Desenvolvimento do bebé no 1.º ano de vida

Bebés e crianças
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É natural que os pais tenham dúvidas sobre o desenvolvimento do bebé no 1º ano de vida. Veja aqui as respostas às principais questões, dos zero aos 12 meses.

Uma das grandes curiosidades dos pais em relação aos filhos refere-se às suas capacidades ao nascer e ao longo dos primeiros meses de vida. São comuns as perguntas: o bebé já vê? Quando é que ele segura a cabeça? Leva tudo à boca, são os dentes que vêm aí?

Embora o ritmo de desenvolvimento de cada bebé seja diferente, fique a saber o que é expectável no primeiro ano de vida de uma criança saudável e os sinais de alerta a que deve estar atento.

 

Desenvolvimento do bebé

O normal desenvolvimento da criança é influenciado por fatores pré-natais, perinatais e pós-natais. Entre os primeiros destacam-se os genéticos e os relacionados com a forma como correu a gestação, incluindo os hábitos da mãe e, nos segundos, a prematuridade, a forma como decorreu o parto e a adaptação do recém-nascido à vida extrauterina. Finalmente, após o nascimento, a nutrição, os cuidados de saúde, o ambiente físico e, sobretudo, emocional, bem como os estados de doença, podem interferir com a evolução da criança. Deste modo, é importante os pais compreenderem que, embora a sequência de aquisições seja a mesma em todas as crianças, o ritmo do desenvolvimento varia de criança para criança.

 

Recém-nascido

Uma das perguntas frequentes dos pais diz respeito à visão do recém-nascido. Ainda é comum os pais pensarem que o bebé acabado de nascer não vê. Ora, nesta idade, o bebé reage à luz e pode já fixar uma face. Pelas duas semanas de vida, já reconhece a cara da mãe ou do pai. A reação aos sons também está presente desde o nascimento.

Quanto à posição preferencial, a do recém-nascido é em flexão, ou seja, habitualmente tem os membros fletidos e as mãos fechadas. Ao longo do primeiro mês, esta postura em flexão vai diminuindo e o bebé vai-se esticando, o que é facilmente observável pelos pais.

 

O que é avaliado na primeira consulta de Pediatria

Na primeira consulta, o pediatra avalia os reflexos do bebé. Um dos reflexos é a chamada marcha automática, em que, se os pés do recém-nascido tocarem uma superfície, automaticamente são desencadeados movimentos de andar. Os pais acham muita graça e deleitam-se com este andar do seu filho. Se o recém-nascido se assusta, nomeadamente quando se sente a tombar para trás, abre os braços e as mãos e chora.

Outros reflexos são avaliados, como a chamada preensão palmar, em que se tocarmos com um dedo na palma da mão do recém-nascido ele reage fechando a mão sobre os nossos dedos. O reflexo da sucção é desencadeado se tocarmos no canto da boca do bebé. Estes reflexos, e outros não descritos, permitem ao pediatra avaliar a preparação neurológica do bebé.

 

Entre a quarta e a sexta semana

Nesta idade, o bebé já fixa um objeto colocado a cerca de 20 centímetros e é capaz de, por instantes, o seguir com a cara e o corpo. Já se verificam movimentos do corpo em resposta à voz, surge o primeiro sorriso social e emite sons guturais. 

Quando interagem com ele fica atento, parado e a olhar a face humana.Quando erguido, a partir da posição de deitado, a cabeça pende para trás. Contudo, deitado de barriga para baixo, levanta a cabeça por instantes. Ao colo, move a cabeça de um lado para o outro e as mãos estão mais vezes abertas.

 

Aos dois meses

O bebé segue e fixa melhor os objetos. Sorri quando falam com ele, ouve a voz com atenção, distinguindo as vozes conhecidas. 

Quando erguido pelos braços, a partir da posição de deitado, não faz força com a cabeça, mas se deitado de barriga para baixo, tenta erguer a cabeça. Se sentado, já segura melhor a cabeça. As mãos estão predominantemente abertas e une-as na linha média, ou seja, junto ao peito.

 

Entre os três a quatro meses

O bebé está bastante mais desperto, muito observador e fixa os objetos que lhe são apresentados. Reage à aproximação de uma cara familiar com movimentos de flexão e extensão dos membros. Vira os olhos e a cabeça para os sons. Intensifica o contacto social, gosta de ouvir música, emite sons guturais. Dá gargalhadas.

Leva as mãos à linha média e brinca com elas. Pelos três meses, agarra os objetos que lhe são colocados na mão, mas aos quatro já dirige a mão para os agarrar e levar à boca, assim como já tira a chucha.

Quando deitado de costas, tem os braços esticados e mexe ativamente os membros inferiores. Quando erguido pelos braços, a cabeça já acompanha o movimento. Na posição sentada, ainda pode segurar mal a cabeça até perto dos quatro meses.

 

Aos seis meses

O bebé mostra-se muito ativo, mexe-se bastante, interessa-se pelas atividades dos adultos. É engraçado, por exemplo, ver como o bebé se interessa pelos movimentos das mãos dos adultos.

Agarra os objetos, leva-os à boca, muda-os de mão, mas se caem esquece-os. Leva os pés à boca e gosta de brincar com eles. Emite sons com duas sílabas.

Quando o seguram de pé, faz apoio ativamente com os pés - é o chamado "tem-tem". Deitado de costas, ergue a cabeça e se agarrado pelos braços faz força para se levantar. Mantém-se sentado por alguns instantes. Deitado de barriga para baixo, apoia-se nas mãos e nos braços para levantar a cabeça. Já rebola.

 

Aos nove meses

A criança evidencia sinais de atenção para sons ao perto e ao longe, o que lhe permite começar a conhecer os sons da casa. Repete sílabas ou sons escutados aos adultos. Distingue os rostos familiares dos estranhos e chora perante os estranhos. Responde ao nome.

Interessa-se pela sua imagem no espelho e gosta de brincar com ela. Segura objetos pequenos entre o polegar e o indicador, apanha pequenos pedaços de pão da mesa. Atira intencionalmente objetos ao chão e utiliza isto como uma brincadeira, desafiando os pais. Também procura objetos que caem.

Quanto à postura, já se senta sozinho e pode começar a gatinhar. Ajudado, já se põe de pé. Muitas crianças não mostram interesse em gatinhar, aprendendo diretamente a andar.

 

Aos 12 meses

A criança mostra interesse visual para perto e longe - por exemplo, identifica aviões e aponta-os com o dedo. Responde a sons suaves.

Compreende ordens simples como dar ou dizer adeus, está sempre a "falar", pode dizer palavras simples como "mamã", "papá", imita gestos, sacode a cabeça, bate palmas, faz gracinhas. Gosta de pegar na colher e de a levar à boca. Põe-se de pé e baixa-se sozinho e consegue andar apoiado.

 

Como estimular o desenvolvimento do bebé

Hoje em dia, é muito frequente os pais durante as consultas perguntarem como podem estimular o desenvolvimento dos seus filhos e que exercícios podem realizar com eles.

Se o pediatra entender que a criança deve ser estimulada, os exercícios serão orientados por uma equipa de desenvolvimento. Se a criança não tem qualquer problema de desenvolvimento, não é necessário nenhum programa especial.

Costumo dizer aos pais que a melhor estimulação para a criança é a companhia dos pais e as brincadeiras que têm com ela. Conversar com uma criança, mesmo recém-nascida, colocá-la numa cadeira que lhe permite observar o que se passa em seu redor, são exemplos de exercícios de estimulação. De igual modo, um bebé ser balanceado nos joelhos dos pais, assim como ser ajudado a levantar-se quando deitado ou fazer flexões estando em pé, na idade adequada, estimula o seu desenvolvimento. Mas serão estes movimentos exercícios de estimulação ou apenas a interação espontânea entre pais e filhos?

 

Desvios no desenvolvimento: sinais de alerta

Como referido anteriormente, cada criança tem o seu ritmo de adquirir novas capacidades, pelo que é completamente errado os pais compararem os seus filhos entre si ou com os filhos dos amigos. Contudo, a não aquisição de alguma etapa pode alertar os pais, que devem esclarecer a situação com o pediatra na consulta seguinte ou antecipadamente.

De forma resumida, os pais devem estar atentos aos principais sinais que podem estar associados a desvios significativos no desenvolvimento. A maioria dos sinais aqui referidos são fáceis de identificar, pois são dados óbvios. Os elementos mais subtis serão averiguados pelo médico. Deste modo, os pais devem informar o pediatra se:

Ao 1º mês o bebé não se interessar por sons ou pela face humana, tiver uma postura demasiado mole ou excessivamente rígida.

Aos dois meses o bebé não fixar nem seguir objetos, tiver as mãos sempre fechadas, não apreciar o contacto físico ou movimentar-se pouco.

Aos seis meses o bebé chorar excessivamente, interessar-se pouco por objetos e pelo meio ambiente ou tiver movimentos assimétricos dos membros.

Aos nove meses a criança não se sentar, não levar objetos à boca, interagir pouco com o meio que o rodeia, não brincar.

Aos 12 meses a criança não fizer força com as pernas, mexer-se pouco, reagir pouco ao meio ambiente.