##  [Peste: o que é, tipos, sintomas e formas de transmissão](/mais-saude/peste-o-que-e-tipos-sintomas-e-formas-de-transmissao) 

 
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 # Peste: o que é, tipos, sintomas e formas de transmissão

 

 

 



 

 

Prevenção e bem-estar

 

 7 mins leitura 

 

 

A peste é uma doença infeciosa que pode evoluir rapidamente e causar complicações, sendo essencial uma resposta médica atempada e eficaz.



A peste é uma **doença infeciosa** causada pela bactéria *Yersinia pestis*, que afeta sobretudo pequenos mamíferos e pode ser transmitida ao ser humano, principalmente, através da picada de pulgas infetadas. Embora atualmente seja uma doença rara, a peste teve um impacto significativo ao longo da História, estando associada a grandes epidemias, como a Peste Negra, que atingiu a Europa no século XIV.

Atualmente, a bactéria continua a circular em algumas regiões do mundo, sobretudo entre pequenos mamíferos e as suas pulgas. Nos seres humanos, a infeção pode manifestar-se de diferentes formas, sendo a **peste bubónica a mais frequente**. Quando a bactéria se dissemina através da corrente sanguínea ou atinge os pulmões, pode provocar formas mais graves da doença, que exigem tratamento médico.

Apesar da sua gravidade, a peste pode ser tratada eficazmente com [antibióticos](/mais-saude/8-perguntas-e-respostas-sobre-antibioticos) quando o diagnóstico e o tratamento são realizados atempadamente. Conhecer as formas de transmissão, os principais sintomas e as medidas de prevenção é fundamental para reduzir o risco de infeção e evitar complicações.

## Tipos de peste e sintomas

A peste pode apresentar-se sob três formas clínicas principais:

### Peste bubónica

É a forma mais comum de peste e ocorre, na maioria dos casos, após a picada de uma pulga infetada. A bactéria *Yersinia pestis* entra no organismo através do local da picada e dissemina-se pelo sistema linfático.

Os sintomas incluem, habitualmente:

- Febre;
- Dor de cabeça;
- Arrepios;
- Fraqueza;
- Aparecimento de um ou mais gânglios linfáticos aumentados.

Estes sintomas surgem, em geral, entre dois e oito dias após a infeção.

A transmissão direta entre pessoas é pouco frequente. Na ausência de tratamento, a infeção pode progredir e atingir a corrente sanguínea ou os pulmões, dando origem às formas de peste septicémica ou peste pneumónica, respetivamente.

### Peste pneumónica

É a forma de peste com maior gravidade clínica e a que apresenta maior potencial de transmissão entre pessoas. Caracteriza-se pelo envolvimento dos pulmões e pode manifestar-se de forma rápida, com possibilidade de deterioração do estado clínico em pouco tempo. Os sintomas podem incluir:

- Febre;
- Dor de cabeça;
- Fraqueza;
- Falta de ar;
- Dor no peito;
- Tosse, que pode ser acompanhada pela presença de expetoração aquosa ou, em alguns casos, com sangue.

A transmissão ocorre através de partículas respiratórias, sobretudo durante o contacto próximo com uma pessoa infetada. O período de incubação pode ser muito curto, podendo os primeiros sintomas surgir cerca de um dia após a inalação de partículas infetadas. Sem diagnóstico e tratamento precoces, a doença pode evoluir rapidamente e ser fatal. A toma de antibiótico é, por isso, fundamental para melhorar o prognóstico.

### Peste septicémica

Ocorre quando a bactéria *Yersinia pestis* se dissemina e se multiplica na corrente sanguínea. Pode desenvolver-se como evolução de outra forma de peste ou surgir inicialmente como infeção da corrente sanguínea. Os sintomas incluem:

- Febre;
- Arrepios;
- Fraqueza intensa;
- Dor abdominal.

Podendo ocorrer choque e hemorragias na pele ou noutros órgãos. Em situações graves, podem surgir alterações na coloração e morte dos tecidos (necrose), sobretudo nos dedos das mãos e dos pés e no nariz.

É uma forma particularmente grave da doença e pode provocar complicações potencialmente fatais, como lesão dos tecidos e insuficiência de vários órgãos. O reconhecimento e tratamento precoces são essenciais para reduzir o risco de complicações graves.

## Diagnóstico, tratamento e prevenção da peste

O **diagnóstico** da peste deve ser confirmado através de exames laboratoriais, tendo em conta os sinais e sintomas apresentados e o contexto de exposição. A identificação da bactéria *Yersinia pestis* pode ser realizada a partir de diferentes amostras biológicas, nomeadamente sangue e expetoração.

O **tratamento** deve ser iniciado o mais precocemente possível, sobretudo perante uma suspeita de peste pneumónica. A utilização adequada de antibióticos, associada às medidas de suporte necessárias em função do estado clínico da pessoa, é eficaz quando instituída atempadamente. O diagnóstico precoce e o início rápido do tratamento são determinantes para reduzir o risco de complicações e de mortalidade.

A **prevenção** passa, sobretudo, pela redução do contacto com as principais fontes de infeção. Em áreas onde a peste ocorre, é importante evitar picadas de pulgas, não manipular animais doentes ou mortos e evitar o contacto direto com tecidos e fluídos corporais potencialmente contaminados. Perante um caso suspeito ou confirmado, devem ser adotadas medidas adequadas de controlo da infeção, incluindo precauções durante o contacto com a pessoa doente e na recolha e manipulação de amostras clínicas. No caso da peste pneumónica, estas medidas são particularmente importantes devido ao risco de transmissão através de partículas respiratórias. As principais medidas incluem:

- **Controlar a fonte de infeção**, identificando possíveis focos entre animais e implementando medidas de controlo de pulgas e roedores;
- **Isolar** os casos de peste pneumónica, **reduzindo o risco de transmissão** a outras pessoas;
- **Monitorizar os contactos próximos** das pessoas infetadas e, quando indicado, administrar tratamento preventivo;
- **Proteger os profissionais de saúde**, através da utilização de equipamento de proteção adequado e do cumprimento das medidas de prevenção e controlo da infeção;
- Garantir o diagnóstico e tratamento atempados, assegurando o acesso aos antibióticos adequados;
- **Recolher e analisar amostras clínicas** de forma segura, seguindo os procedimentos de controlo de infeção;
- **Reforçar as medidas de higiene e desinfeção**, nomeadamente a higiene das mãos e a limpeza adequada dos espaços e materiais potencialmente contaminados.

## Quando consultar um médico?

Deve procurar assistência médica se desenvolver sintomas como febre súbita, gânglios linfáticos dolorosos, tosse ou dificuldade em respirar após uma possível exposição a pulgas, animais infetados ou contacto com uma pessoa com diagnóstico confirmado de peste. O diagnóstico e o início atempado do tratamento são fundamentais para reduzir o risco de complicações graves. Se houver suspeita de peste, não se deve dirigir diretamente ao hospital sem antes contactar os serviços de saúde, de forma a evitar o risco de transmissão a outras pessoas. Para avaliação e acompanhamento pode consultar um médico especialista em [Doenças Infecciosas](/especialidades/doencas-infeciosas).



 

 



 

 



## A Peste Negra ainda existe?

A peste é frequentemente associada às grandes epidemias que marcaram a História. Embora hoje seja uma **doença pouco frequente**, continua a ter importância tanto do ponto de vista histórico como da saúde pública.

A **Peste Negra em Portugal (peste bubónica)**, chegou ao país em 1348, provocou uma epidemia devastadora, causando um elevado número de mortes, bem como profundas consequências na sociedade portuguesa.

Séculos depois, a peste volta a ser notícia na sequência de um caso de pneumonia de origem desconhecida na Rússia, com suspeita de **peste pneumónica**. A situação tem sido monitorizada a nível europeu, embora, até ao momento, não existam sinais de transmissão continuada entre pessoas. Este episódio recuperou o interesse por uma doença que, apesar da sua gravidade, é hoje muito diferente daquela que existia na Idade Média. A peste pneumónica pode ser transmitida entre pessoas, mas essa transmissão requer geralmente contacto próximo e prolongado com uma pessoa infetada e sintomática. Além disso, a peste pode ser tratada eficazmente com antibióticos quando diagnosticada precocemente. Assim, embora a vigilância seja importante, **não existem atualmente indícios que apontem para o início de uma nova [pandemia](/mais-saude/pandemia-epidemia-e-endemia-quais-diferencas)**. Para acompanhar a ocorrência de surtos e epidemias a nível mundial, pode ser consultada a [plataforma da Organização Mundial da Saúde (OMS)](https://extranet.who.int/publicemergency/) que disponibiliza informação atualizada sobre as situações epidemiológicas em diferentes regiões do mundo.



 

 





Fontes

*Centers for Disease Control and Prevention* (CDC)

*World Health Organization* (WHO)

Manual MSD



 



 

 



 

Publicado a 08/10/2026

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