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2. Fraturas do ombro
 
 

 # Fraturas do ombro

 

 

 



 

As fraturas do ombro ocorrem após um traumatismo. Conforme a qualidade do osso a fratura pode resultar de traumatismos de menor ou maior intensidade. Queremos dizer que em doentes com osteoporose um pequeno traumatismo como seja uma queda em casa pode levar a uma fratura.

As fraturas mais frequentes são as **fraturas da clavícula**. Estas podem ser classificadas de acordo com a sua localização na clavícula e também de acordo com o tipo de “traço” de fratura. A decisão do melhor tipo de tratamento toma em conta a além destas características o facto de os fragmentos fazerem procidência na pele, de haver compressão de alguns dos nervos que vão para o braço e ainda o facto de haver um encurtamento (sobreposição dos fragmentos) superior a 2cm. Tudo o que o seu médico necessita para tomar uma decisão é a observação clínica e um exame radiográfico que pode ou não ser efetuado com o dispositivo de imobilização.

Se optar pelo tratamento não cirúrgico (conservador) a imobilização mais comum é aquilo que se chama um “cruzado posterior” que deverá ser utilizado cerca de 3 a 4 semanas. Em fraturas do 1/3 externo da clavícula a imobilização a utilizar deve estabilizar o ombro e suportar o braço pelo que dispositivos tipo “Gerdy” estão mais indicados. Após o período de imobilização pode não ser visível calo ósseo na radiografia pois nesta fase apenas está formado um calo fibroso e portanto não visível nas radiografias. Aqui a dor que o doente tem é um bom indicador de estabilidade do foco de fratura pelo que quanto menor esta for, maior a probabilidade de a consolidação estar a decorrer. Pelas 4 semanas os dispositivos de imobilização podem ser progressivamente retirados e o processo de cura estará concluído pelas 12 semanas. Se não houver consolidação pode haver necessidade de uma intervenção cirúrgica nesta fase, justificada pela manutenção das dores e das crepitações no foco de fratura. Nestas situações é por vezes necessário recorrer a enxerto ósseo retirado do ilíaco (osso da bacia) para assegurar as melhores condições biológicas para a consolidação.

Nos doentes em que a decisão operatória é tomada na fase inicial pelos pressupostos já referidos o nosso tratamento de eleição é a fixação com placa e parafusos dos fragmentos. Esta opção dá uma alta percentagem de consolidações e permite uma mobilização precoce do ombro afetado. Tem como principal desvantagem o facto de por vezes haver necessidade de retirar a placa depois da fratura consolidada pois como a clavícula está praticamente debaixo da pele a placa e parafusos podem incomodar. Os doentes operados utilizam um suporte de braço para conforto nas duas primeiras semanas mas podem efetuar tarefas simples do dia a dia como lavar-se, vestir-se, alimentar-se e utilizar o computador. A condução deve estar limitada até às 3 semanas.

As **fraturas da extremidade proximal do úmero** são mais frequentes nas mulheres de meia-idade e com osso osteoporótico. No entanto são também comuns em indivíduos mais novos e sobretudo associadas a determinadas atividades como a prática de bicicleta de montanha, esqui e motociclismo. Estas fraturas podem estar ou não associadas à luxação do ombro, a lesões dos nervos ou mesmo a lesões arteriais. Para fazer um diagnóstico correto fazemos exames radiográficos em várias orientações em geral com controlo de radioscopia. O recurso a outras técnicas de imagem como a TAC e a ressonância magnética é muito rara. A radiografia é suficiente na maioria dos casos para caracterizar a fratura de acordo com o número de fragmentos, a sua separação e a sua angulação. Outro fator imprescindível a ter em conta é a viabilidade da cabeça umeral. Isto porque determinados tipos de fratura podem lesar a circulação sanguínea que se destina à cabeça do úmero e, apesar de ser possível conservá-la, o risco de esta sofrer um processo de necrose (morte) progressiva com a concomitante deformação tem de ser considerado.

De acordo com os exames radiográficos, a qualidade do osso, o tempo decorrido desde a fratura, a sua faixa etária, doenças de que sofre e o risco de necrose da cabeça umeral o nosso grupo decide qual o melhor tratamento para a sua situação. Quando nos decidimos por um tratamento não cirúrgico pode não querer dizer que os fragmentos estão todos numa posição ideal e que não se esperam pequenas alterações da função mas sim, que os benefícios que iria ter com uma intervenção cirúrgica, não a justificam face aos riscos inerentes a todas as cirurgias.

Se o tratamento conservador for a opção estará imobilizado cerca de 3 a 4 semanas com um dispositivo tipo Gerdy podendo retirá-lo para efectuar a sua higiene. Ao fim deste período inicia um programa de fisioterapia que se poderá prolongar até aos 3 meses.

Se houver necessidade de um tratamento cirúrgico (ver indicações pré-operatórias) é provável que fique internado 2 ou 3 dias. Na grande maioria dos casos o tratamento cirúrgico consiste na fixação dos fragmentos da fratura na sua posição correta original e com um dispositivo (placa e parafusos) que pela sua estabilidade permita uma mobilização e utilização precoce. Este facto diminui a rigidez pós cirúrgica e permite uma recuperação dos tecidos moles (músculos) ao mesmo tempo que a fratura consolida. Nalguns casos, as características da fratura e/ou o risco de necrose da cabeça umeral, tornam impossível a sua reconstrução e fixação. Nestes casos os melhores resultados são obtidos com a colocação de uma prótese do ombro, que substitui a cabeça e à volta da qual são fixados os outros fragmentos ósseos.

Os resultados do tratamento das fraturas da extremidade proximal do úmero dependem de fatores do próprio doente como a idade, existência de doenças concomitantes e qualidade do osso, mas também de fatores inerentes às características da própria fratura como já foi dito. Na maioria dos doentes a função readquirida permite uma atividade de vida diária ajustada às várias faixas etárias sem limitações.

As **fraturas do úmero** advêm de traumatismos violentos como os acidentes de viação ou associados a desportos motorizados, podendo no entanto em pessoas de idade, ocorrer com traumatismos de menor intensidade. Caracterizam-se por defeitos angulares e rotacionais do braço e podem estar associadas a paralisia do nervo radial o qual tem no seu percurso um trajeto muito próximo do úmero. Esta complicação traduz-se pela incapacidade de puxar o punho para trás e de estender polegar do lado afetado. Deve dizer-se que a grande maioria (&gt;90%) destas paralisias são transitórias, recuperando completamente, podendo no entanto, o período de recuperação estender-se até aos 6 meses. Quer a paralisia seja pré tratamento quer após o tratamento cirúrgico, não é necessário fazer nenhum exame electromiográfico antes das 3 semanas. Este confirma o diagnóstico que já fizemos clinicamente e serve-nos de padrão comparativo para exames subsequentes mas na fase inicial não muda a nossa atitude que face à grande percentagem de recuperações espontâneas se traduz na vigilância e em atitudes que previnem o desenvolvimento de rigidez e posições viciosas do punho. Durante o período de paralisia é necessário utilizar uma tala e efectuar fisioterapia.

O tratamento das fraturas do úmero pode ser conservador (não cirúrgico) ou cirúrgico. A decisão é tomada tendo em conta o tipo do traço de fratura, o número de fragmentos e a localização anatómica da fratura. No tratamento conservador a imobilização pode ser feita com um gesso ou com um Gerdy, mais uma vez de acordo com as características da fratura e em geral prolonga-se pelo menos até às seis semanas.

O tratamento cirúrgico visa mais uma vez o posicionamento correto dos fragmentos ósseos e uma fixação que permita uma mobilização precoce. Podem ser utilizados dois sistemas diferentes. As placas, o que é mais raro ou as cavilhas. Estas são varetas metálicas com comprimento aproximado do úmero que asseguram o alinhamento e comprimento e que são complementadas com parafusos transversais que asseguram a rotação correta.

**As fraturas do cotovelo são de vários tipos e podem ou não estar associadas à luxação do cotovelo.**

As fraturas mais simples são as fraturas do olecrâneo e as fraturas da tacícula radial. As primeiras, a não ser que haja uma coaptação completa (o osso só está rachado), têm indicação cirúrgica. Na maioria dos casos utiliza-se um dispositivo em banda de tensão que permite uma mobilização precoce. As fraturas da tacícula radial se tiverem fragmentos separados ou com determinada angulação podem ter indicação cirúrgica. De acordo com o tipo de fratura podemos retirar apenas o fragmento, retirar toda a tacícula, montar e fixar a fratura com recurso a placa e parafusos ou ainda fazer a substituição por uma prótese. De uma forma consistente o tratamento destas fraturas tem um bom resultado funcional. No entanto alguns doentes tratados por fraturas da tacícula quer conservadoramente quer com cirurgia podem ter limitações da extensão (esticar o cotovelo) de cerca de 10º-20º ou da prono-supinação (virar a mão para cima e para baixo com o cotovelo dobrado).

Mais complexa é a associação destas fraturas com a luxação do cotovelo. Neste caso associam-se lesões ligamentares que é preciso avaliar e por vezes reparar.

Também complexas são as **fraturas da extremidade distal do úmero,** devido ao número e dimensão dos fragmentos que constituem a fratura. São fraturas que na grande maioria dos casos têm tratamento cirúrgico e obrigam a uma técnica cirúrgica complexa que visa a fixação correta dos fragmentos com recurso a placas e parafusos. Esta técnica permite uma mobilização precoce para evitar diminuições significativas das mobilidades.

As **fraturas dos ossos do antebraço** podem ocorrer com apenas fratura de um dos ossos ou com fraturas associadas dos dois ossos. Estes funcionam em conjunto e portanto é fundamental que estejam mantidas as relações anatómicas entre ambos. Por este motivo estas fraturas têm quase sempre necessidade de uma intervenção cirúrgica. A não ser em crianças o tratamento é feito com placas e parafusos uma vez que é imprescindível que com uma abordagem direta se restabeleça a anatomia.



 

 



 

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