Giardíase

O que é?
Sintomas
Causas
Diagnóstico
Tratamento
Prevenção

É uma infeção intestinal causada pelo parasita Giardia lamblia (também conhecida por G. intestinalis ou G. duodenalis). A transmissão ocorre habitualmente pela ingestão de águas contaminadas, havendo por vezes surtos em infantários e centros de dia. Como tem a sua origem na água, o contágio pode ocorrer em rios, lagos, em águas proveniente de fontes municipais, piscinas e jacuzzis. Ou também acontecer através de alimentos e pelo contacto direto com pessoas infetadas. É mais frequente em crianças e em doentes com VIH/SIDA, fibrose quística e outras formas de imunodeficiência.

Num trabalho realizado na região Norte de Portugal, em crianças com idades entre um e cinco anos, foi detetada uma taxa de infeção de 3,4%, por Giardia lamblia. Este tipo pode ocorrer em qualquer região do mundo, com especial incidência em áreas com más condições de higiene e de saneamento básico. Os principais grupos de risco são as crianças, as pessoas que lidam com elas e as populações sem acesso a água potável.

A doença pode ser assintomática ou manifestar-se nas formas agudas por diarreia (muito líquida e fétida), dor abdominal, náuseas e flatulência e, nas formas crónicas, por distensão abdominal, anorexia, fadiga, perda de peso e má-absorção que, por sua vez, é uma causa frequente de anemia ferropénica, a par da ingestão inadequada de ferro e das perdas hemáticas.

É importante reforçar que, mesmo na ausência de sintomas, uma pessoa pode albergar o parasita e transmiti-lo através das fezes. Os sintomas, quando ocorrem, surgem uma a duas semanas após a exposição ao parasita. Persistem durante duas a quatro semanas mas podem prolongarem-se ou haver recaídas. As complicações mais comuns são a desidratação, o atraso no desenvolvimento (no caso das crianças) e a intolerância à lactose que pode persistir após a cura.

Este parasita vive no intestino de animais e no ser humano. Ele pode permanecer aí durante meses sob a forma de quistos. Quando se libertam são eliminados pelas fezes.

A ingestão de água ou alimentos contaminados por esses parasitas pode desencadear a infeção. No caso dos alimentos, como regra, o contágio ocorre durante a sua manipulação sem o devido cuidado com a lavagem das mãos. Contudo, como o calor destrói o parasita, os alimentos cozinhados são uma fonte rara de giardíase nos países industrializados.

O contágio direto pode ocorrer, por exemplo, quando os pais mudam as fraldas aos filhos e estes estão infetados. Pelo mesmo motivo, os profissionais que trabalham em infantários estão mais expostos a este parasita. 

O seu diagnóstico faz-se pela deteção do parasita ou dos quistos de Giardia nas fezes por microscopia direta ou pela pesquisa no soro. Essa, para ser eficaz, deve ser repetida durante vários dias. É ainda possível analisar o aspirado de líquido ou fazer uma biópsia duodenal.

Nas crianças e adultos infetados mas sem sintomas, o tratamento não é necessário a menos que exista risco de transmissão.

A terapêutica deve ser prescrita a indivíduos sintomáticos, a portadores assintomáticos em que haja risco de contágio, a grávidas ou doentes com imunodeficiência. Os medicamentos mais utilizados são o tinidazol, o metronidazol ou o nitazoxanido. Este último existe em formulação líquida, útil para crianças.

Nenhum medicamento a pode prevenir. Assim, passa por medidas como lavar as mãos após o uso de instalações sanitárias, depois de se mudar uma fralda e antes de comer ou preparar alimentos. Se não existir sabonete e água, um desinfectante à base de álcool é uma boa alternativa.

Deve-se evitar o consumo de água de poços, lagos ou rios não filtrada ou não fervida (pelo menos durante dez minutos). Nas piscinas, não se deve engolir água potencialmente contaminada.

Quando se viaja para locais onde o abastecimento de água não é seguro, a alternativa é consumir sempre água engarrafada, utilizada também para lavar os dentes. Nesses locais, há que evitar o  gelo e comer fruta ou vegetais, mesmo que sejam descascados pelo próprio.

O uso do preservativo é uma forma fundamental de prevenção de diversas doenças sexualmente transmissíveis e, no caso do sexo anal, previne a infeção por Giardia.

Fontes

Mayo Foundation for Medical Education and Research, novembro de 2012

Joana Caetano1 e col., Giardíase Como Causa Pouco Frequente de Anemia Ferropénica, Rev Clin Hosp Prof Dr Fernando Fonseca 2013; 1(1): 45-48

Sofia Fernandes e col., Protocolo de parasitoses intestinais, Acta Pediatr Port 2012:43(1): 35-41

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