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2. Tuberculose
 
 

 # Tuberculose

 

 

 



 

## O que é?

A tuberculose é causada pela bactéria *Mycobacterium tuberculosis*, também conhecida como Bacilo de Koch. Esta infeção transmite-se de pessoa para pessoa por via aérea e, por isso, apenas são contagiosas as pessoas com tuberculose pulmonar ou laríngea. Cada vez que um destes doentes tosse, espirra ou fala, liberta pequenas gotículas que transportam o bacilo de Koch.

A tuberculose continua a ser um dos maiores problemas mundiais de saúde pública. Ainda hoje morrem mais pessoas por tuberculose do que por qualquer outra doença infeciosa curável. Por estes motivos a Organização Mundial de Saúde declarou esta enfermidade como emergência médica.

Estima-se que surjam nove milhões de novos casos por ano e que, destes, 1,8 milhões acaba por morrer. Estes números são particularmente chocantes se considerarmos que estamos perante uma doença curável, cujo tratamento é acessível e barato.

Na Europa existem cerca de 500 mil tuberculosos, adoecem diariamente cerca de mil pessoas e morrem, por ano, cerca de 40 mil.

Em Portugal, foram declarados em 2012 2.480 casos de tuberculose, o que representa uma redução de 6,1% em relação a 2011. O sucesso do tratamento na tuberculose pulmonar tem vindo a descer, atingindo valores inferiores a 85% desde 2010.

Embora possa afetar qualquer pessoa, atinge sobretudo os mais vulneráveis, idosos e crianças, marginalizados e reclusos. Apesar da existência de tratamento, é frequente surgirem resistências que estão a aumentar na região Europeia. Como tal, tem vindo a verificar-se uma redução gradual no sucesso terapêutico.

Atualmente, já é possível diagnosticar a tuberculose e testar a resistência a alguns medicamentos em pouco mais de uma hora e meia, mas esses testes não estão ainda disponíveis em todos os países.

## Sintomas de tuberculose

Na grande maioria dos casos manifesta-se no pulmão, uma vez que o contacto inicial do bacilo com o organismo é feito por via inalatória. No entanto podem ser atingidos outros órgãos, como os gânglios, meninges, pericárdio, ossos, rins, pele ou intestinos. Estas formas de tuberculose não são, em regra, contagiantes.

Esta doença tem habitualmente uma apresentação clínica discreta, evoluindo sem que o paciente se aperceba ao longo de dias, semanas ou mesmo meses. As queixas mais comuns são:

- Cansaço;
- Falta de apetite;
- Emagrecimento;
- Suores noturnos;
- Febres baixas (37,5ºC) ao final do dia.
 
Podem existir outras manifestações em função dos órgãos envolvidos. No caso da tuberculose pulmonar, a mais comum, é a tosse, seca ou com expetoração, podendo conter sangue.

Os sintomas são mais graves, mais difíceis de diagnosticar e de tratar nos doentes com menores defesas imunitárias.

## Causas

A inalação de ar com bacilos que vão alcançar e depositar-se nos pulmões. A partir desse momento, ou as defesas do organismo conseguem eliminá-los e não ocorre doença ou as bactérias ultrapassam essas barreiras e a infeção instala-se. Há ainda situações em que o bacilo não é eliminado, mas é mantido inativo durante anos ou, mesmo, a vida toda. Estes indivíduos estão saudáveis e não são contagiosos, mas têm uma probabilidade de 10% de vir a ficar doentes em algum momento da sua vida, sendo esse risco maior nos dois anos a seguir à infeção (tuberculose latente).

As gotículas com o bacilo são invisíveis a olho nu e podem ficar em suspensão no ar durante várias horas, particularmente se o indivíduo estiver num local não ventilado. A probabilidade de se ser infetado depende do número de gotículas infeciosas no ar, do tempo e local de exposição e da suscetibilidade da pessoa exposta a esse ambiente.

Sendo a tuberculose uma doença de transmissão inalatória, há que evitar contactos respiratórios próximos não protegidos com pessoas que têm tuberculose em fase contagiosa, sobretudo se não estiverem a tomar medicação. Se tal não for possível, deve-se tentar que os locais de contacto sejam arejados e expostos à luz solar, pois o bacilo é muito sensível aos raios ultravioleta. Em locais não ventilados é obrigatório utilizar máscara.

Habitualmente, se o doente tomar a medicação conforme a prescrição do médico, ao fim dos primeiros 15 dias começa a reduzir o risco de contágio.

## Diagnóstico da tuberculose

Existem dois tipos de testes de triagem para a tuberculose:

- Teste cutâneo de tuberculina de Mantoux;
- Exame de sangue.
 
No primeiro caso, é injetada sob a pele do antebraço uma pequena quantidade de uma substância chamada tuberculina. Após dois a três dias, é feita uma avaliação e, se houver uma reação cutânea com vermelhidão e uma pápula que se mede, considera-se que a pessoa teve contacto com o bacilo da tuberculose. Testes adicionais de sangue são necessários para determinar se o indivíduo tem uma tuberculose latente ou se tem a doença em curso. Para determinar se uma infeção está ativa ou se os pulmões estão infetados fazem-se exames de expetoração e de líquido pulmonar, RX e tomografia computadorizada torácica.

## Tratamento da tuberculose

O tratamento da tuberculose é feito com medicamentos administrados por via oral (comprimidos, cápsulas ou xarope). A duração mínima da terapêutica é de seis meses, variando em função do órgão envolvido, evolução ou gravidade da doença, podendo ser superior a um ano. O tratamento correto permite a cura em mais de 95% dos casos. É fundamental o cumprimento rigoroso da medicação, de modo a evitar-se o desenvolvimento de resistências.

A maioria das situações é tratada em regime de ambulatório, sem necessidade de internamento. Este justifica-se em casos de doença mais grave ou para doentes sem condições sociais / psicológicas para evitar o contágio ou manter o cumprimento da medicação prescrita.

## Prevenção

É importante o rastreio dos contactos próximos dos doentes com tuberculose (principalmente pulmonar ou das vias aéreas superiores). Além de possibilitar a deteção de novos casos, permite também diagnosticar os casos latentes e tratá-los.

A vacina BCG (bacilo de Calmette-Guérin) tem utilidade na prevenção das formas graves e disseminadas na criança, apesar de não evitar o contágio ou mesmo o desenvolvimento de doença. Todos os recém-nascidos devem ser vacinados. A revacinação ao longo da vida não aumenta o grau de proteção não sendo, por isso, aconselhada.

 

 

 





Fontes:

Administração Regional de Saúde do Norte, I.P.

*Centers for Disease Control and Prevention*, 2013

*European Centre for Disease Prevention and Control* (ECDC), 2013

Fundação Portuguesa do Pulmão



 



 

 



 

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 Cecília PardalEspecialidade

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Áreas de Diferenciação

 Competência em Medicina do Viajante e no controlo de infeção e uso racional de antibióticos, PrEP (Profilaxia Pré-exposição), Infeção por VIH, Infeção em Imunomodulação - avaliação de risco de infeção, Hepatites víricas, Medicina Tropical, Medicina do viajante, Tuberculose, Zoonoses, Infeções sexualmente transmissíveis, Infeções associadas aos cuidados de saúde, Controlo de infeção hospitalar 



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