Tosse convulsa

O que é?
Sintomas
Causas
Diagnóstico
Tratamento
Prevenção

A tosse convulsa (também conhecida por tosse coqueluche ou pertússis) é uma doença respiratória (da traqueia e brônquios) muito contagiosa, causada pela bactéria Bordetella pertussis.

O contágio da doença é feito através de gotículas respiratórias que a pessoa infetada expele quando tosse ou espirra. Pode também ocorrer pelo contacto com objetos contaminados com secreções de um doente.

Em 2018, ocorreram mais de 151 mil casos desta doença infecciosa aguda a nível mundial.

A tosse convulsa é mais perigosa para bebés e é uma causa significativa de doença e de morte neste grupo etário.

O período de incubação da tosse convulsa é de 7-10 dias, mas pode variar entre 5-21 dias.

Os sintomas da tosse convulsa são habitualmente moderados e semelhantes aos de uma constipação:

  • Corrimento nasal
  • Congestão nasal
  • Olhos lacrimejantes e vermelhos
  • Febre
  • Tosse

 

A tosse convulsa evolui por fases. A primeira é a fase catarral (com duração de 1-2 semanas), em que ocorre:

  • Inflamação e corrimento nasal
  • Tosse não produtiva
  • Febre baixa

 

Na segunda fase - a paroxística, que ocorre por 2-6 semanas -, a tosse agrava-se, é mais frequente à noite e pode piorar com o choro (no caso das crianças) e ingestão de alimentos. Pode ser acompanhada de cianose (coloração azulada da pele e dos lábios) e inchaço da língua. Além disso, o doente pode produzir um ruído característico da doença ao inspirar e a tosse pode até provocar o vómito.

Já na fase de convalescença (2-6 semanas), a tosse diminui progressivamente de intensidade e frequência. Desaparece também o ruído produzido ao inspirar e os vómitos.

Contudo, a tosse convulsa não se manifesta de igual forma em todos os doentes. Há pessoas que não desenvolvem ruído ao respirar. Há casos em que a tosse persistente é o único sinal de que um adolescente ou adulto podem estar infetados. Já os bebés, podem não ter tosse, manifestando apenas dificuldade respiratória ou até deixar de respirar subitamente.

As crianças vacinadas, adolescentes e jovens adultos podem ter apenas sintomas ligeiros, como tosse persistente.

Doentes com tosse convulsa são mais contagiosos até cerca de 3 semanas após o surgimento da tosse.

É caso para consultar o médico assistente se surgirem ataques de tosse prolongada e provocarem sintomas, como:

  • Vómitos
  • Coloração vermelha ou azul do rosto
  • Dificuldade respiratória
  • Ruído respiratório ao inspirar

 

Possíveis complicações

As complicações associadas à tosse convulsa são habitualmente efeitos secundários da tosse persistente, como:

  • Costelas partidas ou doridas
  • Hérnias abdominais
  • Rotura de vasos sanguíneos da pele ou dos olhos

 

A pneumonia é uma complicação relativamente comum. Já as convulsões e doença neurológica raramente ocorrem.

 

Nos bebés - sobretudo antes dos 6 meses de idade -, as complicações da tosse convulsa podem ser mais severas, incluindo:

  • Pneumonia
  • Respiração mais lenta ou paragem respiratória
  • Desidratação ou perda de peso devido a dificuldades na alimentação
  • Tonturas
  • Danos neurológicos

A tosse convulsa é causada pela bactéria Bordetella pertussis.

O contágio ocorre quando uma pessoa infetada espirra ou tosse, expelindo micróbios para o ar. Essas gotículas podem depois ser inaladas por outras pessoas, infetando-as.

O diagnóstico de tosse convulsa em fases mais precoces pode ser difícil porque os sinais e sintomas são muito semelhantes aos de outras doenças respiratórias, como constipações, gripes e bronquites.

Na maioria dos casos, o diagnóstico é feito através de observação clínica. Contudo, podem ser feitos testes para ajudar a confirmar o diagnóstico, como:

  • Recolha de exsudado nasofaríngeo
  • Análises ao sangue
  • Raio-x torácico

Em crianças mais velhas e adultos, o tratamento da tosse convulsa é habitualmente feito em casa e inclui a toma de antibióticos.

Uma vez que os bebés têm maior risco de complicações, é mais provável que precisem de tratamento hospitalar.

Se a criança não consegue ingerir líquidos ou alimentos, poderá ser necessário administrar fluidos intravenosos. O seu filho também poderá ser isolado das outras pessoas para evitar a transmissão da doença.

Os membros da família que tenham sido expostos à infeção poderão ter de fazer tratamento profilático com antibióticos.

O alívio da tosse é difícil. Os medicamentos de venda livre para a tosse têm poucos efeitos na tosse convulsa e não são aconselhados. Respeite sempre as indicações do médico assistente.

 

O que pode fazer em casa

Além do tratamento médico prescrito para a tosse convulsa, há algumas medidas que pode adotar em casa:

  • Descansar, de preferência num quarto escuro, fresco e sossegado.
  • Reforçar a ingestão de líquidos: água, sumo e sopa são boas opções para se manter bem hidratado. Esteja atento a possíveis sinais de desidratação nas crianças, como lábios secos, choro sem lágrimas e urinar com pouca frequência.
  • Fazer refeições mais leves. Este gesto é importante para prevenir vómitos associados à tosse.
  • Arejar a casa, mantendo o interior livre de agentes irritantes que possam agravar a tosse, como fumo de tabaco ou da lareira.
  • Praticar uma correta etiqueta respiratória, cobrindo o rosto sempre que tossir. Além disso, é importante lavar as mãos com frequência e usar máscara junto de outras pessoas.

A melhor forma de prevenir a tosse convulsa é através da vacinação.

A vacina pertussis é gratuita e está incluída no Programa Nacional de Vacinação (PNV), devendo ser administrada em cinco doses aos 2, 4, 6, 18 meses e 5 anos de idade.

As grávidas também devem ser vacinadas, entre as 20 e a 36 semanas de gestação, idealmente até às 32 semanas. A vacina combinada contra a tosse convulsa, o tétano e a difteria também está incluída no PNV.

 

Existem também medicamentos preventivos contra a tosse convulsa, que podem ser prescritos pelo seu médico assistente a alguns grupos específicos que tenham sido expostos à doença:

  • Profissionais de saúde
  • Grávidas
  • Bebés com menos de 12 meses
  • Doentes com um problema de saúde que aumente o risco de doença grave ou de complicações, como imunossupressão ou asma
  • Viver com alguém que tenha tosse convulsa
  • Viver com alguém com risco acrescido de desenvolver uma doença grave ou complicações devido a tosse convulsa
Fontes:

Mayo Clinic, janeiro 2021

Organização Mundial da Saúde, janeiro 2021

SNS 24, janeiro 2021