Laboratório da função respiratória

O que é?

Da criança ao adulto, as doenças respiratórias das vias aéreas, geralmente crónicas, atingem mais de um terço da população, de que são exemplo a asma e a rinite alérgica ou a doença pulmonar obstrutiva crónica, esta última frequentemente relacionada com os hábitos tabágicos.

 Assim, numa perspetiva de poder responder às necessidades clínicas emergentes, o Centro de Alergia está dotado de um Laboratório de Função Respiratória, completamente equipado com os recursos mais atualizados para avaliar e diagnosticar patologias das vias aéreas superiores e inferiores, em crianças a partir dos primeiros anos de vida e adultos de qualquer idade.

Tipos de provas

Provas de função respiratória no lactente

Conscientes da necessidade de, em casos clínicos particulares, ser muito importante efetuar provas funcionais em latentes, o nosso Laboratório está dotado com os equipamentos mais sofisticados que permitem, sob o controlo de profissionais muito diferenciados, realizar exames respiratórios desde os primeiros meses de vida.

O Laboratório de Provas Funcionais Respiratórios tem assim uma capacidade ímpar de resposta a todas as situações clínicas de todos os grupos etários.

 

Provas de função respiratória em idade pré-escolar

As provas de função respiratória em idade pré-escolar têm o mesmo carácter metodológico que a função respiratória em adultos, contudo, revestem-se de particularidades importantes na sua execução técnica que são fundamentais tanto para a colaboração da criança como para obter resultados fiáveis e reprodutíveis.

A avaliação da função pulmonar em idade pré-escolar depende claramente da motivação da criança para colaborar, assim, são utilizados jogos metodológicos e intuitivos que encorajam a criança a realizá-los, completando assim as manobras respiratórias necessárias.

A pletismografia sem oclusão é realizada para avaliação das resistências específicas das vias aéreas, e consiste em respirações regulares a uma frequência respiratória padrão, dentro de uma cabine

 

O que fazemos?
Técnicas

Provas de função respiratória permitem estudar os volumes e débitos pulmonares, avaliar a eficácia da ventilação e das trocas gasosas, bem como a permeabilidade das vias aéreas superiores.

A permanência no Laboratório é variável de acordo com os exames solicitados e a sua complexidade, mas dura na maioria das situações até 30 a 60 minutos.

 

São avaliações que englobam diversas técnicas que permitem avaliar o aparelho respiratório, isoladamente ou associadas, das quais destacamos:

  1. Espirometria, com ou sem broncodilatação
  2. Pletismografia (Mecânica Ventilatória), com ou sem broncodilatação
  3. Difusão pulmonar
  4. Provas de provocação inalatórias (metacolina)
  5. Provas de esforço respiratórias
  6. Gasimetria
  7. Óxido nítrico ar exalado
  8. Provas de marcha
  9. Teste de hipóxia
  10. Rinomanometria
      

 1. Espirometria

A Espirometria é o estudo dos débitos e volumes pulmonares mobilizáveis. É realizada utilizando um pneumotacógrafo, aparelho que mede o fluxo de ar e o descreve numericamente, permitindo a determinação de vários parâmetros fundamentais na avaliação do calibre brônquico.

Este é um procedimento não invasivo, que se realiza por intermédio de uma manobra expiratória forçada e que engloba as seguintes fases: respirar a volume corrente, executar uma inspiração máxima e culminar numa expiração máxima forçada até ao volume residual.

Tal como a generalidade dos exames respiratórios, não existe nenhuma preparação obrigatória, devendo seguir as indicações do médico assistente, nomeadamente se deve ou não suspender a sua medicação antes da realização do exame.

 

2. Pletismografia Corporal (Mecânica ventilatória)

A Pletismografia Corporal permite avaliar os volumes pulmonares de uma forma mais detalhada do que a Espirometria, sendo realizada com carácter complementar.

A Pletismografia Corporal, para além de possibilitar a determinação da resistência das vias aéreas, faculta-nos o acesso a capacidades e volumes pulmonares não mobilizáveis, desempenhando deste modo um papel crucial na avaliação da eficácia da mecânica ventilatória.

Esta técnica é realizada dentro de uma cabine – Pletismógrafo – onde serão solicitadas várias manobras respiratórias, de esforço variável, que provocam alterações de pressão na cabine e que permitem aferir dados relevantes ao estudo da função respiratória.

Tal como ocorre com a Espirometria, após um estudo basal pode ser efetuada uma nova avaliação, quer após a administração de um broncodilatador, quer após a inalação de um medicamento que pode provocar a obstrução das vias aéreas (metacolina), ou ainda após a realização de exercício físico.

 

3. Estudo da Difusão Alvéolo-Capilar

A funcionalidade dos alvéolos pulmonares pode estar comprometida em diversas circunstâncias, pelo que a sua determinação tem especial pertinência na avaliação de doenças pulmonares parenquimatosas, na avaliação do envolvimento pulmonar de doenças sistémicas, na evidência de dessaturação durante o exercício, entre outros.

O Estudo da Capacidade de Difusão permite avaliar a difusão dos gases - oxigénio e dióxido de carbono - através da membrana alvéolo capilar.

O método Single Breath é o mais utilizado e consiste, de forma sucinta, na inalação de uma mistura de gás composta por 10% de He (Hélio), 0,3% de CO (Monóxido de Carbono), 21% de O2 (Oxigénio) e o resto de Azoto. Nesta técnica respira-se a volume corrente, procedendo-se a uma expiração completa, seguida de uma inspiração máxima. Depois de um breve período de apneia, o gás é expirado. O monóxido de carbono, ao competir com o oxigénio na ligação à hemoglobina, possibilita a quantificação da superfície alveolar disponível para as trocas gasosas, através da sua concentração no ar expirado.

 

4. Prova de Provocação Inalatória Inespecífica com Metacolina

A Prova de Provocação Inalatória Inespecífica é normalmente realizada nos casos em que se suspeita da existência de hiperreatividade brônquica ou quando existem dúvidas no diagnóstico de patologia imunoalérgica, como é o caso da asma. Permite estudar a reação das vias aéreas a um agente inespecífico, geralmente um fármaco, como é o caso da Metacolina. Esta técnica, no nosso Laboratório, inclui a inalação de diferentes concentrações de metacolina e a avaliação regular por curvas de débito-volume. A prova que pode provocar alguns sintomas, como tosse ou dificuldade respiratória, só termina após o regresso clínico e funcional às condições iniciais.

 

5. Prova de Esforço Respiratória

A prova de esforço respiratória é um meio auxiliar no diagnóstico de bronconstrição induzida pelo exercício físico, pode também ser utilizada na monitorização da resposta à terapêutica de controlo instituída.

A avaliação da resposta ao exercício é efetuada através da medição dos parâmetros cardio-respiratórios basais e após esforço, que é realizado em tapete rolante com velocidade e inclinação ajustáveis durante 6 a 8 minutos.

As provas de esforço respiratórias são possíveis de realizar a crianças a partir dos seis anos de idade.

 

6. Gasimetria arterial

A Gasimetria Arterial (GSA) é um exame invasivo que nos fornece informação relevante sobre a adequação da função respiratória (oxigenação, ventilação e o equilíbrio ácido-base), permitindo entre outras coisas, determinar a necessidade de oxigenoterapia, monitorizar o suporte ventilatório e a gravidade da progressão da doença.

Este método consiste na punção de uma artéria, normalmente a radial, cujas pulsações são fáceis de encontrar, cerca de 3 cm acima do punho. Após a recolha de uma pequena amostra de sangue arterial, procede-se à sua análise.

 

7. Determinação de Óxido Nítrico no ar expirado

O Óxido Nítrico (NO) no ar exalado é marcador bioquímico muito sensível na avaliação da inflamação brônquica (eosinófilica) na asma.

A avaliação da fração exalada de óxido nítrico é um método rápido, não invasivo e indolor que consiste numa expiração única e lenta através de uma peça bocal.

É exequível em crianças desde idade pré-escolar (3-4 anos) a adultos.

 

8. Prova de Marcha de 6 minutos

A Prova de Marcha de 6 minutos (PM6M) é um exame que permite a avaliação da tolerância a pequenos e médios esforços, útil para avaliação do prognóstico e/ou avaliação da eficácia terapêutica. O objetivo é andar o mais rápido possível durante os 6 minutos, num percurso previamente definido num espaço amplo. Para além de outras avaliações, obrigatoriamente antes e após a PM6M é feita a monitorização da pressão arterial, da frequência cardíaca, da saturação periférica de oxigénio, classificação da dispneia e gasimetria arterial. É registada a distância percorrida e a evolução da oximetria transcutânea durante a prova, com ou sem aporte suplementar de oxigénio.