##  [Síndrome de Guillain-Barré](/saude-a-z/sindrome-de-guillain-barre) 

 
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2. Síndrome de Guillain-Barré
 
  

 # Síndrome de Guillain-Barré

 

 

 



 

## O que é?

A síndrome de Guillain-Barré é uma doença autoimune rara que pode levar à danificação da mielina, camada isolante dos nervos (desmielinização), ou, nos nervos periféricos, à degeneração dos axónios - a parte do nervo responsável pela condução dos impulsos nervosos. Sendo uma doença autoimune, não se conhece totalmente a razão da sua ocorrência.

Os principais sintomas são o formigueiro e a falta de força nas mãos, pés e pernas e, se houver uma evolução deste quadro, pode chegar-se mesmo à paralisia dos músculos de todo o corpo e à incapacidade de respirar.

Isto significa que a síndrome de Guillain-Barré é, no seu estado mais severo, uma emergência hospitalar e requer internamento na unidade de cuidados intensivos para tratamento.

A Síndrome Guillain-Barré pode afetar qualquer pessoa, de qualquer idade ou sexo, embora seja mais frequente em adultos e idosos do que em crianças. Estima-se que afete uma em cada 100 mil pessoas, por ano, e, embora não exista uma cura, o tratamento desta síndrome oferece uma recuperação total à maioria dos doentes.

## Sintomas da síndrome de Guillain-Barré

Os sintomas da síndrome de Guillain-Barré iniciam-se habitualmente como ligeiros, pela sensação de formigueiro nos membros - mais habitualmente nas pernas. A evolução dos sintomas pode levar horas, dias ou semanas e nos casos mais graves causar paralisia total dos músculos.

Entre os sintomas incluem-se:

- Formigueiro nas mãos, pés, dedos, tornozelos e pulsos.
- Paralisia flácida, ou seja, paralisia ou fraqueza muscular e perda do tónus muscular sem razão aparente.
- Arreflexia, isto é, ausência de reflexos.
- Dificuldade em andar e subir escadas ou instabilidade na forma de andar.
- Dificuldade em realizar movimentos faciais, como mastigar e engolir ou falar.
- Incapacidade de mexer os olhos ou visão dupla.
- Incontinência ou problemas em controlar a bexiga e o sistema intestinal.
- Dificuldade em respirar.

A morte de uma pequena percentagem de doentes numa fase inicial da doença deve-se a falência dos órgãos ou a disautonomia, situação em que há um descontrolo das funções dos órgãos vitais (por exemplo, os batimentos cardíacos, controlo de temperatura, *etc*). As causas de morte em estádios tardios do desenvolvimento da doença surgem habitualmente na sequência de complicações relacionadas com a imobilização prolongada e infeções bacterianas.

## Causas

A causa não é completamente conhecida e descreve-se como autoimune. No entanto, dois terços dos pacientes com esta síndrome tiveram, nas seis semanas anteriores, uma infeção (por exemplo, respiratória, gastrointestinal, pelo vírus Zika ou pelo vírus da COVID-19).

Em casos raros há uma relação entre o aparecimento da doença e a toma de uma vacina. Nestes casos, os sintomas aparecem algumas semanas depois da vacinação, no entanto, as evidências mostram que é mais provável (dentro da prevalência rara desta síndrome) desenvolver esta síndrome a partir de uma gripe do que a partir da vacinação contra a gripe.

## Diagnóstico

O diagnóstico depende sobretudo da avaliação clínica. Sendo os sintomas semelhantes aos de outras doenças (como botulismo, poliomielite, neuropatias metabólicas, entre outras), podem ser realizados exames para excluir doenças infecciosas e disfunção imunitária (exames para hepatites, HIV).

A análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) também é importante, uma vez que os doentes com síndrome de Guillain-Barré apresentam maiores índices de proteína e menos glóbulos brancos neste líquido do que o normal — este dado pode só tornar-se relevante nos dez dias seguintes ao início dos sintomas.

A eletromiografia também é um exame fundamental no diagnóstico da síndrome de Guillain-Barré, mas pode apresentar resultados normais numa fase inicial. Com a evolução do quadro clínico, a eletromiografia deve apresentar uma lentificação da condução nervosa e um aumento da latência ou mesmo ausência de respostas.

A suspeita diagnóstica de síndrome de Guillain-Barré implica o internamento do paciente e a realização de exames de condução nervosa e eletromiografia (eletrodiagnósticos). Neste exame constata-se que os reflexos dos joelhos e, por vezes, dos braços deixam de existir porque os sinais nervosos que percorrem os nervos estão lentos.

## Tratamento da síndrome de Guillain-Barré

Há tratamentos eficazes para a síndrome de Guillain-Barré, embora uma recuperação total possa ser prolongada. No entanto, 80 a 85% dos pacientes consegue recuperar totalmente.

A monitorização constante do doente e o suporte das funções vitais são importantes e, sendo assim, o acompanhamento do doente é feito, regra geral, nos cuidados intensivos. Podem ser utilizados no tratamento:

- **Imunomodulação,** ou seja, administração de imunoglobulina endovenosa. Se feita precocemente produz um efeito benéfico até um mês após o início da doença. A presença de mais imunoglobulina no sangue leva a uma diminuição da agressão do sistema imunitário ao sistema nervoso. A vantagem da imunomodulação, em relação à plasmaferese, está na maior facilidade de aplicação, sendo um procedimento menos invasivo.
- **Plasmaferese**, ou seja, a separação da componente líquida e sólida do sangue para substituição da componente líquida do sangue. A opção por este tratamento é normalmente feita quando a administração de imunoglobulina não foi eficaz. A remoção e substituição do plasma desacelera a evolução da doença, reduz o tempo de internamento, a taxa de mortalidade e a possibilidade de paralisia permanente.

Com a estabilização do doente, a fisioterapia desempenha um papel importante para um refortalecimento dos músculos, evitando ou minimizando as sequelas. Mesmo durante o internamento, inicia-se um trabalho de terapia física desenvolvido pelos médicos e equipa de fisioterapia que envolve, por exemplo, mudar a postura e posição dos membros e mover as articulações manualmente, para evitar sequelas maiores. Na recuperação após o internamento permite recuperar qualidade de vida após a doença.

## Prevenção

Não se conhecendo completamente a causa da síndrome de Guillain-Barré, não há uma prevenção, mas é importante frisar que, com os primeiros sintomas, é fulcral consultar um médico, para que a doença não evolua para um estado grave.



 

 





Fontes:

*Centers for Disease Control and Prevention*, novembro de 2022

*Mayo Clinic*, novembro de 2022

Manual MSD, novembro de 2022

*National Institute of Neurological Disorders and Stroke*, novembro de 2022



 



 

 



 

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