Hirsutismo

O que é?
Sintomas
Causas
Diagnóstico
Tratamento
Prevenção

É definido como a presença de pelos na mulher, em áreas anatómicas características de distribuição masculina.

De acordo com a causa, o hirsutismo pode manifestar-se como queixa isolada ou acompanhado de outros sinais de hiperandroginismo (acne, seborreia, calvície), virilização (hipertrofia do clítoris, aumento da massa muscular, modificação do tom de voz), distúrbios menstruais e/ou infertilidade ou ainda alterações metabólicas.

Decorre da ação dos androgénios (hormonas sexuais masculinas) circulantes sobre a pele. Esta ocorre devido à presença e atividade de enzimas capazes de disponibilizar substâncias com propriedades androgénicas no interior do folículo pilossebáceo.

De um modo geral, o hirsutismo resulta de condições clínicas que não são graves. Contudo, por vezes, pode ser um sinal de uma doença importante e a avaliação deve tomar esse aspeto em consideração.

A maioria das mulheres procura tratamento por razões cosméticas, uma vez que o excesso de pilosidade colide com os padrões culturais ocidentais e é, por isso, fonte de desconforto e redução da autoestima.

Uma vez que o padrão de distribuição pilosa varia de mulher para mulher, torna por vezes difícil distinguir entre variações da normalidade e hirsutismo.

Para lá da distribuição de pelo com características masculinas, as mulheres podem apresentar calvície típica do sexo masculino, uma voz grave, atrofia mamária, aumento massa muscular e hipertrofia do clítoris.

O hirsutismo pode resultar de três categorias:

  • Excesso de androgénios produzido pelos ovários e/ou pelas glândulas suprarrenais;
  • Aumento na sensibilidade cutânea aos androgénios circulantes;
  • Situações que envolvam alterações secundárias no transporte e/ou metabolismo de androgénios.

No primeiro caso, engloba-se a síndrome dos ovários poliquísticos, a hiperplasia suprarrenal congénita, a síndrome de Cushing e os tumores dos ovários ou das glândulas suprarrenais, produtores de androgénios. O segundo grupo, é “idiopático”, caracterizado por hirsutismo isolado na presença de ciclos menstruais regulares. No terceiro grupo, enquadram-se situações como as doenças da tiroide, a hiperprolactinémia, o uso de fármacos (fenotiazinas, danazol, metirapona, ciclosporina, entre outras) que podem levar secundariamente a este quadro.

A síndrome dos ovários poliquísticos é a sua causa mais frequente de hirsutismo de origem glandular. A sua prevalência em mulheres em idade reprodutiva varia entre 4% a 8% e associa hirsutismo, oligo/amenorreia (redução ou ausência de período menstrual) e infertilidade. Os sintomas surgem por volta da puberdade e progridem com o tempo.

Um número importante de pacientes apresenta obesidade e em 30% a 60% dos casos, em especial nas pacientes obesas, ocorre resistência à insulina. Estas têm maior risco para desenvolver tolerância diminuída à glicose e diabetes mellitus. Outras manifestações dermatológicas como acne e calvície são observadas num número menor de indivíduos. Embora não se conheça a causa desta síndrome, a ocorrência de um padrão familiar sugere um componente genético da doença.

O diagnóstico depende da sua causa. Para a síndrome dos ovários poliquísticos, os critérios incluem, pelo menos, dois dos três seguintes:

  1. Disfunção ovulatória;
  2. Evidência de hiperandroginismo clínico (sinais e sintomas) ou laboratorial (concentrações aumentadas de androgénios séricos);
  3. Aparência poliquística dos ovários na ecografia.

O hirsutismo idiopático é definido pela presença de hirsutismo isolado, com ciclos menstruais regulares, ovulatórios e fertilidade conservada.

Como regra, o diagnóstico passa pela avaliação laboratorial. Deve ser realizado um teste de gravidez, doseamentos da testosterona total e testosterona livre, bem como outras hormonas.

O tratamento deve ter como objetivos controlar a obesidade e a resistência à insulina, a acne, as irregularidades menstruais, a infertilidade e as complicações metabólicas. É importante uma modificação do estilo de vida durante pelo menos seis meses antes de se iniciar tratamento específico para a infertilidade. 

A metformina ajuda a reduzir a resistência à insulina, reduz a produção de hormonas sexuais masculinas e melhora a fertilidade. Os contracetivos orais são fármacos de primeira linha porque inibem a produção de androgénios do ovário, melhoram o hirsutismo e a acne e protegem o endométrio, tal como a progesterona, embora não normalize os níveis de hormonas sexuais masculinas nem evite a gravidez. Os antiandrogénios, como a espironolactona ou o acetato de ciproterona reduzem os níveis de hormonas sexuais masculinas, responsáveis pelas manifestações do hirsutismo.

O hirsutismo não pode ser prevenido. Quando ocorre no contexto da síndrome dos ovários poliquísticos, é importante controlar a obesidade e prevenir a resistência à insulina.

Fontes

Poli Mara Spritzer, Hirsutismo: diagnóstico, Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Sociedade Brasileira de Dermatologia, Junho de 2006, Rev Assoc Med Bras 2010; 56(1): 1-9

Teresa Dias, Hirsutismo, 10º Curso Pós-Graduado NEDO 2010, Serviço de Endocrinologia do HSM. Lisboa

Sociedad de Americana de Medicina Reproductiva, 2006

Melissa H. Hunter e col, Evaluation and Treatment of Women with Hirsutism, Am Fam Physician. 2003 Jun 15;67(12):2565-2572

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