Gengivo-estomatite: o que é?

Bebés e crianças
Prevenção e bem-estar
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É causada por um vírus da família do Herpes e é muito frequente nas crianças. Saiba como ajudar a aliviar o desconforto associado à gengivo-estomatite.

O seu filho está com febre alta, irritado, não quer comer, baba-se muito e tem aftas nos lábios, língua e a gengiva inflamada? Provavelmente, estamos perante uma infeção chamada gengivo-estomatite.

O termo estomatite refere-se a processos inflamatórios da mucosa oral que cursam com aparecimento de úlceras (lesões com fundo branco-amarelado e bordo avermelhado – aftas). A gengivo-estomatite é uma doença muito frequente em idade pediátrica.

 

Quem é mais afetado

É uma doença viral, causada por um vírus da família Herpes (Vírus Herpes Simplex). 

O primeiro contacto com este vírus ocorre durante os primeiros anos de vida. Na maioria dos casos, não condiciona doença (cerca de 80% dos casos). Nos restantes, a primoinfeção tem como manifestação clínica mais frequente o aparecimento de gengivo-estomatite. Pode ocorrer durante todo o ano, não tendo distribuição sazonal particular.

Esta doença afeta sobretudo crianças entre os 6 meses e os 5 anos.

 

Como se manifesta a gengivo-estomatite

Caracteriza-se pelo aparecimento de febre alta (temperatura timpânica > 39ºC) associada a sensação de dor de garganta e na mucosa oral e/ou irritabilidade (sobretudo nas crianças mais pequenas que não sabem manifestar dor), condicionando recusa em comer, salivação e halitose. 

 

Em que consiste o diagnóstico

O diagnóstico é clínico, pela observação de lesões tipo aftas em número e tamanho variável, muito sangrantes e dolorosas ao toque. Estas aparecem mais frequentemente na gengiva e língua, embora possam ocorrer em qualquer zona da cavidade oral. Associa-se ainda inflamação e inchaço generalizado da gengiva. 

Não são necessários exames complementares de diagnóstico na ausência de complicações.

 

O que devem os pais fazer?

  • Dar antipiréticos para baixar a febre e melhorar a dor (ibuprofeno e/ou paracetamol)
  • Insistir na ingestão de líquidos tépidos a frios e açucarados
  • Pode ajudar aplicar anestésico tópico (segundo prescrição médica)
  • Vigiar sinais de alarme que justificam avaliação da criança num serviço de urgência. Estes incluem recusa total em comer, vómitos e prostração

 

Como tratar a gengiva-estomatite

O tratamento da gengivo-estomatite consiste no alívio dos sintomas que causam desconforto na criança, através de antipiréticos ou analgésicos, de produtos desinfetantes e anestésicos tópicos em pomada e, sobretudo, no reforço hídrico oral, com preferência para dieta mole e fria, sem alimentos ácidos. 

O tratamento inclui, também, iniciar um antiviral (aciclovir) para diminuir a duração da doença e gravidade dos sintomas. Este deve ser iniciado nas primeiras 72 horas de doença. 

Em alguns casos as complicações incluem desidratação ou níveis baixos de glicemia, devido à recusa alimentar. Nestes casos pode ser necessário o internamento da criança de forma a promover-se hidratação endovenosa até recuperação da autonomia alimentar.

 

Duração da doença

É uma doença autolimitada e benigna, com duração entre 4 a 10 dias, que resolve sem deixar cicatrizes. A criança deve fazer evicção escolar durante esse período.