3ª dose da vacina da COVID-19 (dose de reforço):

Porquê e para quem?
COVID-19
Prevenção e bem-estar
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A diminuição da imunidade é uma das razões que motiva a administrar uma dose de reforço da vacina da COVID-19. Explicamos-lhe tudo.

Portugal começou já a administrar a dose de reforço da vacina contra a COVID-19 a alguns grupos mais expostos e mais vulneráveis da população. Mas o que explica a necessidade de dar uma dose de reforço, quando o esquema vacinal previa apenas duas doses ou, nalgumas marcas, apenas uma? São essencialmente dois fatores subjacentes a esta decisão: a circulação e infecciosidade (e consequente aumento dos casos) da variante delta e a diminuição dos níveis de imunidade decorrido algum tempo após terminado o esquema vacinal inicial.

 

Diminuição da imunidade

A investigação sobre a COVID-19 - um vírus recente e sobre o qual ainda estamos sistematicamente a aprender coisas novas - e sobre as vacinas é constante e novos dados têm demonstrado que a proteção que estas nos conferem contra o SARS-CoV-2 pode diminuir ao longo do tempo - cerca de seis meses após completar o esquema vacinal. Tendo esta informação como base, concluiu-se que a dose de reforço da vacina contra a COVID-19 pode maximizar o nível de imunidade e prolongar a sua duração.

Ainda não se sabe exatamente por que motivo os níveis de imunidade decrescem com o tempo, contudo, esta redução não significa que as vacinas não são eficazes. As vacinas contra a COVID-19 previnem a doença grave, a necessidade de hospitalização e até a morte.

Este menor grau de proteção da vacinação parece estar relacionado a outro aspeto que não está diretamente associado à maior ou menor eficácia da vacina, mas sim pela maior capacidade de infeção da variante delta do SARS-CoV-2.

No entanto, é importante ter em consideração que os níveis de imunidade não se medem apenas pelo número de anticorpos no sangue causados pela vacina relativamente a um determinado tipo de vírus. Existem outros fatores a ter em consideração, como a chamada imunidade celular.

 

Vantagens de uma dose de reforço

Os dados científicos obtidos até à data sugerem que a dose de reforço da vacina leva à produção de níveis de anticorpos que ultrapassam significativamente aqueles que são conferidos pelo esquema vacinal inicial (de uma ou duas doses iniciais, consoante a marca). Estas evidências sugerem, assim, que a dose de reforço pode ser benéfica do ponto de vista da prevenção da doença grave, da necessidade de hospitalização e também da morte em grupos mais vulneráveis.

A administração da dose de reforço é igualmente uma ferramenta importante para prevenir infeção e surtos em profissionais que, pelas suas tarefas, apresentam maior risco de exposição e de transmissão do SARS-CoV-2 a outras pessoas, sobretudo às mais vulneráveis.

 

Com que vacinas é feito o reforço?

A dose de reforço deve ser feita com uma vacina mRNA, independentemente da vacina que tenha tomado anteriormente. Esta deverá ser dada seis meses após a toma da última dose do esquema vacinal completo (seja de duas ou de uma dose).

Inicialmente, será administrada a grupos de maior vulnerabilidade à infeção por COVID-19, como profissionais de saúde e pessoas com mais de 65 anos, assim como indivíduos com idade igual ou superior a 18 anos que fizeram esquema vacinal de dose única.

 

Efeitos secundários da vacina

Os efeitos secundários que pode sentir após a toma da dose de reforço da vacina da COVID-19 são temporários e semelhantes aos registados após a administração da segunda dose:

  • Dor no local
  • Inchaço no braço
  • Febre
  • Dores corporais
  • Dor de cabeça
  • Fadiga

 

Habitualmente, os sintomas têm uma duração de 1-2 dias e ocorrem devido à resposta do nosso sistema imunitário à vacina.

 

Enquanto espera pela dose de reforço da vacina...

Sobretudo se já passaram seis meses desde que tomou as duas doses da vacina (ou uma, no caso das vacinas com esquema vacinal de dose única), há alguns cuidados que deve continuar a adotar:

  • Respeite a distância de segurança (pelo menos dois metros).
  • Use máscara.
  • Adote boas regras de higiene das mãos.
  • Cumpra as medidas de etiqueta respiratória, cobrindo o nariz e a boca com um lenço descartável ou com a dobra do cotovelo sempre que espirrar ou tossir.
Fontes:

Centers for Disease Control and Prevention, novembro de 2021

Cleveland Clinic, novembro de 2021

Direção-Geral da Saúde, novembro de 2021

Johns Hopkins Medicine, novembro de 2021

Publicado a 29/11/2021
Doenças