##  [Tudo o que tem de saber sobre a doença celíaca](/mais-saude/tudo-o-que-tem-de-saber-sobre-doenca-celiaca) 

 
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 # Tudo o que tem de saber sobre a doença celíaca

 

 

 



 

 

Alimentação

Bebés e crianças

 

 6 mins leitura 

Escrito por:

 [ ![Filipa Santos](/sites/portalcuf/files/styles/professional_resume/public/node/34304.png?itok=P-ZOaVXV) 

Filipa Santos , 

Pediatra

 

 

 ](/medicos/filipa-santos)

 

 

 

 

Consiste na sensibilidade ao glúten e pode provocar vários sintomas, especialmente gastrointestinais. Saiba o que poderá estar na sua origem e como tratar.



A doença celíaca é uma doença autoimune do intestino, causada por uma sensibilidade permanente ao glúten em indivíduos geneticamente suscetíveis. O glúten diz respeito a um conjunto de proteínas vegetais que conferem capacidade de absorção de água, viscosidade e elasticidade às farinhas que as contêm. As proteínas do glúten são ricas em prolinas e glutaminas, as quais são deficientemente digeridas a nível do trato gastrointestinal, sendo a gliadina a principal componente tóxica para indivíduos suscetíveis. O glúten existe no trigo, centeio, cevada e aveia.

## Qual é a sua prevalência?

O desenvolvimento da doença depende de uma interação de fatores genéticos, imunológicos e ambientais. Na Europa, a sua prevalência varia entre 0,2 a 1,2% e, em Portugal, a prevalência da doença celíaca é desconhecida, existe apenas um estudo efetuado numa população de adolescentes de Braga no qual a prevalência foi de um caso num universo de 134.

## Reação ao glúten

A ingestão de glúten em indivíduos geneticamente predispostos à doença desencadeia uma reação imune que vai causar uma inflamação crónica na mucosa e submucosa do intestino delgado, com consequente atrofia das vilosidades intestinais e repercussões na absorção dos vários nutrientes, como:

- Ferro;
- Ácido fólico;
- Cálcio;
- Vitaminas lipossolúveis.

## Várias formas de doença celíaca

Consoante a presença de sintomas, anticorpos específicos, estudo genético e as características das biópsias, a [doença celíaca](/saude-a-z/doenca-celiaca) classifica-se em forma:

- Clássica;
- Atípica;
- Silenciosa;
- Latente;
- Potencial.

## Como é que se manifesta?

As manifestações clínicas variam consideravelmente de acordo com a idade e a quantidade de glúten ingerido na dieta. Assim, nas [crianças](/mais-saude/doenca-celiaca-nas-criancas), a forma clássica da doença celíaca apresenta-se com sintomas gastrointestinais que têm início entre os seis meses e os dois anos após a introdução do glúten na alimentação.

Os sintomas mais frequentes são:

- [Diarreia](/mais-saude/como-prevenir-e-tratar-diarreia) prolongada (mais de três semanas);
- Desconforto abdominal;
- Náuseas e vómitos;
- Irritabilidade;
- Falta de apetite;
- Má progressão de peso;
- Atraso de crescimento;
- [Obstipação](/saude-a-z/obstipacao).

O abdómen proeminente e as nádegas aplanadas completam o aspeto característico destes doentes. Quando o diagnóstico não é efetuado atempadamente podem verificar-se situações de malnutrição.

## Crianças em idade escolar

No caso das crianças em idade escolar e adolescentes são frequentes as formas clínicas; as manifestações digestivas podem estar ausentes ou ocupar um segundo plano.

Por vezes, a primeira manifestação da doença surge sob a forma de obstipação difícil de responder ao tratamento habitual, associada ou não a dor abdominal tipo cólica. Outras formas de apresentação são:

- Baixa estatura inexplicada;
- Atraso pubertário;
- [Anemia](/saude-a-z/anemia) por falta de ferro e, sobretudo, resistente à terapêutica com ferro;
- Alterações do esmalte da dentição secundária.

## Patologias associadas à doença celíaca

Existem também uma série de doenças que estão associadas à doença celíaca. Podem surgir antes do diagnóstico da doença celíaca, manifestar-se em simultâneo ou depois do diagnóstico. Os doentes que as manifestam são considerados grupos de risco, uma vez que a sua associação à doença celíaca é muito maior do que a esperada. São os casos de doentes com:

- Dermatite herpetiforme;
- [Síndrome de Down](/mais-saude/7-factos-sobre-sindrome-de-down);
- Síndrome de Turner;
- Síndrome de Williams;
- [Diabetes](/saude-a-z/diabetes) tipo I;
- Défice de IgA;
- Tiroidite autoimune e outras [doenças autoimunes](/mais-saude/o-que-sao-doencas-autoimunes).

Também as pessoas que tenham familiares de 1º grau de parentesco com doença celíaca devem ser considerados de risco, pelo que devem ser rastreados para eventual diagnóstico de doença celíaca.

## Avaliação diagnóstica

Nas crianças e adolescentes com sinais e sintomas sugestivos de doença celíaca, a avaliação diagnóstica deve incluir a realização de exames laboratoriais (análises de sangue) e, consoante os resultados, a realização de biópsia intestinal. As análises de sangue devem incluir a determinação do anticorpo antitransglutaminase (Ac AT) e a imunoglobulina IgA. Se o Ac AT for positivo, o doente deve ser referenciado à [consulta de gastrenterologia](/marcacoes/consultas/gastrenterologia-consulta-gastrenterologia), para complementação diagnóstica. No caso de crianças assintomáticas, mas pertencentes a grupos de risco para doença celíaca, devem inicialmente também efetuar a determinação de HLA Dq2 e Dq8 (marcadores genéticos específicos).

## Outros exames de diagnóstico

O Anticorpo anti-endomísio (Ac AE) também pode ser utilizado para orientar o diagnóstico, mas deve ser efetuado em laboratórios com muita experiência, uma vez que a técnica de leitura depende do observador. A biópsia intestinal é efetuada através de [endoscopia digestiva alta](/mais-saude/endoscopia-digestiva-alta). Nesse exame, que é habitualmente feito sob sedação, são colhidos vários fragmentos do intestino delgado, que depois são orientados para o anatomopatologista, que observa ao microscópio e caracteriza a atrofia vilositária. É fundamental não retirar o glúten da alimentação antes do diagnóstico definitivo da doença celíaca.

## Tratamento da doença celíaca

O único tratamento cientificamente provado para a doença celíaca consiste em efetuar uma dieta isenta de glúten para toda a vida. Isto é, não poder ingerir os alimentos que contenham farinha de cevada, centeio, aveia e trigo. Este tratamento só deve ser iniciado após a confirmação do diagnóstico e que, na maioria dos casos, exige a realização da biópsia intestinal.

Há evidência de que pequenas quantidades de glúten na dieta não causam quaisquer sintomas imediatos no doente, mas lesam a mucosa intestinal, aumentando o risco de desenvolver cancro no tubo digestivo (carcinomas faríngeos, esofágicos, adenocarcinoma do intestino delgado e Linfomas de Hodgkin), outras doenças autoimunes, alterações do metabolismo ósseo, problemas relacionados com a fertilidade, alterações neurológicas e psiquiátricas. Razões mais do que suficientes para que a dieta seja cumprida de forma muito rigorosa.

## A importância de cumprir a dieta

Felizmente, o intestino tem uma grande capacidade de regeneração pelo que, se a dieta for cumprida, vai permitir o desaparecimento das manifestações clínicas assim como a normalização da mucosa intestinal. A dieta sem glúten é a única forma de assegurar o desenvolvimento e crescimento adequado da criança e adolescente e a única forma de os proteger das complicações da doença celíaca na idade adulta.

**Sabia que...**

A doença celíaca é mais frequente no sexo feminino, com uma relação de três para um.



 

 



 

Publicado a 30/06/2014

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