O que é?
Sintomas
Causas
Diagnóstico
Tratamento
Prevenção

É uma doença causada por uma resposta inflamatória a cristais de monourato de sódio, que ocorre em pessoas com níveis elevados de ácido úrico. Existem formas agudas e crónicas. As formas agudas surgem como crises súbitas e autolimitadas de artrite (tumefacção, rubor, dor e calor de uma articulação). Enquanto as formas crónicas resultam na deposição de agregados de cristais dentro e em torno das articulações, com progressiva destruição articular.

Para além das destas manifestações, a gota apresenta sintomas renais (cálculos e insuficiência renal) e metabólicas (hipertensão arterial, elevação dos triglicéridos).

Os doentes são frequentemente obesos, com elevados consumos de álcool e com resistência à insulina. É uma enfermidade muito dolorosa e incapacitante. É mais frequente no género masculino e tem início habitualmente entre os 40 e os 60 anos, podendo estar associada a um histórico familiar. No género feminino a incidência da gota é maior na meia-idade, sobretudo em mulheres a fazer tratamento com diuréticos e/ou com ingestão excessiva de álcool. Em ambos os sexos, a obesidade, a hipertensão arterial, a hipertrigliceridémia e a insuficiência renal aumentam o risco de aparecimento desta patologia. Raramente afeta as crianças. O aparecimento desta doença nos jovens está muitas vezes associada a alterações genéticas.

A prevalência atual da gota é de cerca de 14 casos por mil nos homens e de seis por mil nas mulheres. Em Portugal estima-se uma prevalência de 1,6%.

A gota apresenta três fases:

  1. A artrite gotosa aguda que, habitualmente, surge com inflamação de apenas uma articulação. O doente refere dor articular muito intensa com sinais inflamatórios exuberantes (calor, rubor e tumefação), com início frequentemente durante a noite, acordando-o. As articulações dos membros inferiores são as mais atingidas, nomeadamente a do primeiro dedo do pé. Seguem-se os tornozelos, os joelhos, os punhos, os dedos e os cotovelos. Os ombros raramente são envolvidos. Quando o pé não é atingido no primeiro episódio é muito provável que seja nos seguintes. A crise resolve-se espontaneamente após cinco a sete dias.
  2. O período entre ataques, durante o qual o doente fica sem sintomas.
  3. A gota tofácea crónica, que ocorre em pacientes com níveis elevados de ácido úrico não tratado durante anos. Caracteriza-se pela presença de tofos gotosos, que correspondem a uma acumulação de depósitos de monourato de sódio nas articulações e que, a longo prazo, contribuem para a formação de lesões ósseas por erosão. Os tofos encontram-se nos pavilhões auriculares, nas bolsas serosas, no antebraço, no tendão de Aquiles, e nos dedos das mãos ou dos pés. Por vezes pode haver ulceração destes tofos, com a saída dos cristais sob a forma de um conteúdo líquido leitoso.

Ocorre quando o ácido úrico em excesso se acumula no organismo, formando cristais que se depositam nas articulações. Tanto pode resultar de um excesso de produção desse ácido ou da incapacidade dos rins o removerem.

Alguns alimentos e medicamentos tendem a aumentar os seus níveis, podendo causar as crises: mariscos, carnes vermelhas, excesso de álcool, bebidas açucaradas, aspirina, alguns diuréticos, e imunossupressores. Parece ainda existir alguma predisposição familiar para esta patologia.

Existem diversas doenças com sintomas idênticos à gota. Por esse motivo, um diagnóstico correto é fundamental. A história clínica é um elemento importante, bem como o exame médico. A identificação dos cristais de uratos permite ao médico saber se está perante um quadro de gota. Os cristais podem ser obtidos mediante aspiração de fluido que é analisado laboratorialmente. A determinação dos níveis de ácido úrico no sangue é igualmente importante, embora possam estar normais durante uma crise e possam estar elevados em pessoas que nunca tiveram gota. A radiografia permite avaliar a presença de lesão articular e, se necessário, pode-se ainda recorrer à ecografia ou à tomografia computorizada.

Um dos medicamentos utilizado nos ataques agudos é a colchicina, que é muito eficaz mas que se associa a náuseas, vómitos, diarreia e a outros efeitos secundários. Os anti-inflamatórios reduzem a inflamação e aliviam a dor. Os corticoides podem igualmente ser úteis. O alopurinol é um fármaco que ajuda a bloquear a formação de ácido úrico. Uma vez que este medicamento não alivia os ataques agudos, deve ser iniciado após as crises estarem controladas e, de um modo geral, deve ser utilizado de forma crónica. O probenecid ajuda os rins no processo de remoção do ácido úrico. Existem outras terapêuticas que, em função da condição clínica, podem ser utilizadas no seu tratamento como o uso de compressas mornas ou frias que tendem a aliviar a componente dolorosa dos ataques agudos.

A dieta é um complemento relevante no tratamento. Devem ser evitadas as bebidas ricas em frutose e o álcool, sobretudo a cerveja. As carnes e o marisco também podem elevar os níveis de ácido úrico.

Nos períodos sem sintomas, é importante ingerir dois a quatro litros de fluidos por dia, dos quais pelo menos metade deve ser água. É de evitar as bebidas açucaradas e o álcool. A dieta deve ser equilibrada, contendo fruta, vegetais, cereais e derivados do leite sem gordura ou pobres em gordura. Este tipo de produtos parece ter um efeito protetor em relação à gota. Já a carne e peixe devem ser limitados e devidamente controlados.

Perder peso ajuda também a diminuir os níveis de ácido úrico. Contudo, é de evitar jejuns prolongados ou perdas rápidas de peso, que podem causar um aumento temporário deste ácido.

Fontes

American College of Rheumatology, Setembro 2012

Sociedade Portuguesa de Reumatologia, 2013

Cláudia Miguel e col., Abordagem Actual da Gota, Acta Med Port 2011; 24: 791-798

Mayo Foundation for Medical Education and Research, Dezembro 2011

Jaime C. Branco ecol., Estudo epidemiológico das doenças reumáticas em Portugal – EPIREUMAPT, Acta Reumatol Port. 2011;36:203-204

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