Tendinopatia Quadricipital

O que é?
Sintomas
Causas
Diagnóstico
Tratamento
Prevenção

A tendinopatia quadricipital caracteriza-se pela lesão e inflamação do tendão do quadricípíte a nível da sua inserção no joelho, causando dor na região superior do joelho.

Este músculo estende-se da região pélvica e fémur até à rótula e é responsável pela extensão da perna e pelo controlo da flexão durante atividades em carga, como levantar um peso.

Ele está particularmente activo na corrida em velocidade ou em atividades que envolvam saltos ou pontapés. Durante a contração do quadricípite, é exercida tensão sobre o tendão e, se essa tensão for excessiva, por atividades repetidas ou excessivas, ocorre lesão do tendão à qual se segue inflamação.

Embora possa ocorrer em qualquer idade, é mais comum nos atletas mais idosos.

Esta lesão manifesta-se sob a forma de dor que se desenvolve gradualmente na região frontal do joelho, por cima da rótula. Nos casos menos graves, pode ocorrer apenas um desconforto ou rigidez do joelho que aumenta com o repouso após atividades que exigem contrações repetidas do músculo quadricípite. 

Por vezes, existe uma sensação de queimadura ou de calor.

Em alguns casos, essa dor pode melhorar com a atividade nas fases iniciais da lesão.

Pode ser visível um inchaço no joelho e pode existir uma sensação de fraqueza quando se tenta correr ou fazer flexões de pernas.

A rigidez do joelho é comum quando o paciente se levanta de manhã ou após um longo período de inatividade e também durante e após o exercício.

Esta lesão ocorre mais frequentemente na sequência de atividades prolongadas ou repetitivas que coloquem tensão sobre o tendão e nos desportos que envolvem acelerações e desacelerações frequentes ou saltos repetidos, como o basquetebol.

Outros desportos envolvidos são o futebol, voleibol e desportos de corrida.

A tendinopatia quadricipital pode ocorrer em qualquer idade.

Uma queda ou uma pancada direta podem gerar uma força muito intensa que o tendão quadricipital não suporta.

Existem outros fatores que aumentam a predisposição para esta lesão: rigidez articular, músculos muito contraídos, treino inadequado ou excessivo, aquecimento incompleto, fraqueza muscular do quadricípite e glúteos, instabilidade da região pélvica, postura inadequada e calçado incorreto.

Como é habitual, o diagnóstico suporta-se no exame médico e em exames como a ecografia, radiografia e ressonância magnética.

A maioria dos casos responde bem à fisioterapia. 

A interrupção das atividades que aumentam a dor até que ela desapareça é essencial. Devem ser minimizadas atividades como a corrida (sobretudo em superfícies inclinadas ou irregulares), saltos ou pontapés. Esse repouso gera a oportunidade para a cicatrização e regeneração dos tecidos.

Após os sintomas desaparecerem, essas atividades poderão ser gradualmente retomadas.

Se os sintomas forem ignorados poderá ocorrer a evolução para uma lesão crónica, com cicatrização mais lenta, mais tempo de incapacidade e maior risco de recaída. 

Este processo crónico é designado por tendinose, na qual não existe inflamação mas sim degeneração e ou formação de tecido cicatricial. Estes processos crónicos são mais comuns em atletas com idade entre 30 e 50 anos. 

O regime “repouso, gelo, compressão e elevação” é benéfico nas primeiras 72 horas, quando ainda existem sinais de inflamação. Os anti-inflamatórios são igualmente importantes nesta fase.

O gelo não deve ser aplicado por períodos consecutivos superiores a 20 minutos, de modo a não induzir uma vasodilatação reflexa.

Nas formas crónicas, com tendinose, o calor pode ser útil para estimular a circulação sanguínea e acelerar a cicatrização. 

A fisioterapia, com massagens ou outras técnicas, acelera a recuperação e melhora a flexibilidade e função musculares nestes casos. Nas fases finais deste processo, será implementado um programa de retorno aos níveis prévios de atividade.

Com o tratamento adequado, os casos menos graves recuperam plenamente em poucas semanas. Nos casos mais graves, a recuperação pode demorar meses.

A cirurgia raramente é necessária e está indicada quando os restantes tratamentos falham.

A cirurgia permite remover tecidos danificados e reparar o tendão. Quando realizada pela técnica da artroscopia, a recuperação é rápida.

Após a cirurgia será implementado um programa de reabilitação adequado.

A prevenção das lesões deste tendão passa por evitar correr em superfícies muito duras, evitar escalar ou saltar, fazer alongamentos dos joelhos antes e depois do exercício, bem como por um adequado aquecimento prévio ao exercício.

Fontes

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