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2. Cólica biliar
 
  

 # Cólica biliar

 

 

 



 

## O que é?

A cólica biliar é a manifestação clínica da presença de cálculos (pedras) na vesícula.

Também conhecida por litíase, é uma condição frequente. Na Europa cerca de 10% das pessoas têm esta doença, sendo a mais comum das vias biliares. Em geral, é duas a três vezes mais prevalente na mulher do que no homem. A idade é importante e no género feminino varia entre os 5% e os 20% até aos 50 anos e de 25% a 30% após este limite etário.

## Sintomas

A maior parte das pessoas, cerca de 80%, não apresenta queixas. Ao contrário do que se pensa, não podem ser atribuídos à litíase biliar as “más-digestões”, as gorduras, a azia, o aumento do gás intestinal, os enjoos, os vómitos ou as dores de cabeça. O sintoma principal é a dor ou cólica na zona do “estômago” ou debaixo das costelas à direita, podendo estender-se para o lado esquerdo, para as costas, para o peito ou restante abdómen. Esta dor começa de repente, por vezes durante a noite, dura minutos ou horas. Por vezes são acompanhadas de enjoos, vómitos, suores e palidez. O mal-estar deve-se ao entupimento do canal cístico ou da via biliar por um cálculo.

Podem ocorrer complicações por inflamação da vesícula (colecistite), das vias biliares (colangite) ou do pâncreas (pancreatite). Nestes casos a dor pode ser mais forte e durar mais tempo. Pode ainda surgir febre e icterícia (“olhos amarelos”) e, em geral, obriga a internamento hospitalar.

A litíase biliar associa-se a um aumento do risco de cancro da vesícula. Contudo este tipo de carcinoma é raro.

## Causas

A maioria dos cálculos formam-se na vesícula biliar, que é um pequeno saco localizado junto ao fígado, debaixo das costelas à direita. A vesícula biliar armazena a bílis, que é produzida no fígado; depois das refeições a vesícula contrai-se e a bílis passa para o duodeno através das vias biliares.

A bílis contém bilirrubina e colesterol. Estas substâncias podem “cristalizar” porque a bílis na vesícula fica mais concentrada. Pode verificar-se apenas a presença de múltiplos cristais que, quando se juntam, formam os cálculos. A maior parte são de colesterol e formam-se quando a bílis está muito concentrada deste elemento ou a vesícula não esvazia adequadamente. Pensa-se que os cálculos se formem quando existe um desequilíbrio nos diversos componentes da bílis, em especial quando esta contém demasiado colesterol ou pigmentos biliares.

Outra das causas é o mau funcionamento da vesícula biliar, com um esvaziamento lento ou incompleto durante a digestão. Podem também ocorrer cálculos de outra natureza, por exemplo de bilirrubina, em certas doenças e situações.

As principais causas de risco são a obesidade, a dieta com excesso de gorduras animais e poucos vegetais e fruta, a falta de exercício físico, a perda rápida de peso, que ocorrem em alguns tratamentos da obesidade, longos períodos de jejum, uso de hormonas e contracetivos.

Outros fatores são a idade (mais de 60 anos), maior prevalência no género feminino, litíase em familiares, gravidez, diabetes, anemias hemolíticas e cirrose do fígado.

## Diagnóstico

O melhor exame é a ecografia abdominal. Mas pode também ser feita uma TAC abdominal. Muitos dos casos são diagnosticados em exames solicitados por outros motivos.

## Tratamento

A presença de cálculos na vesícula não implica, obrigatoriamente, tratamento no caso de não existirem sintomas. Nesta situação, só muito raramente poderão surgir complicações.

A terapêutica está indicada na presença de sintomas, como a cólica biliar, ou outras complicações. O tratamento está também aconselhado, mesmo na ausência de sintomas, em doentes diabéticos ou a tomar imunossupressores, na presença de uma vesícula calcificada, no caso de pacientes com residência ou viagens frequentes a países onde há maus cuidados de saúde, quando ocorre uma perda rápida de peso ou quando os cálculos se localizam nas vias biliares. A cirurgia para retirar a vesícula (colecistectomia) é o tratamento ideal da litíase vesicular. Pode ser feita por via “clássica” (por um corte na parede abdominal) ou via “laparoscópica”, em que os instrumentos entram no abdómen por pequenos orifícios. Esta é recomendada porque é menos dolorosa e de recuperação mais fácil. A falta da vesícula não causa problemas importantes.

Muito raramente são utilizadas outras terapêuticas para a dissolução dos cálculos com medicamentos ou por “ondas de choque”. Quando estes estão nas vias biliares, o tratamento deve ser tentado por exame endoscópico.

## Prevenção

Passa pela prevenção de formação de cálculos, o que pode ser conseguido mediante a correção de alguns fatores de risco, como a obesidade, a dieta com excesso de gorduras animais e poucos vegetais e fruta, a falta de exercício físico, a perda rápida de peso, que ocorrem em alguns tratamentos da obesidade, longos períodos de jejum, uso de hormonas e contraceptivos.

 

 

 





Fontes

Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia, 2006

Litíase Biliar Assintomática, WGO Practice Guidelines

Sociedade Portuguesa de Endoscopia Digestiva, 2012



 



 

 



 

Consultas

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