirem bebidas alcoólicas também fumam;
  • Infecção pelo papiloma vírus (HPV) – algumas estirpes do HPV podem infectar a boca e a garganta e a sua presença pode estar associada ao aparecimento de tumores desta área;
  • Exposição solar – o excesso de exposição aos raios solares esta na origem do aparecimento de tumores desta zona do corpo normalmente muito exposta (pele e lábios);
  • Exposição a produtos industriais como madeiras, níquel e outros metais pesados, asbeto ou radioterapia prévia são associados a uma maior incidência de tumores destes territórios;
  • Dieta pobre em vegetais e frutas aparece frequentemente associada a um aumento do risco de desenvolver tumores da cavidade oral e faringe;
  • Má higiene oral – está normalmente associada ao aparecimento destes tumores.
     

No caso de estar preocupado porque suspeita de que tem algum destes sinais ou sintoma ou considera-se uma pessoa de risco aumentado então deve procurar com brevidade o seu médico Otorrinolaringologista.

É bom recordar que o êxito do tratamento dos tumores da cabeça e pescoço depende muito do diagnóstico precoce.

A CUF Oncologia dispõe de equipas multidisciplinares com larga experiência na área oncológica habilitada a fazer o diagnóstico, tratamento e seguimento de todas estas situações.

Cabeça e pescoço

Subtipos de Cancro de Cabeça e Pescoço

Situado na zona do aparelho vocal, o seu aparecimento está associado ao uso do tabaco e consumo excessivo do álcool. Outros  fatores de risco são a exposição consecutiva a ambientes com poeiras metálicas, asbestos, químicos de tintas, etc.

 

  • Cancro da Cavidade Oral

Geralmente tem início nos lábios ou no interior da boca e é muitas vezes detetado no dentista. Está sobretudo associado ao uso do tabaco e ao consumo excessivo de álcool.

 

  • Cancro da Orofaringe

A Orofaringe é parte do meio da garganta (a faringe) e começa no fundo da boca. Os principais factores de risco são o tabaco e o álcool. Outro fator de risco para o desenvolvimento deste cancro é o Papiloma Virus Humano, cuja incidência tem vindo a aumentar

 

  • Cancro da Hipofaringe

Corresponde à parte inferior da garganta junto à traqueia e ao esófago. Tal como na maioria dos cancros de cabeça e pescoço os principais fatores de risco são o tabaco e o consumo excessivo do álcool.

 

  • Cancro Nasofaringe

É a parte mais alta da garganta, ligando a boca ao nariz. Também inclui as trompas de Eustáquio que ligam a garganta aos ouvidos. A maioria deste tipo de cancro tem inicio nas células escamosas que cobrem a nasofaringe. Alguns Linfomas também podem aparecer nesta zona, mas é raro. Também alguns tipos de cancro das glândulas salivares podem começar na nasofaringe devido às presença de glândulas salivar minor na garganta, mas também são raros.

 

  • Cancro das Glândulas Salivares

 

Corresponde ao cancro que surge nas glândulas salivares parótida, submaxilar ou salivares minor. Caracterizam-se pelo aparecimento de tumefacções nas referidas glândulas, que vão aumentando de tamanho. Os fatores etiológicos principais são o tabaco, o álcool, as radiações, e a dieta pobre em ácidos gordos polinsaturados.

 

  • Cancro das Fossas Nasais e Seios Perinasais

Corresponde ao cancro que surge no interior do nariz, e nas cavidades a ele associadas. As causas mais frequentes são o tabaco, o contacto com poeiras de madeiras, níquel. Outras causas são o crómio, hidrocarbonetos, causas virais e genéticas. Pode também haver transformação maligna de tumores benignos tipo papiloma invertido. Não há evidência que a sinusite crónica predisponha ao cancro.

 

  • Metástases cervicais de Tumor Oculto

Os nódulos (tumefacções)que surgem no pescoço, que não desaparecem ao fim de 2 semanas, podem corresponder a gânglios atingidos por células de tumores originários na boca, faringe ou laringe. Nas pessoas adultas 80% destes nódulos são metástases nos gânglios de tumores malignos, se excluirmos a patologia da tiroideia. Daí a necessidade de recorrer ao seu médico Otorrinolaringologista, que irá fazer uma observação e uma fibroscopia, e solicitar uma citologia aspirativa (“picada”), para definir a causa do nódulo.

 

Diagnóstico e Estadiamento
Diagnóstico

O diagnóstico dos tumores de cabeça e pescoço deve ser realizado através de uma cuidadosa história clínica, da observação directa de todo o território suspeito ou recorrendo a uma endoscopia das várias regiões durante a consulta e, quando necessário, realizando exames laboratoriais e imagiológicos (Rx simples, TC ou RM) para permitir o esclarecimento da situação.

Quando a suspeita persiste torna-se necessário recorrer à biopsia para completo esclarecimento da situação. Só depois do anatomopatologista observar a colheita de tecido ao microscópio é que pode confirmar a presença de células cancerígenas.

 

Teste do HPV no diagnóstico de tumores da garganta

O teste do papilomavirus humano (HPV) é um teste de rotina para as pessoas com cancro da garganta. Os doentes com HPV-positivo têm um melhor prognóstico da doença, pois o tumor é está mais sensível aos tratamentos e é mais facilmente destruído. Desta forma, também é possível realizar tratamentos menos intensos e com menos efeitos secundários.

Estadiamento

estadiamento é o processo pelo qual nos certificamos se as células do cancro de cabeça e pescoço se espalharam para outras estruturas próximas ou mais distantes. A informação obtida pelo processo de estadiamento determina o estadio da doença, fundamental para o tratamento poder ser planeado.

 

Os exames recomendados para estadiamento são:

  • Rx Torax PA
  • Patologia Clínica
  • Eletrocardiograma
  • TC Cabeça e Pescoço
  • TC Torax (estádios III-IV)
  • Ressonância Magnética ao Pescoço (eventual)
  • PET (eventual)
  • Edoscopia Alta (eventual)
Tratamento
Diferentes possibilidades

O tratamento ou as combinações de tratamentos a realizar dependem do estádio da doença, da sua localização e do seu estado geral de saúde.

  • O principal tratamento para o cancro da boca ou das glândulas salivares é, normalmente, a cirurgia. Por vezes, a radioterapia ou a quimioterapia também são realizadas com o objetivo de evitar que o cancro regresse.

 

  • Cirurgia, Radioterapia e Quimioterapia são abordagens possíveis para as pessoas com cancro da gargante ou com tumores da cavidade nasal. Existem também tratamento especializados para o cancro da orofaringe relacionado com o vírus HPV.

 

  • Para as pessoas com doença avançada, os nossos especialistas estão preparados para recomendar tratamentos inovadores como a imunoterapia e as terapias alvo para tumores de cabeça e pescoço. Em alguns casos, há também a possibilidade de participar em ensaios clínicos disponibilizados na rede CUF.

 

Qualidade de vida após o tratamento

A nossa equipa de especialistas na área de cancro de cabeça e pescoço está atenta às pessoas de quem cuida ao longo do processo de tratamento, de forma a assegurar os cuidados  e recursos que possam necessitar para lidar melhor com possíveis efeitos secundários dos tratamentos. Por isso, as considerações sobre a qualidade de vida dos nossos doentes são uma parte vital do processo de tratamento.

 

  • Através dos nossos serviços de reabilitação, é possível apoiar as pessoas com limitaçãoes na fala, na voz, na deglutição e noutros possíveis efeitos dos tratamentos

 

  • As equipas de medicina dentária e cirurgia máxilo-facial podem assegurar a sua saúde oral antes mesmo de iniciar o seu tratamento. 

O nosso objetivo é poder acompanhá-lo da melhor forma possível antes, durante e após o seu plano de tratamentos.

Cirurgia Plástica e Reconstrutiva

A equipa multidisciplinar de Cancro de Cabeça e Pescoço inclui especialistas em cirurgia plástica e reconstrução que participam de forma coordenada nas cirurgias onde a sua atuação é fundamental para um resultado de qualidade e para que os procedimentos possam ser realizados numa só cirurgia.

A cirurgia reconstrutiva envolve a transplantação de tecidos de uma área do corpo para a zona afetada, através de uma abordagem microcirurgica. O cirurgião plástico transfer uma porção de tecido e respetivos vasos sanguíneos de forma a reparar a área de onde o cancro foi removido.

Isto permite que os tecidos se regenerem e recuperem de forma adequada.

Follow-up

Após o tratamento, uma das prioridades da sua equipa clínica é continuar a vigiar o seu estado de saúde, a sua resposta aos tratamentos e avaliar  sinais ou sintomas de uma possível recorrência do cancro.

 

O seu médico assistente dar-lhe-á indicações sobre os próximos passos após o fim dos tratamentos que podem incluir:

  • A consulta periódica com exame físico e revisão do seu historial clínico
  • A realização dos exames necessário para avaliar uma possível recidiva do cancro
  • Identificação, avaliação e gestão de possíveis efeitos (tanto físicos como emocionais), a longo prazo do cancro e dos tratamentos 
  • Discutir consigo métodos para evitar novos problemas de saúde e recomendações relacionadas com nutrição, exercício físico e cessação tabágica
  • Recomendação para a realização dos próximos exames adequados para diagnóstico precoce do cancro ou testes genéticos
Cancro de cabeça e pescoço em números
90%
pessoas com + de 40 anos
3000 casos
por ano em Portugal
8x + risco
para fumadores
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