Doença Hepática Crónica

O que é?
Sintomas
Causas
Diagnóstico
Tratamento
Prevenção

Doença hepática crónica (DHC) é qualquer forma de doença hepática avançada, em que o fígado foi exposto, de forma continuada, a uma ou várias formas de agressão.

O fígado é um órgão imprescindível à manutenção do equilíbrio do nosso organismo, sendo responsável por funções tão importantes como a formação de fatores para a coagulação do sangue ou a eliminação de toxinas. Tem uma enorme capacidade de regeneração, isto é, uma vez agredido, consegue recuperar produzindo novas células a partir das que existem. No entanto, quando essas agressões são perpetuadas no tempo, a regeneração ocorre de forma incorreta, surgindo cicatrizes (fibrose) e nódulos. Neste estádio, que será o mais avançado da DHC, podemos dizer que estamos perante uma cirrose. Significa isto que há teoricamente uma maior dificuldade (resistência) na passagem do sangue pelo fígado e que poderá haver compromisso nas funções que desempenha.

Durante a maior parte deste processo o fígado não produz qualquer sintoma.

A palavra cirrose é estigmatizante e na maior parte das vezes mal interpretada. Existem, de grosso modo, duas fases da doença. Uma em que nunca ocorreram episódios de descompensação, ou seja, a doença não dá sintomas e é muitas vezes desconhecida; outra, em que os doentes têm complicações, como hemorragias, icterícia, ascite ("barriga de água") ou infeções. Esta última é a fase descompensada. Entre uma e outra, podem passar anos. Ou seja, um doente pode ter cirrose e estar bem durante anos. Pode nem se suspeitar da sua existência.

Mas muitas vezes a manifestação inaugural da doença pode ser um episódio de descompensação grave ou o aparecimento de um tumor no fígado, que é muito mais frequente em doentes com cirrose. Por isso, a ideia de que a cirrose dá queixas e se deteta sempre por alterações nas análises é falsa. A primeira manifestação pode ser grave e tardia.

Apesar disso os médicos podem por vezes reparar em pequenos sinais que façam suspeitar da doença, quer clínicos, quer laboratoriais (ex: diminuição do número de plaquetas sem outra causa) ou imagiológicos (ex: detetar um baço aumentado numa ecografia abdominal de rotina).

A causa mais comum de DHC em Portugal é o consumo excessivo de bebidas alcoólicas. As infeções pelos vírus das hepatites B e C, a hepatite autoimune, a hemocromatose hereditária ou a cirrose biliar primária são exemplos de outras causas possíveis. Uma causa crescente de cirrose hepática muitas vezes pouco valorizada é o fígado gordo não alcoólico, em que a obesidade desempenha o papel decisivo.

A confirmação da existência de cirrose só é possível, em rigor, fazendo uma biópsia mas isso raramente é preciso. Existem hoje em dia métodos não invasivos que, nalguns tipos de DHC, podem substituir a biópsia. O mais utilizado é o Fibroscan®, que avalia o grau de fibrose do fígado. Este exame assemelha-se a uma ecografia, não causando qualquer desconforto ao doente.

Até certa altura é possível intervir na maioria dos fatores subjacentes a uma cirrose. Fala-se até em regressão da mesma, quando esses fatores são eliminados ou estão muito bem controlados. Abolir o consumo de álcool, tratar as hepatites ou emagrecer são exemplos de estratégias possíveis para reduzir o grau de fibrose e evitar a progressão para a fase descompensada da doença, em que a única opção é muitas vezes o transplante hepático.

A cirrose também se previne. A vacinação para a hepatite B ou a evicção de partilha de seringas ou material potencialmente contaminado com sangue são formas indiretas de prevenir a doença

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