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2. Insuficiência renal
 
 

 # Insuficiência renal

 

 

 



 

## O que é?

A insuficiência renal é uma doença provocada pela diminuição progressiva da função renal.

O sangue entra nos rins através das artérias renais e passa para os nefrónios que funcionam como pequenos filtros. Existe cerca de um milhão em cada rim. É aí que são filtrados do sangue, o excesso de água e os produtos tóxicos que se formam no organismo. O sangue “limpo” regressa à corrente sanguínea através das veias renais. As toxinas excretadas e o excesso de líquidos acumulam-se na bexiga sob a forma de urina. Quando a bexiga enche, a urina é eliminada do organismo. Se os rins adoecem, reduz-se a sua capacidade de retirar as toxinas e a água que se acumulam no organismo e surge a insuficiência renal.

Os doentes com insuficiência renal crónica sofrem uma perda lenta e progressiva das funções dos rins, ou seja, da sua capacidade em eliminar as substâncias tóxicas produzidas pelo organismo, de manter adequadamente a água e os minerais do organismo, e de fabricar hormonas.

Inicialmente, o corpo adapta-se e vai compensando essa perda de função, pelo que os sintomas só se manifestam numa fase muito avançada. Frequentemente, os primeiros sinais estão relacionados com a anemia, típica nos doentes com insuficiência renal. Quando a função renal se reduz a 10% a 15%, não é possível viver sem um tratamento de substituição, isto é, a diálise ou a transplantação renal.

A insuficiência renal tende a afetar ambos os rins. De facto, um único rim é suficiente para manter uma função completamente normal. Pode ser aguda, quando aparece de forma brusca, tendendo normalmente a recuperar, e crónica, quando a sua falência se produz de forma lenta e progressiva, com menores possibilidades de recuperação.

Em Portugal, estima-se que 800 mil pessoas sofram de doença renal crónica e que existam cerca de 16 mil insuficientes renais, incluindo aqueles que já receberam um transplante renal. Todos os anos surgem mais de dois mil novos casos de doentes em falência renal e cerca dois mil aguardam em lista de espera a possibilidade de um transplante renal.

## Sintomas

O rim é um órgão com grande reserva funcional, capaz de se adaptar à perda progressiva da sua função. Isto significa que os sintomas só aparecem quando a diminuição da sua função é muito grande. Um doente crónico pode estar sem sintomas até que a função renal esteja de 15% a 20%. No entanto, esta situação não quer dizer que não se deva recorrer ao médico imediatamente. Um diagnóstico mais precoce permite atrasar a progressão da doença e manter uma boa qualidade de vida.

O cansaço progressivo, a debilidade generalizada e a fadiga ao realizar esforços pequenos ou moderados são alguns dos sintomas que aparecem inicialmente. Eles resultam da anemia, habitual na insuficiência renal. Noutros casos, ocorrem insónias que implicam o recurso a medicação. Numa fase mais avançada, surgem sintomas digestivos, como a perda de apetite, náuseas e vómitos.

Quando existe insuficiência renal, produz-se uma maior tendência para acumulação de líquidos (edemas), mais abundantes nas pernas no final do dia e na face nas primeiras horas da manhã, ao acordar. O aumento da pressão arterial é muito frequente, ocorrendo em cerca de 90% dos doentes nas fases avançadas. Pode ainda haver necessidade de se levantar durante a noite para urinar várias vezes (nictúria) ou de dormir com várias almofadas para melhorar a respiração. Alguns pacientes têm ainda prurido generalizado na pele e esta tende a ficar mais seca e pálida. Outros sintomas, menos frequentes, incluem as alterações menstruais em mulheres jovens e uma tendência para as hemorragias na pele ou perdas de sangue pelo aparelho digestivo.

Na insuficiência renal aguda, em que os rins deixam de funcionar de forma súbita, os sinais são incluem:

- Retenção de líquidos
- Hemorragias internas
- Confusão
- Convulsões
- Coma
 
## Causas

Existem diversas doenças que podem causar ou contribuir para a insuficiência renal. Para muitas, se existir um diagnóstico precoce e um tratamento adequado, é possível evitar essa evolução. As glomerulonefrites, as pielonefrites, os rins poliquísticos, a diabetes e a hipertensão arterial são as suas causas mais comuns se não forem devidamente controladas. A diabetes é, aliás, uma causa frequente de insuficiência renal crónica, bem como de outras complicações graves a nível vascular ou ocular, e neurológico. As doenças renais vasculares são, muitas vezes, devidas à evolução prolongada da hipertensão arterial. Também pode ocorrer na sequência de uma anomalia das vias urinárias ou de um obstáculo nas vias urinárias (por exemplo, um cálculo), ou de uma infeção crónica. O abuso de medicamentos tóxicos para os rins tende igualmente a conduzir a uma insuficiência renal crónica. Os fármacos mais frequentemente envolvidos são os analgésicos e os anti-inflamatórios, utilizados indevidamente e durante longos períodos de tempo.

## Diagnóstico

O diagnóstico é feito mediante a realização de análises ao sangue e urina que permitem avaliar a função renal. São também importantes exames que avaliem o estado geral do organismo e que ajudem a compreender a causa da insuficiência renal. Entre as análises destacam-se a creatinina e a depuração da creatinina, muito úteis para se medir a função renal. O grau de anemia mede-se a partir do hematócrito e dos níveis de hemoglobina. É relevante saber os níveis de cálcio e de fósforo, de modo a se prevenirem problemas nos ossos. Nos doentes diabéticos é necessário fazer um controlo rigoroso dos níveis de glucose. As análises de urina possibilitam valorizar as perdas de proteínas (proteinúria) existentes em alguns doentes, bem como a eliminação de sal e de outros produtos.

## Tratamento

O tratamento permite corrigir os problemas resultantes do mau funcionamento dos rins e evitar que se produza a insuficiência renal ou, se esta já existe, atrasar ou deter o seu avanço. Inclui o regime alimentar e a medicação. Com a dieta ajuda-se a controlar a tensão arterial e diminui-se a acumulação de substâncias como a ureia, o fósforo ou o potássio, que os rins doentes não conseguem eliminar em quantidade suficiente. A medicação ajuda a controlar a tensão arterial, a fornecer as hormonas que o rim não é capaz de produzir ou para aliviar sintomas que possam aparecer, como os vómitos e ou o prurido.

Existem recomendações gerais, válidas para a população em geral, como manter um peso adequado, evitar o tabaco e o álcool ou praticar regularmente exercício físico.

A quantidade de líquido que se deve beber varia consoante a quantidade de urina que se elimina diariamente. Há doenças renais em que se urina muito e é necessário beber muita água. Noutras, a quantidade é pequena e há que diminuir a ingestão de líquidos para que estes não se acumulem. Quando a tensão arterial é alta, deve eliminar-se o sal e evitar alimentos que o contenham. É também importante controlar o teor em proteínas, potássio, gorduras e açúcar de modo a ajustá-los às necessidades do paciente.

A anemia, os problemas ósseos e outras doenças devem ser devidamente estudados e controlados. O cálcio e a vitamina D podem ser úteis em algumas situações.

A hemodiálise é o método pelo qual o sangue do doente é levado, através de um circuito extracorporal, a uma membrana artificial semipermeável pela qual são removidos os tóxicos que se encontram acumulados no sangue. Uma sessão de hemodiálise dura em média quatro a cinco horas e realiza-se, geralmente, três vezes por semana. Pode ser feita num estabelecimento hospitalar ou em casa do paciente.

A diálise peritoneal processa-se dentro do abdómen, através da membrana que envolve o intestino (peritoneu). O líquido é colocado e drenado por um tubo que é colocado no abdómen e nele permanece, permitindo o seu uso continuado. Esta técnica permite também a extração do excesso de líquido e toxinas acumuladas no sangue e vai-se repetindo de forma cíclica.

O transplante renal está indicado nas formas mais avançadas de insuficiência renal.

## Prevenção

A prevenção da insuficiência renal passa pelo diagnóstico precoce e tratamento adequado das condições que a podem causar, como as doenças renais, os cálculos, as infeções, a hipertensão arterial e a diabetes.

Um uso correto dos medicamentos, sempre sob supervisão médica, é muito importante porque esta é uma causa possível de insuficiência renal.

Uma adequada proteção dos rins passa ainda por uma dieta equilibrada, com pouco sal e gordura, pelo exercício físico regular, por evitar o tabaco, restringir o consumo de álcool e por uma avaliação médica periódica.

 

 

 





Fontes

Urology Care Foundation, Março de 2013

Plataforma de Gestão da Doença Renal Crónica, Ministério da Saúde, 2013

Associação Portuguesa de Insuficientes Renais

The Renal Association, 2013

American Kidney Fund, 2013

Portal da Diálise, Dezembro de 2012



 



 

 



 

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