Narcolepsia

O que é?
Sintomas
Causas
Diagnóstico
Tratamento
Prevenção

A narcolepsia é uma doença neurológica caracterizada por episódios de hipersonolência diurna acompanhada de distúrbios do sono. É um tipo de hipersónia.

Corresponde a uma alteração neurológica em que o controlo do sono e da vigília estão afetados. Caracteriza-se por uma excessiva sonolência durante o dia, com episódios intermitentes e incontroláveis de adormecimento. Embora, em si mesma, não tenha consequências graves para a saúde, ela associa-se a sentimentos de receio e ansiedade e aumenta o risco de acidentes potencialmente fatais. Como tal, o seu impacto na qualidade de vida é muito significativo. O diagnóstico desta patologia é muitas vezes tardio e os doentes são rotulados com outras perturbações nomeadamente psiquiátricas ou neurológicas.

A sua prevalência na Europa é de três a cinco por 10 mil habitantes, sendo mais comum entre a segunda e a terceira décadas de vida. As manifestações da narcolepsia costumam ter um início precoce, no adolescente ou no jovem adulto, e tendem a permanecer durante toda a vida.

Na narcolepsia, os pacientes apresentam crises de sono em qualquer momento e só temporariamente conseguirão resistir ao desejo de dormir.

Esses episódios podem ocorrer durante qualquer tipo de atividade e a qualquer hora, mas é mais provável que as crises se apresentem em situações monótonas, como em reuniões pouco interessantes ou na condução prolongada em autoestradas.

O despertar deste sono narcoléptico é tão fácil como no sono normal. A pessoa pode sentir-se bem ao acordar e voltar a adormecer poucos minutos depois. Pode ocorrer uma ou várias crises por dia e cada uma delas não é muito prolongada, podendo durar uma hora ou menos.

Por vezes, ocorre paralisia momentânea sem perda da consciência (cataplexia) em resposta a situações emocionais bruscas. Nesses casos, as extremidades do paciente apresentam-se débeis, podendo largar o que está a segurar ou cair.

Outra manifestação da narcolepsia é a ocorrência de episódios esporádicos de paralisia do sono nos quais o paciente sente, imediatamente depois de acordar, que se quer mover mas não consegue, o que origina sentimentos de medo e ansiedade. Podem produzir-se alucinações visuais ou auditivas no início do sono ou, com menor frequência, ao despertar, que são semelhantes às do sono normal embora mais intensas. De um modo geral são poucos os pacientes com narcolepsia, cerca de 10%, que apresentam todos estes sintomas; a maioria refere apenas alguns.

A causa da narcolepsia é o deficit do neurotransmissor denominado orexina (também denominada de hipocretina) no hipotálamo. O deficit deste neurotransmissor leva à sonolência excessiva.

Esta perturbação costuma apresentar-se em pessoas com outros casos na família, o que sugere uma predisposição genética. Por outro lado, alguns exames revelaram a presença de anomalias em diversas regiões cerebrais nestes pacientes que podem contribuir para o desenvolvimento dos sintomas da narcolepsia. 

As causas secundárias mais comuns da narcolepsia são:

  • Traumatismos cranianos
  • Esclerose múltipla
  • Doença de Parkinson
  • Sarcoidose

Embora o diagnóstico seja geralmente baseado nos sintomas, é importante reforçar que a sua presença não traduz necessariamente a presença de narcolepsia. Os fenómenos de cataplexia, paralisia do sono e alucinações apresentam-se com frequência em crianças pequenas e, por vezes, em adultos saudáveis que não manifestam outras perturbações do sono. Se existirem dúvidas acerca do diagnóstico por parte do médico, o paciente pode ser enviado para um laboratório de estudo do sono. O registo da atividade elétrica do cérebro através de um eletroencefalograma pode contribuir para este diagnóstico. Antes de avançar para outros estudos, fazer uma monitorização objetiva e subjetiva do sono durante 1 semana (diário de sono).

A narcolepsia é uma doença na qual não se observam alterações estruturais no cérebro nem anomalias nas análises de sangue, pelo que esse tipo de exames não será útil.

Embora não exista cura para a narcolepsia, algumas alterações no estilo de vida podem ser úteis: deitar e acordar todos os dias à mesma hora; manter o quarto escuro, com uma temperatura agradável, com uma cama e uma almofada confortáveis; evitar cafeína, álcool e refeições pesadas antes de ir dormir; não fumar; tentar relaxar (banho quente, ler um livro) antes de adormecer; praticar exercício físico regularmente. Fazer pequenas sestas durante o dia em alturas de maior cansaço pode ser também benéfico.

É importante informar professores ou colegas da existência desta condição e, se necessário, tentar obter apoio psicológico para reduzir o stress associado à narcolepsia. Pode também ser mais seguro não conduzir.

Para o alívio da narcolepsia, são, por vezes, prescritos medicamentos estimulantes como a efedrina, anfetaminas, dextroanfetamina e metilfenidato. Todos estes fármacos devem ser submetidos a um controlo médico rigoroso quando se inicia o tratamento. A imipramina, um antidepressivo, é o medicamento de eleição no tratamento da cataplexia.

A narcolepsia não pode ser prevenida mas o tratamento pode reduzir o número de ataques. Por outro lado, é importante identificar e evitar todas as situações que possam desencadear as suas crises.

Fontes

Manual Merck, 2014

WebMed, 2014

National Institute of Neurological Disorders and Stroke, National Institutes of Health, 2014

Doenças relacionadas