Aterosclerose

O que é?
Sintomas
Causas
Diagnóstico
Tratamento
Prevenção

É um tipo particular de arteriosclerose, muito frequente, que afeta sobretudo os grandes vasos e que está na base das doenças arteriais mais comuns, como a hipertensão arterial, a doença coronária, o aneurisma da aorta ou a doença arterial dos membros inferiores. Este aspeto é muito importante porque se sabe que as patologias do aparelho circulatório são responsáveis pelas principais causas de morte em Portugal.

É uma doença das artérias elásticas, de grande e médio calibre, e das artérias musculares e caracteriza-se pela presença de lesões com aspeto de placas (ateromas). Esta patologia afeta preferencialmente as margens externas das bifurcações e ramificações arteriais, locais onde é maior a turbulência do fluxo sanguíneo. Trata-se de uma enfermidade geral que pode envolver diferentes órgãos. Quando a parede das artérias é submetida a diferentes formas de agressão ocorre acumulação local de lipoproteínas e migração de células inflamatórias, com proliferação anómala de alguns elementos celulares das camadas mais internas das artérias. Esse processo conduz a um estreitamento progressivo do calibre arterial e tende a atingir as características elásticas dos vasos. Começa em idades jovens e tem um longo período de gestação silenciosa, pelo que se torna necessária a adoção de medidas preventivas que controlem os elementos de risco durante a infância e a adolescência.

Geralmente não causa quaisquer sintomas até o fornecimento de sangue para um órgão ser reduzido. Quando isto acontece, as manifestações variam, dependendo do órgão específico envolvido. De facto, os sinais da aterosclerose são muito variáveis. Alguns doentes com um tipo ligeiro podem apresentar um quadro de doença grave, como um enfarte agudo do miocárdio ou morte súbita. Pelo contrário, outros pacientes com a doença mais avançada podem exibir poucos indícios. As suas diferentes manifestações resultam de um processo clínico generalizado que pode envolver diferentes territórios vasculares: cerebral, coronário e artérias periféricas. Por esse motivo, os sintomas variam de acordo com o território vascular arterial envolvido.

A doença cerebrovascular pode surgir como um acidente isquémico transitório, se ocorrer regressão total dos sintomas e sinais neurológicos em menos de 24 horas, ou acidente vascular cerebral.

A doença vascular coronária pode dar-se a conhecer de diversas formas, como um síndrome coronário agudo, angina de peito estável ou instável, e enfarte agudo do miocárdio.

A doença arterial periférica produz diversos indícios que vão da claudicação intermitente até à dor em repouso. O estreitamento das artérias da perna causa uma dor tipo cãibra nos músculos da perna, especialmente durante o exercício. Se o estreitamento for grave, pode existir dor em repouso, os dedos e os pés podem ficar frios, pálidos ou azulados e pode ocorrer perda dos pelos nos membros inferiores. Como se referiu, o estreitamento progressivo do lúmen da artéria causado pela expansão da placa ateromatosa leva a uma gradual obstrução do fluxo sanguíneo. Quando atinge 50% a 70% do diâmetro do vaso e/ou quando ocorrem necessidades metabólicas ou de oxigénio acrescidas, surgem sintomas de baixo débito, angina de peito ou claudicação intermitente.

A rotura de uma placa aterosclerótica instável, com exposição do seu conteúdo pode levar a trombose com obstrução total da artéria envolvida. Daí pode resultar um quadro de angina instável, enfarte agudo do miocárdio, acidente isquémico transitório ou acidente vascular cerebral. Outras manifestações clínicas incluem disfunção eréctil, desenvolvimento de aneurismas e insuficiência renal crónica.

Quando a aterosclerose afeta a circulação no território abdominal, pode surgir uma dor surda ou tipo cãibra no meio do abdómen, começando geralmente 15 a 30 minutos depois de uma refeição. O bloqueio completo de uma artéria intestinal causa uma dor abdominal intensa, por vezes acompanhada de vómitos, diarreia ou aumento do volume abdominal.

Os fatores que aumentam o seu risco incluem:

  • Níveis elevados de colesterol no sangue
  • Níveis baixos de colesterol HDL (o “colesterol bom”)
  • Níveis elevados de proteína C reativa (um marcador de inflamação)
  • Hipertensão arterial
  • Diabetes
  • História familiar de doença coronária numa idade precoce
  • Tabagismo
  • Obesidade
  • Inatividade física
  • Idade avançada

O exame médico pode ser útil na deteção dos seus sinais, tais como a presença de depósitos de lípidos nas pálpebras ou tendões, sopros carotídeos, diminuição dos pulsos arteriais periféricos, massas abdominais palpáveis e pulsáteis, indícios neurológicos, cianose periférica, gangrena, hipotensão, taquicardia.

O diagnóstico passa pela história clínica, incluindo os sintomas atuais e os medicamentos em curso, e pelo exame médico. As análises laboratoriais são importantes, bem como o eletrocardiograma ou o ecocardiograma. Podem ser necessários outros estudos para avaliar a circulação sanguínea no coração, no cérebro e nas pernas. A medida ultrassonográfica da espessura das camadas íntima e média das artérias carótidas tem sido considerada um teste de grande potencial para a avaliação não invasiva da doença.

Não existe cura mas o tratamento pode diminuir a velocidade de progressão ou mesmo interromper o seu agravamento. O objetivo principal do recurso terapêutico consiste em prevenir um estreitamento significativo das artérias para que os sintomas nunca venham a desenvolver-se e os órgãos vitais nunca sejam lesados. Para o conseguir deve-se começar por ter um estilo de vida saudável.  É também importante diagnosticar e tratar todos os fatores de risco para o seu desenvolvimento, como o colesterol e a hipertensão arterial.

A partir do momento em que se tenha desenvolvido lesão de órgãos relacionada com a aterosclerose, o tratamento depende do órgão envolvido, existindo atualmente medicamentos eficazes para controlar a doença coronária, os acidentes isquémicos transitórios e a doença arterial periférica. Esses tratamentos podem ser meramente medicamentosos ou implicar a realização de cirurgia.

É possível ajudar a preveni-la ao alterar os fatores de risco para a doença. Deve-se praticar um estilo de vida que promova uma boa circulação, evitando fumar, mantendo um peso e uma dieta saudável, rica em vegetais e fruta, praticando exercício regular, controlando a hipertensão arterial, a diabetes e o colesterol.