O que significa ter pólipos nos intestinos?

Cancro
Prevenção e bem-estar
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Os pólipos nos intestinos são comuns e, na maior parte das vezes, benignos. Mas por nem sempre ser assim, a deteção precoce e a sua remoção são uma prioridade.

Os pólipos são pequenas protuberâncias que surgem na parede interior dos intestinos, em especial no cólon (intestino grosso) e reto. Estas lesões são muito frequentes, sobretudo à medida que a idade avança, estimando-se que afetem cerca de 30 % da população com mais de 50 anos.

A maior parte dos pólipos no intestino são benignos, todavia, uma vez que resultam de uma proliferação anormal de células, causada por alterações genéticas, pode acontecer que alguns deles se tornem tumores malignos com o passar do tempo.

De acordo com a International Agency for Research on Cancer, o cancro colorretal é o segundo carcinoma que mais mortes causa, tanto em Portugal como no mundo. Por este motivo, e porque alguns pólipos podem degenerar, deve ser seguido o protocolo de deteção precoce e remoção de acordo com as recomendações médicas.

 

Porque se formam os pólipos no intestino e quem está em maior risco?

Quando a divisão celular se modifica, por alteração nos genes, verifica-se um crescimento anormal de células nos intestinos, tal pode dar origem à formação de pólipos.

Diversos fatores podem aumentar o risco de desenvolvimento de pólipos intestinais, estando sobretudo relacionados com o estilo de vida, a história pessoal e a predisposição genética.

 

Fatores relacionados com o estilo de vida

  • Alimentação pouco saudável, rica em gordura, com muitos alimentos processados e excesso de carne vermelha e pobre em fibras, cálcio, vegetais e fruta
  • Excesso de peso / obesidade
  • Tabagismo
  • Consumo excessivo de álcool
  • Sedentarismo

 

Fatores pessoais

 

As pessoas que já tiveram pólipos ou cancro colorretal, ou apresentam história familiar de alguma destas situações, devem seguir um protocolo de vigilância mais precoce, seguindo todas as indicações médicas quanto à frequência de consultas e realização de exames de diagnóstico - sobretudo a pesquisa de sangue oculto nas fezes e colonoscopia total.

 

Fatores hereditários

Síndromes hereditárias raras, caracterizadas por irregularidades genéticas, que se caracterizam pela proliferação anormal de pólipos, apresentam muito maior risco de vir a sofrer de cancro colorretal, pelo que a vigilância nestes casos deve ser extrema, com vista a detetar e tratar os pólipos o mais precocemente possível. Estão nesta situação as pessoas que sofrem de polipose adenomatosa familiar, da síndrome de Gardner ou da síndrome de Turcot, entre outras.

 

Tipos de pólipos

Existem dois tipos principais de pólipos: os não neoplásicos, que normalmente não se tornam malignos, e os neoplásicos, que mais facilmente podem evoluir para cancro. Estes últimos incluem os pólipos adenomatosos e os pólipos serreados. Os adenomatosos, ou adenomas, são os que apresentam maior probabilidade de se tornarem tumores malignos, se não forem detetados e tratados a tempo. Os pólipos serreados também podem tornar-se cancerosos, tendo em conta o seu tamanho e localização. Em regra, quanto maior é o pólipo neoplásico, tanto maior é o risco de cancro.

 

Quais são os sintomas?

A maioria dos pólipos intestinais é de pequena dimensão e não apresenta qualquer sinal ou sintoma, daí que, num grande número de casos, a sua presença seja apenas detetada durante a realização de um exame de diagnóstico - colonoscopia. Todavia, quando o tamanho do pólipo começa a ser significativo, há alguns sintomas que podem ocorrer:

  • Sangue nas fezes (devido a sangramento do pólipo), o qual pode ser detetado pela própria pessoa ou através de uma análise específica para o efeito - pesquisa de sangue nas fezes
  • Alteração dos hábitos intestinais (diarreia ou obstipação)
  • Dor ou desconforto abdominal
  • Anemia, provocada pela perda de sangue nas fezes, manifestando-se sobretudo através de cansaço, palidez

 

Na presença de algum destes sintomas, é importante procurar aconselhamento médico e ser investigada a possibilidade de se tratar de pólipos intestinais.

imagem de médico numa máquina médica

 

Como é feito o diagnóstico?

O médico poderá recomendar que seja feita uma colonoscopia, exame que não só permite a observação do cólon como também a realização de biópsias. Quando se detetam pólipos no decurso do exame, estes poderão ser removidos.

Outros exames que podem detetar pólipos intestinais são a sigmoidoscopia (exame que permite a visualização da parte final do intestino grosso), a colonografia por tomografia computorizada (exame radiológico para visualização do intestino) ou a TAC abdominal - estes exames apresentam limitações face à colonoscopia, razão por que este exame é o mais importante no rastreio e na deteção de pólipos e cancro colorretal.

Os exames endoscópicos como a colonoscopia total podem ser realizados sob sedação de modo a permitir o maior conforto e segurança do doente.

 

Como se tratam os pólipos no intestino?

Uma vez que existe o risco de os pólipos se tornarem tumores malignos, a recomendação clínica implica a sua remoção total. A maior parte dos pólipos encontrados durante a colonoscopia podem ser completamente removidos no decurso do próprio procedimento, através de uma ressecção de pólipos - designada por polipectomia - sem dor ou desconforto para o doente.

Alguns pólipos apresentam características que inviabilizam a remoção endoscópica simples, nomeadamente, quando têm uma grande dimensão. Nestes casos, há indicação para outras técnicas, como a mucosectomia ou cirurgia.

Depois da remoção dos pólipos, estes são enviados para análise - anatomia patológica -, o que permitirá saber se foram completamente removidos, se há risco de voltarem a desenvolver-se, e se apresentam malignidade.

Em regra, os doentes submetidos à remoção de pólipos intestinais ficam sob vigilância, que pode consistir na realização de colonoscopias regulares. A frequência da realização deste exame é determinada pelo número e tamanho dos pólipos encontrados, bem como pelo resultado da biópsia levada a cabo.

Fontes

American Society for Gastrointestinal Endoscopy, junho de 2023

Cleveland Clinic, junho de 2023

Direção-Geral da Saúde, junho de 2023

Gago, T. et al. (2017), “Pólipos colo-rectais e sua importância clínica”, Revista Portuguesa de Coloproctologia, Vol. 14, n. 2. pp. 50-60., junho de 2023

International Agency for Research on Cancer, junho de 2023

Mayo Clinic, junho de 2023

National Health Service, junho de 2023

National Institutes of Health, junho de 2023

Sociedade Portuguesa de Endoscopia Digestiva, junho de 2023

Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia, junho de 2023

Publicado a 20/09/2023