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 # CUF participa em investigação de cancro da mama na mulher jovem

 

 

 



 

18 de Março de 2021

 

**Maior estudo feito em Portugal sobre o impacto do cancro da mama em mulheres muito jovens vem confirmar que é mais agressivo, que é o tumor maligno de maior incidência na mulher jovem e diagnosticado tardiamente.**

Este estudo, com a participação de 207 mulheres, publicado recentemente pela Sociedade Europeia de Oncologia Médica, analisa 10 anos da experiência de cinco centros oncológicos - os Hospitais CUF Tejo e CUF Descobertas, o Hospital de Vila Franca de Xira, o Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca, o Centro Hospitalar Barreiro-Montijo e o Centro Hospitalar Lisboa Ocidental. Segundo **Sofia Braga, investigadora principal do estudo e oncologista no Hospital CUF Descobertas**, “o estudo coloca em evidência as características e as necessidades específicas das mulheres jovens com cancro da mama - idades compreendidas entre os 18 e os 35 anos - para que a comunidade médica as possa considerar nas suas abordagens terapêuticas”.

**Diagnóstico tende a ser tardio - 45% é diagnosticado no estadio 3 e 6% já com metástases**

A principal razão para um diagnóstico tardio neste grupo etário, apontada pelos investigadores, prende-se sobretudo com a não existência de um rastreio padronizado para esta população. Em Portugal, a idade indicada para o rastreio populacional situa-se a partir dos 50 anos.

Outra razão avançada, é o facto de o diagnóstico ser realizado quando já existem sintomas.

Também o facto de a densidade mamária neste grupo populacional ser mais elevada, dificulta a sensibilidade do exame por mamografia, convencionado como o exame preferencial para o diagnóstico do cancro da mama.

**Tumores têm tendência para ser mais agressivos**

Alguns dos tumores analisados parecem apresentar uma resposta pior aos tratamentos do que os tumores de outros grupos etários. Raramente foram procuradas mutações genéticas e, segundo os investigadores, esse é claramente um ponto a melhorar e para o qual a comunidade médica deve estar mais consciencializada.

**O prognóstico é menos favorável e as taxas de sobrevivência são piores quando comparadas com uma população mais velha**

A taxa de sobrevivência das mulheres com cancro da mama abaixo dos 35 anos situa-se entre os 75-80%, comparativamente às mulheres com mais de 35 anos que se situa entre os 80-85%.

Sofia Braga, médica da CUF Oncologia, destaca que: “por tudo isto, existe urgência em sensibilizar esta população para a necessidade de rastreio oportunista - realização de exames de diagnóstico regulares - da mama em idade jovem, compreender o benefício da aposta em equipamentos de rastreio com maior capacidade de leitura perante a densidade mamária elevada (como, por exemplo, a mamografia 3D - evitando os problemas da sobreposição de estruturas) e de acautelar os diferentes fatores biológicos e necessidades no acompanhamento destas doentes - que para além de multidisciplinar e especializado, deve contemplar equipas de cuidados de suporte, tais como, o aconselhamento genético, o apoio nutricional e emocional, a consulta de fertilidade e até, os cuidados estéticos”.

O estudo realça que se tratam de mulheres que se deparam com alterações profundas na sua imagem, entram em menopausa precoce, lidam com a infertilidade mesmo que temporária. Também aspectos como a gestão da carreira, a educação de filhos pequenos e a saúde sexual devem ser tidos em consideração pelas equipas clínicas na escolha da abordagem terapêutica a estas mulheres. Todos estes aspectos tornam-se ainda mais difíceis de abordar quando não se consegue que estas mulheres fiquem em remissão da doença.

O cancro da mama em mulheres muito jovens é um tema cada vez mais relevante, tendo inclusive dado origem a novas guidelines clínicas na sua abordagem, estabelecidas na última reunião internacional da European School of Oncology (ESO) e da European Society of Medical Oncology (ESMO), duas das mais relevantes sociedades médicas na área da Oncologia.