Problemas Auditivos ao longo da vida

Ouvidos, nariz e garganta
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A audição é um dos principais pilares na comunicação humana. Mas só nos apercebemos da sua importância quando, por uma qualquer razão, sentimos que a perdemos.

Os problemas auditivos podem surgir ao longo da vida.

 

Nas crianças, os problemas de audição começam a preocupar-nos quando nos interrogamos se o nosso filho “ouve bem ou será distraído?”. Das diferentes situações que podem provocar perda auditiva numa criança, a otite serosa é a mais frequente e que pode ser de difícil diagnóstico pela escassa sintomatologia associada. Um correto diagnóstico e uma adequada e pronta intervenção terapêutica são fatores indispensáveis para que a criança não venha a ter problemas de aprendizagem na escola ou, mais tarde, sequelas otológicas.

 

Na idade adulta são muitas as causas que podem gerar problemas auditivos: situações simples como um rolhão de cerúmen que bloqueia a audição ou uma vulgar constipação que pode provocar o mau funcionamento da trompa de Eustáquio e a sensação desagradável de ouvido tapado, causam muitas vezes algum incómodo. Para além destas situações de fácil resolução, existem outras mais complexas, como as que resultam de lesão do ouvido interno, de que são exemplos a surdez súbita, em que provavelmente estão envolvidos mecanismos auto-imunes e cujo prognóstico é sempre reservado, ou a surdez por traumatismo sonoro, situação que nos deve preocupar pelo facto de os jovens começarem desde muito cedo a “agredir” os seus ouvidos com decibels muito elevados e durante horas consecutivas utilizando ininterruptamente headphones para ouvir músicas.

 

As situações que podem afetar o ouvido médio, nomeadamente situações infeciosas como as otites, agudas ou crónicas, pela doença em si ou como consequência de sequelas dela decorrentes, podem provocar problemas e exigem tratamento adequado.

Por fim, naturalmente que o ouvido, tal como os outros órgãos, também envelhece começando a surgir queixas características das pessoas de mais idade, que se caracterizam por ouvir mas não conseguir perceber o que os outros estão a dizer.

 

Mais importante do que informar sobre algumas das situações que podem estar na origem de problemas auditivos é lançar o alerta para o papel da prevenção destes mesmos problemas.

A prevenção pode e deve começar logo à nascença com o rastreio auditivo neo-natal de todos os recém-nascidos, um exame que deverá ser um padrão de qualidade de todas as maternidades e um objetivo para o qual todos devemos estar sensibilizados.

As crianças mais pequenas não nos conseguem dizer que ouvem mal e, no entanto, uma perda auditiva não diagnosticada e tratada precocemente pode causar um atraso irreparável no desenvolvimento da fala e da linguagem com consequentes problemas afetivos, sociais e intelectuais.

 

É bom ter presente que ao longo dos vários ciclos da vida, uma audição normal é de uma enorme importância na nossa qualidade de vida e que, por isso, perante qualquer problema auditivo devemos, de imediato, procurar o médico especialista que através dos meios próprios ou com recurso a meios complementares (audiograma, impedancimetria, potenciais evocados auditivos, imagiologia e outros) pode fazer o diagnóstico da situação e propor o tratamento médico e/ou cirúrgico mais adequado. Nalguns casos poderá ser aconselhável recorrer à reabilitação através da utilização de próteses auditivas.