##  [Trombofilia na gravidez: como reduzir o risco](/mais-saude/trombofilia-na-gravidez-como-reduzir-o-risco) 

 
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2. Trombofilia na gravidez: como reduzir o risco
 
 

 # Trombofilia na gravidez: como reduzir o risco

 

 

 



 

 

Gravidez

 

 6 mins leitura 

 

 

A ocorrência de trombose é uma condição cujo risco aumenta na gravidez, podendo ter consequências na saúde da mãe e do bebé. Saiba como prevenir esta situação.



Tanto a trombose (formação de coágulos no sangue e consequente bloqueio da circulação) como a embolia (libertação de coágulo que interrompe a circulação noutra zona do corpo, como os pulmões) são problemas que podem ter consequências graves, incluindo a morte. A trombofilia é uma predisposição genética para trombose e embolia. A idade, determinadas doenças, hábitos de vida, condição física, a gravidez e o período periparto são fatores que aumentam o risco de estados pró-trombóticos, sobretudo em grávidas com trombofilia.

Em concreto, as mulheres grávidas são seis vezes mais suscetíveis de sofrer um tromboembolismo venoso do que as mulheres não grávidas.

A trombofilia na gravidez - principalmente os casos de trombose venosa profunda e a embolia pulmonar - é a principal causa de mortalidade materna e causa de complicações na gravidez, que frequentemente resultam na perda do bebé, sobretudo quando o problema não é identificado antecipadamente.

Por outro lado, os episódios associados à trombofilia são muito comuns no parto ou nas semanas após o nascimento, em consequência de alterações vasculares ocorridas nessa altura. De realçar que o parto por cesariana também traz riscos acrescidos.

**Sabia que...**

A trombofilia é causada por deficiências genéticas hereditárias ou adquiridas. Há maior prevalência da trombofilia adquirida, relacionada com doenças, medicação ou hábitos de vida.

## O que causa a trombofilia na gravidez?

A trombofilia hereditária está relacionada com a deficiência, mutação ou resistência a determinados fatores relacionados com a coagulação do sangue, nomeadamente as proteínas C e S e a antitrombina ou protrombina. Estas enzimas são responsáveis por gerir o nível de coagulação, que é essencial para a recuperação de lesões, como estancar o sangue numa ferida, estando a trombofilia associada tanto à presença de fatores coagulantes como à ausência de substâncias anticoagulantes. Quando esta predisposição já existe, os riscos durante a gravidez são muito maiores.

Por outro lado, a trombofilia adquirida poderá ser motivada por consequências de saúde, estilo de vida sedentário, obesidade ou uso de medicamentos anticoncecionais -, podendo não estar ainda diagnosticada quando a mulher engravida.

Além disso, a própria gravidez pode provocar essa situação. A gestação provoca alterações na hemostase, a coagulação do sangue, relacionadas com a circulação na placenta e depois com o parto, em que a coagulação é necessária para evitar uma hemorragia profunda durante a expulsão do bebé e da placenta. Também as alterações corporais, nomeadamente o aumento do volume da barriga, causando maior pressão sobre a circulação nas pernas, podem resultar em episódios de tromboembolismo.

## Sintomas de trombofilia na gravidez

Os episódios de tromboembolismo podem ser assintomáticos ou manifestar-se de uma forma severa como dor ou inchaço na zona afetada pelo coágulo, quer seja o local onde se formou ou a zona onde se alojou e onde causa obstrução. Os sintomas podem incluir:

- Falta de ar;
- Aumento da frequência cardíaca;
- Edema dos membros inferiores (unilateral);
- Sensibilidade na pele;
- Dor forte súbita e muito localizada:
- Pele avermelhada, quente.

Alguns dos sintomas, principalmente quando se manifestam de forma ligeira ou moderada, como o inchaço e o desconforto das pernas, são relativamente comuns durante uma gravidez normal, o que torna mais difícil o reconhecimento de que se trata de uma situação clínica mais grave.

## Quais as consequências da trombofilia na gravidez?

A trombofilia aumenta exponencialmente o risco de trombose para a mãe, principalmente o tromboembolismo venoso nos membros inferiores, mas também no cérebro e noutras partes do sistema circulatório. Além do risco de morte, as consequências dependem essencialmente da severidade do episódio agudo e da rapidez do tratamento, mas podem ser graves, incluindo sequelas crónicas debilitantes, como a síndrome pós-trombótica (insuficiência venosa) ou a hipertensão pulmonar tromboembólica.

No caso do feto, torna-se mais difícil levar a gravidez a termo quando a trombofilia não está diagnosticada. A trombofilia pode ser causa de situações repetidas de aborto espontâneo, sobretudo no início da gravidez. Diferentes tipos de deficiências na coagulação associadas à trombofilia podem ser responsáveis pela perda do bebé em várias fases da gravidez, incluindo nos últimos meses, e também a outros problemas como [descolamento da placenta](/mais-saude/descolamento-da-placenta-o-que-deve-saber), [pré-eclampsia](/saude-a-z/pre-eclampsia), insuficiência vascular da placenta, crescimento lento do feto. E todas essas complicações estão igualmente associadas a risco para a mãe.

## Quem está em risco?

O historial familiar é um indicador importante da necessidade de exames para despistar este distúrbio, mas não só:

- Casos de trombose anteriores na grávida ou na família próxima;
- Mais de 35 anos;
- Vários abortos espontâneos;
- Obesidade;
- Infeções ou ferimentos graves recentes;
- Gravidez de gémeos;
- Tratamentos de fertilidade.

As situações de [trombose venosa](/saude-a-z/trombose-venosa) são identificadas através de um exame Doppler vascular ou uma tomografia computorizada, ou ainda uma angiografia pulmonar no caso de resultado incerto de embolia. Já a trombofilia, nomeadamente as situações de deficiência hereditárias, pode ser diagnosticada através de análise ao sangue.

## Como se trata a trombofilia na gravidez

Nem todas as pessoas com diagnóstico de trombofilia terão forçosamente de fazer tratamento, o qual pode ficar reservado para situações de risco como cirurgias, imobilização prolongada e viagens longas. No caso das grávidas, o tratamento vai depender dos antecedentes ou fatores de risco (como já ter tido um tromboembolismo venoso ou alguém na família), podendo começar ainda no primeiro trimestre ou ser reservado para o parto e pós-parto.

O tratamento para a trombofilia inclui medicamentos anticoagulantes, como diferentes tipos de heparina e também o ácido acetilsalicílico (conhecido por Aspirina®). Também são usados fármacos trombolíticos, que ajudam a desfazer os coágulos já existentes, principalmente em contexto hospitalar.

## Como prevenir a trombofilia na gravidez?

Quando a trombofilia é hereditária ou já está adquirida, a diminuição do risco passa pela medicação específica, nomeadamente nas situações que podem originar um tromboembolismo, a restrição prévia de contracetivos específicos e o uso de meias de compressão.

Quando os distúrbios na coagulação não estão presentes, a prevenção inclui ações que reduzam o risco de trombofilia adquirida, como:

- Evitar fumar;
- Manter um peso saudável;
- Fazer exercício físico;
- Fazer caminhadas;
- Fazer viagens curtas ou que permitam pausas para movimentar os membros inferiores;
- Evitar medicamentos com estrogénio;
- Cumprir com rigor a medicação com anticoagulantes.

A trombofilia é um distúrbio complexo, com potenciais efeitos graves, mas além de a prevalência não ser muito elevada, pode ser diagnosticada, sendo avaliadas e prevenidas as situações de maior risco. Se tiver dúvidas, quer esteja grávida ou a tentar engravidar, fale com o seu [obstetra](/medicos?especialidade=1791) ou médico assistente, principalmente se conhecer situações de trombose ou tromboembolismo.



 

 





Fontes:

*BMC*

*Cleveland Clinic*

Ministério da Saúde, CHLC

*MSD Manuals*

*National Center for Biotechnology Information*

*NHS*

Sociedade Portuguesa de Medicina Interna

Sociedade Portuguesa de Obstetrícia e Medicina Materno-Fetal



 



 

 



 

Publicado a 02/07/2025

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