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 1. [Início](/)
2. Espondilolistese
 
 

 # Espondilolistese

 

 

 



 

## O que é a espondilolistese?

A espondilolistese ocorre quando uma das vértebras da coluna desliza da sua posição normal, geralmente deslocando-se para frente sobre a vértebra que se encontra imediatamente abaixo. É mais comum na região lombar.

Já a espondilólise, condição associada, corresponde a um defeito *da pars interarticularis* (pequeno segmento de osso que une as facetas de uma vértebra) de uma vértebra.

A espondilolistese é dividida em tipos e graus, baseados na sua origem:

- **Tipo I**: em alguns casos, as pessoas nascem com espondilolistese. Uma criança também pode desenvolver a condição naturalmente durante o seu desenvolvimento. Em ambas as situações, pode não haver qualquer sintomas até mais tarde.
- **Tipo II**: o mais comum, ocorre quando há um problema com uma seção da vértebra chamada *pars interarticularis*. As fraturas do tipo II só se tornam espondilolistese se obrigarem a vértebra a mover-se para frente. O tipo II inclui: 
    - IIA - que envolve microfraturas causadas por utilização excessiva das vértebras e hiperextensão;
    - IIB - que inclui muitas microfraturas que curam com formação de osso extra, provocando alongamento e desalinhamento;
    - IIC - corresponde a uma fratura completa causada por trauma (lesão desportiva ou acidente);
- **Tipo III**: está associado ao envelhecimento e ao desgaste ósseo natural;
- **Tipo IV**: trata-se de uma fratura que ocorre em qualquer zona da vértebra, exceto na região *pars interarticularis*;
- **Tipo V**: devido a tumores nas vértebras;
- **Tipo VI**: é uma espondilolistese rara causada pelo enfraquecimento após cirurgia.
 
Esta patologia é também classificada em graus de acordo com a percentagem de deslizamento anterior do corpo vertebral:

- **Grau 1**: 25%
- **Grau 2**: Entre 25% e 50%
- **Grau 3**: Entre 50% a 75%
- **Grau 4**: Entre 75% a 100%
- **Grau 5**: O corpo vertebral parece totalmente desconectado
 
## Sintomas

Em muitas pessoas a espondilolistese não tem qualquer sintoma. Na realidade, embora esta condição, muitas vezes, se desenvolva cedo na adolescência, normalmente não é detetada antes da idade adulta. Crianças e adolescentes geralmente suportam a dor lombar por muitos anos antes de serem avaliados por um médico. Alguns estudos referem que 2,3 a 10% da população com espondilólise geralmente é assintomática. Contudo, cerca de 25% dos pacientes com este defeito podem apresentar dor lombar baixa. A dor habitualmente espalha-se ao longo da coluna lombar e pode assemelhar-se a um espasmo muscular.

A espondilolistese pode causar espasmos que causam rigidez da coluna e dos músculos, o que se associa a alterações na postura. Se o deslizamento for significativo pode ocorrer compressão de nervos e estreitamento do canal espinal.

Alguns dos sinais mais comuns de espondilolistese incluem:

- Dificuldade em caminhar ou correr;
- Dor na região lombar ou nas nádegas;
- Dor região posterior de uma ou ambas as pernas;
- Fraqueza numa ou em ambas as pernas;
- Dor na região lombar e nas pernas agravada pelo movimento;
- Aumento da curva interna da coluna (lordose).
 
## Causas

Pode existir uma base hereditária - é possível nascer com o osso vertebral mais fino, o que o torna mais vulnerável, e os períodos de crescimento rápido podem estimular o deslizamento (espondilolistese).

O risco diminui na meia idade e volta a aumentar entre os 60 a 80 anos. Além desses fatores, todas as atividades que requerem hiper-extensão ou hiper-flexão da coluna lombar aumentam o risco de ocorrência destas condições.

Alguns desportos, como a ginástica, o levantamento de pesos ou o futebol, exercem grande pressão sobre os ossos na coluna lombar, o que aumenta o risco de fratura numa das faces de uma vértebra.

As causas típicas incluem:

- Fraturas;
- Lesão articular;
- Degeneração (utilização excessiva das vértebras ou envelhecimento);
- Defeito ósseo congénito;
- [Espondilose](/saude-a-z/espondilose-artrose-da-coluna), defeito ou fratura na região *pars interarticularis*;
- Tumores;
- Cirurgia.
 
## Diagnóstico da espondilolistese

O estudo radiográfico permite confirmar a presença de espondilolistese, ou seja, de uma fratura a nível da vértebra.

A [Tomografia Computorizada](/saude-a-z/tac-tomografia-computorizada) e a [Ressonância Magnética](/saude-a-z/ressonancia-magnetica) fornecem maior detalhe sobre a fratura da vértebra, o seu potencial deslizamento e sobre a eventual presença de compressões nervosas. Por vezes, as imagens numa radiografia parecem normais e são estes exames que permitem fazer o diagnóstico correto. Os exames devem ser repetidos regularmente para verificar se a vértebra está a mudar de posição.

## Tratamento da espondilolistese

A fusão (união) dos segmentos envolvidos e a sua instrumentação (implantes) são os procedimentos cirúrgicos indicados para corrigir a deformidade e obter estabilidade. Este procedimento é realizado sob [anestesia geral](/mais-saude/diferentes-tipos-de-anestesia), em regime de internamento de dois a três dias. Deve considerar-se a intervenção cirúrgica quando existe um défice neurológico associado e/ou evolução da listese ou se a dor lombar não responde ao tratamento e interfere com as atividades diárias.

Ainda assim, a maioria das pessoas responde bem ao tratamento conservador, que consiste num período de repouso, com eventual ortótese de estabilização do tronco (colocação de um dispositivo estabilizador da articulação), seguido de [fisioterapia](/servicos-cuf/servicos-clinicos/fisioterapia) com exercícios que privilegiem a flexão, o fortalecimento muscular dos abdominais, o estiramento dos tendões e exercícios específicos para estabilização dinâmica da coluna lombar. Além do repouso, os anti-inflamatórios são muito úteis.

## Prevenção

Esta condição não pode ser completamente prevenida. Ainda assim, sabe-se que certas atividades, como a ginástica, levantamento de pesos e o futebol aumentam o *stress* sobre as vértebras e aumentam, por isso, o risco de espondilolistese. Devem por isso ser evitadas.

Se não for convenientemente tratada, esta condição associa-se a dor crónica na coluna ou nas pernas, bem como a formigueiros ou fraqueza das pernas. Uma compressão mais acentuada dos nervos pode causar perda de controlo dos esfíncteres, mas esta complicação é rara.

O prognóstico, de um modo geral, é bom e a maioria dos casos recupera com um tratamento conservador.

 

 

 





Fontes:

Roberto Basile Júnior e col., Lesões da coluna vertebral nos esportes, Rev Bras Ortop, Vol. 34, Nº 2, Fevereiro, 1999

*Spine-health.com*, 2012

*American Academy of Orthopaedic Surgeons*, 2013

*North American Spine Society*

*Mayo Foundation for Medical Education and Research*, 2013

Inês Campos e col., Lombalgia no desporto. Indicações da fisioterapia, 2010

*The Cleveland Clinic Foundation*, 2010

*Manish Kumar e col., Epidemiology, Pathophysiology and Symptomatic Treatment of Sciatica: A Review, International Journal of Pharmaceutical &amp; Biological Archives* 2011; 2(4):1050-1061



 



 

 



 

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