Braquiterapia prostática

O que é?
Público alvo
Técnica
Vantagens

O cancro prostático é um importante flagelo masculino, com enorme sofrimento quer para o doente, quer para a família. Este tumor apresenta-se como o mais prevalente no sexo masculino e como 2ª causa de morte oncológica no homem.

O pesado fardo social, médico e pessoal que o cancro prostático implica, tem conduzido todos os esforços no sentido da deteção precoce. Desta forma, os urologistas têm feito o possível para diagnosticar este tumor numa fase ainda inicial da doença, aumentando as probabilidades de sucesso do tratamento escolhido.

Dentre as várias alternativas existentes para o tratamento da neoplasia prostática maligna localizada, salienta-se a Braquiterapia intersticial prostática por algumas características desta técnica.

O termo Braquiterapia, também conhecida como radioterapia intersticial ou interna, derivado da palavra grega “braquios”, significa curto, e refere-se ao efeito terapêutico de radioisótopos colocados em contacto com a lesão a tratar. Portanto, Braquiterapia prostática consiste em colocar sementes de radioisótopos na próstata, por via perineal, com fins curativos do cancro da próstata.

Na realidade, a braquiterapia prostática trata-se duma técnica cirúrgica menos invasiva, sem necessidade de incisão cirúrgica clássica, simples e de realização em sessão única, possibilitando a alta precoce do doente após cerca de 24h da intervenção.

Tendo em perspectiva o foco na qualidade de vida do doente e as expectativas deste, podemos afirmar que se trata de uma excelente opção, já que garante o retomar precoce da vida normal, de forma quase imediata (ao contrário do que acontece com a cirurgia radical ou a radioterapia externa).

É uma forma de tratamento do adenocarcinoma da próstata com forte expressão nos EUA, onde foi desenvolvida, na sua forma moderna, a partir de meados dos anos 80. Em Portugal é relativamente recente mas com uma representação comparável às outras terapêuticas mais estabelecidas (cirurgia e radioterapia externa).

O desenvolvimento da ecografia, dos computadores e de programas sofisticados de dosimetria tridimensional da próstata, assim como de sistemas de orientação por grelhas perineais, permitiram o desenvolvimento da moderna braquiterapia prostática que finalmente se conseguiu afirmar como alternativa aos tratamentos clássicos, a prostatectomia radical e a radioterapia externa.

A seleção de doentes para este tratamento baseia-se em alguns fatores. De forma sucinta, considera-se indicação principal, a doença localizada e alguma doença localmente avançada. 

 

Existem doentes universalmente aceites como “ideais” . No entanto, como as vantagens desta técnica são apreciáveis, é possível (e frequente) tratar doentes que não possuem todas as características. Há, assim, critérios mais abrangentes, menos restritivos, que podem ser considerados como uma indicação relativa, mas cujos resultados são igualmente muito bons. Diferentes autores preconizam diferentes critérios.

 

Nos doentes de alto risco de progressão da doença, pode estar indicado tratamento combinado com radioterapia externa e bloqueio hormonal androgénico. Sendo uma das terapêuticas possíveis – e atualmente mais utilizadas – para o tratamento do cancro da próstata localizado, apresenta as mesmas indicações que as restantes terapêuticas para o mesmo estádio da doença.

A braquiterapia prostática consiste na inserção de “implantes” (“sementes”) radioativas no interior da próstata, sob controlo ecográfico e com monitorização em tempo real. É realizada num bloco operatório, sob anestesia loco-regional ou geral. Pode ser em regime ambulatório. O doente fica na posição de litotomia (“ginecológica”).

 

É um procedimento pouco invasivo, que dura entre 60 a 120 minutos e que não requer incisão cirúrgica e nem transfusão sanguínea.

 

Como estas sementes são colocadas dentro da próstata, isso permite que uma elevada dose de radiação seja libertada, ficando fundamentalmente confinada à próstata. Este facto permite poupar os tecidos circundantes (tecidos sãos) praticamente intactos, como é o reto, a bexiga e a uretra. A aplicação das sementes que podem ser separadas ou ligadas, requer dispositivo apropriado.

 

O controlo do número e posição das sementes a utilizar é feito através de sistema computorizado extremamente sofisticado, com um elaborado software específico. A realização desta técnica implica, assim, uma equipa multidisciplinar que inclui, além do Urologista, um Radioterapeuta e um Físico, cuja ção conjunta, complementar e extremamente diferenciada, permite obter os bons resultados descritos para esta técnica.

 

Toda a operação é minuciosamente planeada com antecedência. Trinta dias depois do procedimento, é feito uma TAC pélvico para mapeamento tridimensional da próstata e cálculo de dosimetria.

 

No Pós-operatório, os doentes são tranquilizados quanto ao risco de emissão de radioatividade e instruídos a cumprir certas recomendações na vida sexual e no relacionamento com crianças principalmente.

O tratamento do Cancro da Próstata com Braquiterapia tem finalidade curativa.

De acordo com os resultados da literatura mundial, 95% dos pacientes tratados com I-125 encontram-se livres da doença após 12 anos do tratamento.

 

Está associado a taxas de complicações bastante animadoras. Apenas cerca de 5% dos pacientes que não tiveram cirurgia prostática prévia poderão apresentar algum grau de incontinência urinária. Cerca de 10% dos homens poderão apresentar impotência sexual de graus variados.

 

Nalguns casos pode ocorrer pequeno desconforto na região perineal por 2 a 3 dias, tratado de forma eficaz com analgésicos suaves. Um pouco de sangue pode ser visto na urina ou esperma durante alguns dias após o procedimento. Isto é normal e cessa espontaneamente após 2 ou 3 dias.

 

É um tratamento curativo realizado em uma única sessão. Os pacientes podem retornar à atividade normal (incluindo o trabalho) dentro de poucos dias.

 

Apresenta inúmeras vantagens, como a elevada eficácia (superior à Radioterapia Externa, como demonstra um estudo recente), a menor taxa de efeitos secundários (como o risco de incontinência urinária e problemas de ereção, que são frequentes após a prostatectomia radical e as lesões retais após a radioterapia), o menor tempo de anestesia e de internamento (o doente tem habitualmente alta no dia seguinte à intervenção). O tempo em que se fica com a algália é de apenas algumas horas (geralmente inferior a 24 horas), ao contrário da cirurgia, em que é necessário manter a algaliação durante alguns dias e o regresso à atividade normal do dia-a-dia é igualmente muito mais rápida.

 

Entretanto, apresenta limitações em relação a doentes com próstatas volumosas, ou submetidos a cirurgias prostáticas prévias ou com sintomas importantes do aparelho urinário inferior, sobretudo sintomas de esvaziamento (“obstrutivos”). Nestas situações, deve-se ter atenção especial pelo risco de retenção urinária pós-tratamento ou de queixas de instabilidade vesical.

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