O que são opioides e qual a sua aplicação?

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Os opioides são fármacos essenciais para controlar a dor moderada ou intensa, tendo um efeito analgésico e sedativo. Saiba como são utilizados.

Um dos sintomas mais comuns em doenças e inúmeras outras situações que requerem cuidados médicos é a dor, seja aguda ou crónica, de ligeira a intensa. A dor, e o sofrimento que provoca, é um dos alvos de tratamento, constituindo os opioides um dos principais aliados, na medida em que têm uma atuação rápida no organismo, através do sistema nervoso central. Existem diversos tipos de opioides, com graus de intensidade e atuação distintos, que não só facilitam a recuperação da dor como dão suporte e conforto em situações mais longas ou definitivas.

 

O que são opioides?

Como o nome indica, os opioides são fármacos retirados do ópio ou que simulam os seus efeitos. O ópio é uma substância extraída da papoila Papaver somniferum, também conhecida como papoila do ópio, cuja seiva contém dezenas de compostos químicos orgânicos, muitos deles com efeitos analgésicos e sedativos, como a morfina e a codeína. É também através dessa papoila que são produzidas drogas ilegais, como a heroína.

A prescrição de opioides é essencial para o tratamento da dor moderada ou da dor intensa, sendo normalmente associados a outras terapêuticas. A dosagem ou o tipo de medicamento são ajustados para facilitar os resultados, minimizando possíveis efeitos secundários.

 

Sabia que...

Os efeitos analgésicos e sedativos do extrato de papoila de ópio são conhecidos há milénios. Vários autores gregos já referiam o seu uso em situações nas quais os opioides ainda hoje são essenciais: cirurgias e amputações de membros.

 

Como atuam os opioides?

Os compostos opioides circulam pelo sangue até serem absorvidos por recetores opioides presentes no cérebro, na medula espinal e noutras zonas do corpo, atuando diretamente sobre o sistema nervoso central. Os opioides bloqueiam sinais entre o cérebro e o resto do corpo, nomeadamente aqueles que nos levam a sentir dor. Têm também um efeito sedativo no organismo e de bem-estar, que varia em função da dosagem, concentração e via de administração.

 

Em que situações são usados os opioides?

Desde a dor aguda provocada por um trauma até à dor crónica em consequência de uma lesão irreversível, incluindo a dor oncológica, a utilização dos opioides nas crianças e nos adultos é ampla. Os analgésicos opioides podem ser administrados como comprimidos, xaropes, injeções, supositórios, através de adesivos ou por inalação. Algumas das situações em que podem ser usados opioides são:

  • Dor aguda severa, como após uma fratura;
  • Dor aguda após uma cirurgia, por exemplo, a cirurgia abdominal;
  • Na dor após amputação de membros, por vezes, crónica;
  • Para controlar dores crónicas, como dores musculares, dores ósseas ou dores articulares;
  • Na dor vascular severa;
  • Em casos graves de dores de cabeça, como cefaleias;
  • Na dor oncológica;
  • Em contexto de cuidados paliativos;
  • No decurso de técnica analgésica como analgesia epidural para trabalho de parto;
  • No decurso de uma anestesia associados a outros fármacos, por via endovenosa ou epidural, por exemplo;
  • Para tratamento da adição de drogas, com opioides como a metadona.

 

O uso de opioides tem sempre o objetivo-base de controlar a dor e melhorar a qualidade de vida dos doentes. O controlo eficaz da dor aguda permite inclusivamente facilitar a recuperação; na dor crónica contribui para o conforto do doente.

 

Como são prescritos opioides?

A prescrição de medicamentos opioides é feita incluindo uma avaliação da intensidade da dor, das suas características e do estado geral do doente. É habitualmente usada a Escada Analgésica da Dor, da Organização Mundial da Saúde, para descrever a intensidade da dor. A escada analgésica usa uma escala de 0 a 10 que classifica a dor de ligeira a insuportável):

Degrau 1: 0 a 3, dor leve. Uso de medicamentos não opioides, anti-inflamatórios não esteroides, paracetamol e metamizol. Considerar terapêuticas adjuvantes;

Degrau 2: 4 a 6, dor moderada. Administração de opioides, como tramadol, dihidrocodeína e codeína, aos quais podem ser associados analgésicos não opioides e terapêuticas adjuvantes;

Degrau 3: 7 a 10, dor severa, máxima. Utilização de opioides fortes, como oxicodona, hidromorfona, buprenorfina, tapentadol e fentanil. Considerar outras terapêuticas e analgésicos, mas não opioides fracos.

 

Na dor crónica, a terapêutica com opioides fortes deve ser iniciada com um período de teste, com dosagens progressivamente mais altas e de libertação prolongada. É importante haver também avaliações regulares, que não devem ultrapassar as duas semanas de intervalo.

Os opioides são usados tanto em adultos como em crianças e são essenciais em contexto oncológico infantil, por exemplo.

 

Sabia que...

O tratamento da dor é um direito do ser humano e a dor é considerada o 5.º sinal vital (a par da frequência cardíaca, frequência respiratória, pressão arterial e temperatura), pelo que o registo da intensidade da dor é obrigatório nos cuidados de saúde.

 

Os opioides têm riscos?

Os efeitos secundários associados aos opioides, nomeadamente em caso de utilização prolongada, incluem: obstipação, sonolência, náuseas, vómitos, perda de concentração ou reflexos lentos. O rigoroso cuidado na prescrição médica deve-se essencialmente à tentativa de evitar ou minimizar esses efeitos secundários.

Os opioides, particularmente os mais fortes, são também motivo de preocupação pelos erros inadvertidos no seu uso. Tomar uma dosagem errada ou de uma forma diferente da prescrição (esmagar um comprimido em vez de o engolir, por exemplo), e confundir com outro medicamento, no caso de pessoas que tomem um opioide por engano, pode trazer consequências para a saúde. Os fármacos opioides têm um efeito narcótico, pelo que a possibilidade de habituação ao medicamento e a sensação de necessidade de o procurar após o fim do tratamento ou o seu uso de forma recreativa, como droga ilícita, podem ter consequências graves. As recomendações existentes assentam essencialmente na importância do acompanhamento médico, tanto para os casos de dor crónica como para situações agudas. A dosagem pode ser reduzida ou mesmo suprimida quando existe evolução positiva dos sintomas, como a melhoria da dor. Por outro lado, quando deixa de haver um efeito positivo ou se acontecerem efeitos secundários graves, o médico opta por outra terapêutica. Em todo o caso, a interrupção deve ser lenta e progressiva.

 

Sabia que...

Nos Estados Unidos, verifica-se um aumento na utilização ilícita de opioides como o fentanil, causando um aumento nos casos de adição. Outros países, nomeadamente na Europa, estão atentos a este fenómeno, mas preocupados também em combater a desinformação sobre estes medicamentos essenciais ao tratamento eficaz da dor severa.

Fontes:

Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, janeiro de 2024

Associação Portuguesa para o Estudo da Dor, janeiro de 202

Centers for Disease Control and Prevention, janeiro de 2024

Direção-Geral da Saúde, Comissão Nacional de Controlo da Dor, janeiro de 2024

Mayo Clinic, janeiro de 2024

National Institute on Drug Abuse, janeiro de 2024

National Library of Medicine, National Center for Biotechnology Information, Janeiro de 2024

WebMD, janeiro de 2024

Publicado a 31/01/2024