O que é?
Prevenção
Fatores de risco
Sintomas
A quem me devo dirigir?

As células epiteliais do fígado são as responsáveis pela constituição do tecido do fígado. No seu estado normal, estas células crescem e dividem-se em novas células, que são formadas à medida que vão sendo necessárias, este processo chama-se regeneração celular.

 

Quando as células perdem este mecanismo de controlo e sofrem alterações no seu genoma (DNA) tornam-se células de cancro. Estas não morrem quando envelhecem ou se danificam e produzem novas células, que não são necessárias, de forma descontrolada e dando lugar à formação de um cancro.

 

Ao contrário das células normais, as células de cancro do fígado não respeitam as fronteiras do órgão, invadindo os tecidos circundantes ou disseminando a outras partes do organismo. A este processo dá-se o nome de metastização.

Os doentes com cirrose, qualquer que seja a causa, devem fazer acompanhamento médico com avaliação laboratorial do marcador tumoral alfa fetoproteina e exames de imagem ao fígado.

Qualquer comportamento ou condição que aumenta o seu risco de ter uma doença é um fator de risco. Se um ou mais fatores de risco se aplicarem a si, não quer dizer que desenvolverá necessariamente cancro do fígado. Da mesma forma, o cancro do fígado pode aparecer em indivíduos que não apresentem fatores de risco conhecidos.

 

Ainda não foi possível encontrar as causas para o cancro do fígado, mas alguns fatores de risco são conhecidos. Os principais fatores de risco são:

 

  • Infeção por vírus hepatite B ou C;

 

  • Antecedentes familiares - ter um parente próximo com infecção por vírus de hepatite B e cancro do fígado;

 

  • Cirrose, que pode ser causada pelo consumo abusivo de álcool;

 

  • Obesidade;

 

  • Diabetes;

 

  • Consumo de alimentos colonizados por aflatoxina, substância produzida por um fungo que pode crescer nos alimentos como leguminosas e frutos secos que não foram corretamente armazenados.

Os sintomas de cancro do fígado não são exclusivos, podem aparecer noutras doenças. O facto de ter um ou mais dos sintomas aqui descritos não significa que tem cancro do fígado.

 

Deverá estar atento e consultar o seu médico se tiver os seguintes sintomas:

  • Aparecimento duma massa do lado direito do abdómen superior, abaixo das costelas
  • Dor ou desconforto do lado direito do abdómen superior, abaixo das costelas
  • Dor na omoplata direita
  • Perda de apetite ou sensação de enfartamento
  • Perda de peso sem razão
  • Náuseas
  • Vómitos
  • Icterícia
  • Fadiga sem razão aparente

Em caso de suspeita de cancro, devido a sintomas ou a um exame complementar de diagnóstico que apresente uma alteração, deve dirigir-se a um Gastrenterologista, a um Cirurgião Geral ou em alternativa, menos habitual, a um Oncologista.

Tumores Hipatobilio-pancreaticos (UDTI)

Subtipos do cancro do fígado:

 

Existem vários tipos de cancro do fígado:

  • Cancro do fígado primário - cancro com origem no fígado, pouco frequente;
  • Cancro metastático ou secundário - cancro que se disseminou ou espalhou para o fígado, mas que teve origem noutros órgãos.

 

Os cancros primários do fígado podem apresentar-se de vários subtipos:

  • Carcinoma hepatocelular (hepatoma ou hepatocarcinoma) - Estes cancro tem origem em células epiteliais que formam o fígado. O carcinoma hepatocelular é o tumor mais frequente do fígado dos adultos, e é o cancro do fígado abordado neste site;
  • Hepatoblastoma - Estes tumores pediátricos têm origem em células embrionárias do fígado;
  • Sarcomas do fígado - São tumores muito raros que têm origem em células do fígado que não são epiteliais, podem ser vasos, músculo ou tecidos de suporte.
Diagnóstico e Estadiamento
Diagnóstico

Num doente com história cínica e exame clínico suspeitos de cancro do fígado devem ser pedidas análises gerais ao sangue que incluem a avaliação da função do fígado e um marcador tumoral chamado alfa fetoproteína. Devem ser feitos exames de imagem que podem incluir ecografia, TAC e RMN.

 

O médico pode proceder a uma biopsia dos tecidos, ou seja, efectuar uma colheita de células do fígado para análise ao microscópio. A biopsia ao fígado pode ser realizada pela introdução de uma agulha fina pela pele até ao órgão, guiada por TAC ou ecografia. Alternativamente pode ser feita uma cirurgia laparoscópica, procedimento no qual o cirurgião introduz através de uma pequena incisão no abdómen um equipamento – laparoscopio – que contém uma ferramenta para remover parte do tecido do fígado

 

Só quando observado ao microscópio o material colhido em biopsia da massa do fígado suspeita é que é possível confirmar o diagnóstico dum cancro do fígado.

Estadiamento

Estadiamento

O estadiamento é o processo pelo qual nos certificamos se as células do cancro disseminaram a outras estruturas próximas ou mais distantes. A informação obtida pelo processo de estadiamento determina o estadio da doença, fundamental para o planeamento do tratamento.

 

Ao confirmar-se o diagnóstico de cancro do fígado, o passo seguinte consiste em proceder ao seu estadiamento, podendo ser solicitados os seguintes exames caso não tenham sido realizados para obtenção do diagnóstico:

  • TAC abdominal e torácica;
  • Ressonância magnética hepática;
  • Cintigrafia óssea;
  • Tomografia por emissão de positrões (exame PET).

 

Muitas vezes o estadiamento da doença só fica completo após a cirurgia de tratamento, pela análise ao microscópio pela Anatomia Patológica dos tecidos colhidos na cirurgia.

 

Com base nos exames de diagnóstico efetuados, o estadiamento do cancro do fígado pode ser classificado da seguinte forma:

Estadio I - Neste estadio há uma lesão no fígado e não invade vasos sanguíneos ou linfáticos;

Estadio II - Neste estadio temos uma de duas situações: não há uma lesão única e nenhuma das lesões tem mais de 5 cm ou, sendo um a lesão única, a mesma invade vasos sanguíneos ou linfáticos;

Estadio III - Neste estadio há várias lesões e uma delas tem mais que 5 cm, ou há invasão de gânglios linfáticos próximos ou da vesícula, ou dos grandes vasos próximos do fígado;

Estadio IV - Neste estadio o tumor espalhou-se para órgãos à distância.

 

Para o cancro do fígado há ainda uma forma mais simples de classificar a doença:

  • Doença localizada operável - Normalmente tratada por cirurgia;
  • Doença avançada localmente - Não pode ser unicamente tratada por cirurgia mas pode ser alvo de terapêutica cirúrgica;
  • Doença disseminada - Não deve ser operada.
Tratamento
Tendo em conta o estadiamento

Tendo em conta o estadiamento do cancro do fígado, a equipa clínica multidisciplinar avaliará o melhor tratamento a seguir.

O mesmo poderá incluir a cirurgia, radioterapia e a terapêutica sistémica.

  • Doença localizada operável - normalmente tratada por cirurgia
  • Doença avançada localmente – as opções de tratamento incluem a realização de cirurgia com transplante ou outras técnicas locais, a radioterapia e terapêutica sistémica;
  • Doença disseminada – as opções de tratamento incluem a terapêutica sistémica e eventualmente a radioterapia.
Procedimentos cirúrgicos

O procedimento cirúrgico para o cancro do fígado dá pelo nome de hepatectomia e consiste numa cirurgia abdominal que pode ser de duas naturezas:

  • Hepatectomia parcial - Nesta cirurgia remove-se parte do fígado que tem o cancro;
  • Hepatectomia total - Nesta cirurgia remove-se a totalidade do fígado e tem de se transplantar o fígado dum dador.

Nesta cirurgia devem ser retirados também amostras aos gânglios linfáticos.

Outras técnicas de tratamento

Existem outras técnicas locais usadas para tratar o cancro do fígado realizadas por cirurgiões, radiologistas de intervenção ou radioterapeutas:

  • Ablação por radiofrequência – procedimento que consiste na introdução de uma sonda que contém pequenos eléctrodos, para destruir as células de cancro através do calor. Geralmente o medico introduz a sonda por via cutânea, com recurso a uma anestesia local e pode ser necessário utilizar uma ecografia, ressonância magnética ou TAC para guiar a sonda até ao tumor;
  • Criocirurgia – procedimento que consiste na introdução de uma sonda para destruir as células de cancro através do frio;
  • Injeção de etanol na lesão – o médico introduz uma agulha fina guiada por ecografia, injectando álcool (etanol) directamente no tumor e destrói as células de cancro. Geralmente a agulha é introduzida por recurso a anestesia local, contudo se o doente apresentar vários cancros do fígado, poderá ser necessária anestesia geral;
  • Embolização – Este procedimento consiste na introdução de um cateter numa artéria da perna para chegar à artéria do fígado. Através do cateter o médico injecta partículas que bloqueiam o fluxo de sangue da artéria do fígado, provocando o enfraquecimento do tumor. O fígado continua a trabalhar normalmente uma vez que recebe o sangue por outros vasos;
  • Quimioembolização – este procedimento é similar à embolização, sendo que o médico injecta um medicamento de quimioterapia antes de introduzir as partículas que bloqueiam o fluxo de sangue da artéria do fígado. Sem fluxo de sangue, o medicamento mantém-se por mais tempo no fígado.
Radioterapia

O tratamento por radioterapia no cancro do fígado pode ser de duas naturezas:

  • Radioterapia externa – tratamento por radiação ao peito e abdómen, com recurso a um equipamento denominado acelerador linear;
  • Radioterapia interna – tratamento por radiação através da introdução de pequenas esferas radioactivas injectadas por cateter na artéria do fígado.Estas esferas bloqueiam o fluxo de sangue da artéria do fígado, provocando o enfraquecimento do tumor e levando a radioterapia de modo selectivo ao local afetado.
Tratamento sistémico

Relativamente à terapêutica sistémica em cancro do fígado, a quimioterapia clássica é pouco útil e usam-se terapêuticas dirigidas e biológicas cada vez mais frequentemente, nomeadamente a utilização de uma substância chamada surafenib. Este tipo de terapia abranda o crescimento do tumor e reduz o fluxo de sangue para o mesmo.

Follow-up

 

Os doentes que tiveram cancro do fígado poderão ser seguidos pelo oncologista ou pelo cirurgião no caso de terem sido operados, devem ser observados na consulta e os exames a pedir são exames de imagem e análises de sangue, consoante a decisão do clínico.

Cancro do fígado em números
1 386
casos/ano em Portugal
2,4%
de todos os cancros
2,4x
+ comum nos homens
60 anos
+ frequente nesta idade