Flatulência

O que é?
Sintomas
Causas
Diagnóstico
Tratamento
Prevenção

A flatulência corresponde a uma sensação de presença de gases no tubo digestivo.

O ar é um gás que pode ser engolido juntamente com os alimentos. Deglutir pequenas quantidades é normal, mas algumas pessoas fazem-no em grande volume, de forma inconsciente, sobretudo em estados de ansiedade. Esta situação provoca uma sensação de saciedade, gerando eructações excessivas ou expulsando o ar pelo ânus.

A maior parte do ar engolido é posteriormente expelido (apenas uma pequena parte passa do estômago para o resto do tubo digestivo). O corpo elimina os gases através da eructação, absorve-os através das paredes do trato gastrointestinal para o sangue (sendo eliminados através dos pulmões) ou expulsa-os pelo ânus.

Pensa-se que possa provocar dor abdominal, distensão, eructação e expulsão excessiva de gases pelo ânus. No entanto, não se conhece a relação exata entre a flatulência e qualquer um destes sintomas.

Há quem pareça ser particularmente sensível aos efeitos dos gases enquanto outras pessoas podem tolerar grandes quantidades, de forma assintomática. 

A flatulência pode originar eructação repetidas. Como regra, o ar sai do ânus mais de dez vezes por dia. Os lactentes com cólicas abdominais por vezes expulsam igualmente grandes quantidades de gases.

Além do ar que é engolido, no aparelho gastrointestinal formam-se outros gases. O hidrogénio, o metano e o anidrido carbónico são produzidos pelo metabolismo bacteriano dos alimentos no intestino, especialmente depois da ingestão de feijões ou couves. O grão, o repolho, a couve-de-bruxelas, os brócolos, os espargos, as ervilhas, a cebola, a fruta, os sumos e os produtos dietéticos sem açúcar, o trigo, o milho, a cevada, o leite e derivados lácteos também podem estar na sua origem.

As pessoas com deficiência das enzimas que fragmentam certos açúcares têm igualmente tendência para produzir grandes quantidades de gás quando ingerem alimentos que contêm esses açúcares. Tal como os doentes com deficiência de lactase, diarreia tropical ou com insuficiência pancreática. Outras causas comuns são a utilização de antibióticos, a síndrome do cólon irritável, os quadros de má-absorção e a ingestão de alimentos de difícil digestão, como as fibras.

Podem ser necessários exames para determinar a sua causa e, sobretudo, para excluir eventuais doenças do tubo digestivo. Assim, o médico pode pedir uma tomografia ou uma ecografia abdominais, uma radiografia com contraste, análises ao sangue, ou uma endoscopia alta ou baixa.

A distensão e a eructação são difíceis de tratar. Se o principal problema for os arrotos, a redução da quantidade de ar engolido pode ajudar. No entanto, este objetivo é difícil de alcançar porque a sua deglutição é, normalmente, um ato inconsciente. Há que evitar mascar pastilha elástica, ingerir bebidas com gás ou antiácidos (como o bicarbonato de sódio), deve-se comer mais devagar e num ambiente calmo.

A flatulência pode ser controlada mediante um ajuste na dieta, evitando-se os alimentos de digestão difícil. Para saber quais os que causam o problema pode ser necessário eliminar um ou um grupo de produtos de cada vez. Pode começar-se por retirar o leite e os lácteos, depois as frutas e certos vegetais e, posteriormente, outros alimentos.

A administração de alguns fármacos pode ajudar a reduzir a produção de gases, embora normalmente não sejam muito eficazes.

A prevenção passa por medidas simples como comer de forma relaxada, sem pressas, mastigar devagar, não comer couves ou feijão em demasia, não mascar pastilhas elásticas, não beber bebidas gaseificadas e caminhar 10 a 15 minutos depois das refeições.

Fontes

Manual Merck

U.S. National Library of Medicine, U.S. Department of Health and Human Services, National Institutes of Health, Fevereiro de 2014

Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia, 2008

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