COVID-19: como manter a calma durante o isolamento social

COVID-19
Cérebro e saúde mental
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O isolamento social é uma medida necessária para evitar o contágio da COVID-19, mas nem sempre fácil para quem o faz. Conheça vários conselhos que o vão ajudar.

O isolamento social é uma estratégia muito importante para a contenção da propagação da COVID-19, contribuindo para a segurança de todos nós. O que não significa que quem está a passar por esta situação não sinta alguma dificuldade ou tenha sentimentos desagradáveis.

É essencial que se mantenha informado acerca dos acontecimentos, mas sem cair em alarmismos ou expor-se excessivamente a notícias que possam aumentar a sua ansiedade e preocupação. Segundo a Ordem dos Psicólogos, “a cobertura mediática pode criar a impressão de que existe um perigo e um risco maior do que aquele que realmente existe”.

Acima de tudo, tenha esta ideia em mente: o isolamento social, além de muito importante para limitar a propagação do vírus, não dura para sempre.

Para conseguir manter a calma durante o isolamento social, é muito útil tentar manter as suas rotinas habituais e adotar uma atitude positiva, aproveitando para fazer algumas das coisas para as quais, em circunstâncias normais, não teria tempo.

 

Esteja preparado: o que poderá sentir enquanto está em casa

Diferentes pessoas reagem de diferentes formas aos desafios do isolamento social. Contudo, é natural e comum que, por vezes, experiencie algumas das seguintes emoções:

  • Ansiedade e medo relativamente à sua saúde e dos que lhe são próximos, como familiares e amigos, das pessoas com quem possa ter contactado. O facto de ter de monitorizar os sintomas de doença também pode despertar estes sentimentos.
  • Preocupação por ter amigos e familiares em isolamento por terem contactado consigo, assim como por estar afastado do trabalho e não poder sair de casa (o que dificulta a logística do dia a dia, por exemplo, no que toca à compra de mercearias) ou fazer as rotinas habituais.
  • Angústia resultante do facto de não poder cuidar dos seus filhos ou de outras pessoas a seu cargo e de depender de outras pessoas.
  • Incerteza acerca do que irá acontecer e por não saber durante quanto tempo poderá ser necessário permanecer em isolamento.
  • Solidão devido ao afastamento que o isolamento implica.
  • Frustração e aborrecimento por não podermos realizar as nossas rotinas habituais.
  • Zanga por se encontrar em situação de isolamento ou pela possibilidade de ter sido exposto ao coronavírus devido à negligência dos outros.
  • Tristeza, medo e falta de esperança, acompanhados pelo desejo de consumir álcool e drogas, alterações de apetite ou dos hábitos de sono.

 

Estratégias para manter a calma durante o isolamento social

1. Conte com a ajuda dos outros

Durante o período de isolamento é fundamental que tenha reunidas as condições para se sentir seguro e confortável, desde medicamentos, compra de alimentos, produtos de higiene pessoal e meios de comunicação. Peça ajuda a outras pessoas, como amigos e familiares.

 

2. Não deixe de falar com quem é importante para si

Segundo a Ordem dos Psicólogos, uma das melhores formas de reduzir sintomas como ansiedade, solidão ou aborrecimento é falar com as pessoas de quem gosta e em que confia. Recorra ao telemóvel, email, mensagens ou até redes sociais. Para um contacto o mais “cara a cara possível”, opte pelas videochamadas.

 

3. Faça o que gosta e…relaxe

Seja ler um bom livro (talvez até aquele que estava na estante já há algum tempo), ver séries, filmes ou o seu programa preferido, aproveite para fazer atividades que realmente lhe dão prazer e que muitas vezes acaba por adiar por não ter tempo de fazer no seu dia a dia normal.

 

4. Mantenha as suas rotinas (dentro do possível, claro)

Coloque o despertador e levante-se à hora habitual, vista-se e faça as suas refeições a horas “normais”. Se possível, trabalhe a partir de casa.

 

5. Não descure de hábitos saudáveis

Reserve uns minutos do seu dia para fazer exercício físico - seja planos de treino, ioga ou até dança - e esforce-se por ter uma alimentação equilibrada. 

 

6. Não perca a esperança

Não guarde os seus sentimentos apenas para si; partilhe-os com amigos, familiares ou até com os profissionais de saúde. Além disso, confie na sua capacidade para lidar da melhor forma com situações adversas, assim como nos profissionais de saúde. Recorra a estratégias que habitualmente resultam consigo em situações difíceis.

 

Quando o isolamento chegar ao fim

Quando terminar o período de isolamento, poderá sentir um misto de emoções, entre as quais tristeza, raiva e alívio. Além disso, poderá também deparar-se com alguma dificuldade em conectar-se com “amigos e familiares, sobretudo aqueles que revelaram receio de contrair a doença por terem contacto” consigo, afirma a Ordem dos Psicólogos. Para ultrapassar este problema, a instituição sugere que “partilhe informação sobre a doença e o risco para os outros, de modo a acalmar possíveis medos e facilitar esse relacionamento”.