Litíase da vesícula biliar

O que é?
Sintomas
Causas
Diagnóstico
Tratamento
Prevenção

Chama-se litíase da vesícula à presença de um ou mais cálculos (vulgarmente conhecidos por "pedras") no seu interior.

A vesícula é um pequeno saco que se localiza na face inferior do fígado. É onde fica armazenada a bílis que é produzida no fígado. Após a ingestão de alimentos, a vesícula contrai-se a fim de lançar a bílis para o intestino delgado através das vias biliares (sistema de canais que drenam a bílis do fígado) para ajudar a digestão das gorduras.

A litíase biliar é uma condição frequente. Na Europa cerca de 10% das pessoas têm esta condição. É a doença mais comum das vias biliares. Em geral, é duas a três vezes mais comum na mulher do que no homem. A idade é importante e a prevalência no género feminino varia entre 5% a 20% até aos 50 anos e de 25% a 30% depois dessa idade.

Cerca de 80%, não apresenta qualquer tipo de queixas. Ao contrário do que se pensa, não podem ser atribuídos à litíase biliar as “más-digestões” com gorduras, azia, aumento do gás intestinal, enjoos, vómitos ou dores de cabeça. O sintoma principal é a dor ou cólica na zona do “estômago” ou debaixo das costelas à direita, que se pode estender para o lado esquerdo, para as costas, para o peito ou restante abdómen. Esta começa de repente, por vezes durante a noite, dura minutos ou horas. Pode ser acompanhada de enjoos, vómitos, suores e palidez. As dores são devidas à obstrução do canal cístico ou da via biliar por um cálculo.

Podem ocorrer complicações por inflamação da vesícula (colecistite), das vias biliares (colangite) ou do pâncreas (pancreatite). Nestes casos a dor pode ser mais forte e durar mais tempo. Pode surgir também febre e icterícia (“olhos amarelos”). Estas complicações, em geral, requerem internamento hospitalar e tratamento urgente.

A litíase biliar associa-se a um aumento do risco de cancro da vesícula. Contudo este tipo de cancro é raro.

A maioria dos cálculos forma-se na vesícula biliar, que é um pequeno saco localizado junto ao fígado, debaixo das costelas à direita. Ela armazena a bílis, produzida no fígado. Depois das refeições a vesícula contrai-se e a bílis passa para o duodeno através das vias biliares.

A bílis contém bilirrubina e colesterol. Estas substâncias podem “cristalizar” porque a bílis na vesícula fica mais concentrada. Pode verificar-se apenas a presença de múltiplos cristais que, quando se juntam, formam os cálculos. Estes podem ser tão pequenos como grainhas de uvas ou atingir o tamanho de bolas de golfe. Podem ser únicos ou múltiplos.

A maior parte são de colesterol; formam-se quando a bílis está muito concentrada com este elemento ou a vesícula não esvazia adequadamente.

Pensa-se que os cálculos resultem de um desequilíbrio nos diversos componentes da bílis, em especial quando esta contém demasiado colesterol ou demasiados pigmentos biliares.

Outra das causas é o mau funcionamento da vesícula biliar, com um esvaziamento lento ou incompleto durante a digestão.

Podem ainda formar-se cálculos de diferente composição, por exemplo de bilirrubina, em certas doenças e situações.

Os principais fatores de risco para a formação de cálculos são a obesidade, a dieta com excesso de gorduras animais e poucos vegetais e fruta, a falta de exercício físico, a perda rápida de peso que ocorre em alguns tratamentos da obesidade, longos períodos de jejum, uso de hormonas e contracetivos.

Outros sinais de alerta são a idade (mais de 60 anos), género feminino, litíase em familiares, gravidez, diabetes, anemias hemolíticas e cirrose do fígado.

O melhor exame para o seu diagnóstico é a ecografia abdominal, mas também pode ser pedida uma TAC abdominal. Mas muitos dos casos são diagnosticados em exames solicitados por outros motivos.

Dado que somente 15 a 25% dos doentes com litíase vesicular assintomática virão a ter sintomas ou complicações nos 10 a 15 anos subsequentes ao diagnóstico, estes doentes não necessitam de tratamento. No entanto o tratamento deve ser ponderado no caso de múltiplos cálculos de pequenas dimensões, dado o risco de surgirem complicações, potencialmente graves, particularmente associadas à migração dos cálculos para as vias biliares. Os doentes com sintomas - cólica biliar - devem ser tratados. 

A terapêutica também se aplica, mesmo na ausência de manifestações, em doentes diabéticos ou a tomar imunossupressores, na presença de uma vesícula calcificada, no caso de pacientes com residência ou viagens frequentes a países onde há maus cuidados de saúde, quando ocorre uma perda rápida de peso ou quando os cálculos se localizam nas vias biliares.

A cirurgia para retirar a vesícula (colecistectomia) é o tratamento ideal da litíase vesicular. Pode ser feita por via clássica (por um corte na parede abdominal) ou por via laparoscópica, em que os instrumentos entram no abdómen por pequenos orifícios. Esta é a recomendada porque é menos dolorosa e de recuperação mais fácil. A falta da vesícula não causa problemas importantes.

Outras modalidades, mas utilizadas muito raramente, é a sua dissolução com medicamentos ou a litotrícia por “ondas de choque” para fragmentar os cálculos. Quando estes estão nas vias biliares, o tratamento deve ser tentado por exame endoscópico às vias biliares e pâncreas.

Passa pela prevenção de formação de cálculos, o que pode ser conseguido mediante a correção dos fatores de risco como a obesidade, a dieta com excesso de gorduras animais e poucos vegetais e fruta, a falta de exercício físico, a perda rápida de peso, longos períodos de jejum, uso de hormonas e contracetivos.

Fontes

Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia, 2006

Litíase Biliar Assintomática, WGO Practice Guidelines

Sociedade Portuguesa de Endoscopia Digestiva, 2012

Payen JL e col., Biliary lithiasis, Presse Med. 2011 Jun;40(6):567-80

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