##  [Ocitocina: muito mais que a hormona do amor](/mais-saude/ocitocina-muito-mais-que-hormona-do-amor) 

 
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 # Ocitocina: muito mais que a hormona do amor

 

 

 



 

 

Bebés e crianças

Gravidez

Saúde da mulher

 

 6 mins leitura 

 

 

Chamam-lhe “a hormona do amor”, mas os efeitos da ocitocina vão muito além do bem-estar que promove. Conheça os seus benefícios e em que situações é libertada.



Uma das razões por que abraçar alguém desencadeia uma sensação de bem-estar é hormonal e deve-se à ocitocina (ou oxitocina, como também pode ser designada). Produzida no hipotálamo e segregada pela glândula pituitária - uma estrutura do tamanho de uma ervilha localizada na base do cérebro -, esta hormona é libertada no sangue, no cérebro e na medula espinal, ligando-se aos recetores de ocitocina e acabando por influenciar o comportamento e a fisiologia.

A sua segregação ocorre em contextos em que há afeto envolvido, por exemplo, quando duas pessoas se abraçam, beijam ou têm relações sexuais e é precisamente por este motivo que é vulgarmente conhecida como “a hormona do amor”. Mas a importância desta hormona está longe de se resumir a esta dimensão.

Foi ao observar que havia uma forte relação entre esta substância e a contração do útero de gatas grávidas que, em 1909, Henry Dale, farmacologista inglês e vencedor do Prémio Nobel da Medicina em 1936, percebeu o que estava em causa e batizou a hormona descoberta como ocitocina, do grego *oxys*, que significa veloz, e *tokós*, que significa parto. Dois anos depois, já a ocitocina era (e continua a ser) usada para induzir o parto. Desde então, e até aos dias de hoje, as descobertas sobre os efeitos desta hormona têm-se sucedido, sendo possível sistematizá-los, ainda que de forma incompleta, pois inúmeras investigações continuam a decorrer. Apresentamos alguns dos efeitos já estudados da ocitocina.

## Fundamental no momento do parto

A ocitocina desempenha um papel fundamental no momento do parto, provocando as contrações ritmadas que levam à dilatação do colo do útero e permitem a expulsão do bebé através do canal vaginal. Os níveis de ocitocina no organismo da mãe aumentam consideravelmente nesta altura, mas mesmo quando a hormona não é libertada em quantidade suficiente é possível recorrer à sua fórmula sintética para induzir o parto. Isto porque, no momento do nascimento, a quantidade de recetores de ocitocina presentes no útero da mulher aumenta cerca de 300 vezes. Depois do parto, a ocitocina continua a ser importante para ajudar a controlar a hemorragia.

## Estimula a amamentação e o vínculo mãe-bebé

A influência da ocitocina na maternidade é ainda mais abrangente, estimulando também a amamentação, uma vez que a sucção por parte do bebé estimula as terminações nervosas do mamilo, que levam ao cérebro a mensagem de que é necessário produzir ocitocina. A hormona é então libertada através da corrente sanguínea e chega às glândulas mamárias, onde estimula a produção de leite. Ao mesmo tempo, e também por ação da ocitocina, o vínculo entre mãe e bebé sai reforçado.

## Ajuda a estabelecer laços e relações de confiança

Várias investigações têm vindo a demonstrar a relação entre a libertação de ocitocina e a ligação afetiva que se estabelece com o outro, o vínculo e a confiança. Tendo em conta que esta hormona é segregada no decurso de manifestações de carinho e proximidade física, facilmente se percebe que constitua um elemento crucial para que o cérebro assimile como desejáveis as sensações que dali resultam - felicidade, amor, tranquilidade e bem-estar -, promovendo a sua contínua procura, de onde resultam laços e relações de confiança cada vez mais fortes.

## Maior empatia e colaboração

A capacidade de alguém se colocar no lugar do outro e a vontade de colaborar, praticar o bem e cuidar são também dimensões associadas, em diversas pesquisas, à presença da ocitocina. Quanto maior for a quantidade presente desta hormona na corrente sanguínea, tanto maior será a probabilidade de esta ser uma pessoa empática, generosa, cuidadora e empenhada no bem-estar de quem lhe é próximo e com quem estabeleceu laços.

## Favorece a socialização

Ao contribuir para a diminuição da aversão a pessoas estranhas e para o estabelecimento de laços e relações de confiança, a ocitocina desempenha um papel importante na socialização, favorecendo-a.

## Reduz o *stress* e a ansiedade

Várias investigações apontam os efeitos benéficos da ocitocina no relaxamento, diminuição do *stress* e ansiedade. Por exemplo, está demonstrado que a ocitocina torna a amígdala (uma área do cérebro crucial para o processamento emocional) menos reativa quando a pessoa é exposta a fotografias de rostos ameaçadores ou com medo. Sabe-se também que a ocitocina pode levar à diminuição dos níveis de cortisol, conhecida como hormona do *stress*, e ainda contribui para reduzir a tensão arterial, o que também ajuda ao relaxamento.

## Efeito analgésico

Ao atuar como uma espécie de calmante e modulando processos neuronais, a ocitocina tem igualmente um efeito analgésico, reduzindo a sensibilidade à dor e aumentando o limiar a partir do qual esta é percecionada.

## Influencia o desejo sexual

Há libertação de grandes quantidades de ocitocina durante a fase inicial do processo de excitação sexual, o que favorece o envolvimento da mulher e a ereção masculina. Durante a relação, os níveis desta hormona também aumentam, promovendo a ligação entre os parceiros e contribuindo para as contrações uterinas que a mulher sente durante o orgasmo e a resposta ejaculatória do homem.

## O outro lado da ocitocina

São muitos os efeitos positivos da ocitocina, mas o seu contrário também tem vindo a ser observado por muitos investigadores, que têm concluído pela relação entre a ocitocina e o estímulo da competição.

## Níveis de ocitocina muito elevados ou muito baixos

Ainda não se sabe ao certo as implicações de níveis muito elevados ou muito reduzidos de ocitocina. Ainda assim, tem vindo a ser estabelecida uma relação entre homens com valores elevados e o desenvolvimento de hiperplasia benigna da próstata. Da mesma maneira, valores reduzidos têm vindo a ser relacionados com o autismo e a depressão. Mas são ainda necessários mais estudos para perceber de que forma é que a administração de ocitocina poderá, ou não, contribuir para o tratamento destas doenças.

## Tratamento com ocitocina

O tratamento com ocitocina é utilizado, por via intramuscular ou endovenosa, para a indução do trabalho de parto no final do tempo de gravidez; estimulação das contrações uterinas e controlo da hemorragia pós-parto. A sua administração por via nasal pode também ser utilizada após o parto quando há necessidade de estimulação da expulsão do leite facilitando a amamentação ou a recolha de leite, e ainda na prevenção e tratamento da ingurgitação dos seios nos primeiros dias pós-parto.



 

 





Fontes:

*American Psychological Association*, janeiro de 2022

*Brain &amp; Behavior Research Foundation*, janeiro de 2022

*Chemical &amp; Engineering News*, janeiro de 2022

*Endocrine Society*, janeiro de 2022

*You and Your Hormones, Society for Endocrinology*, janeiro de 2022

*National Library of Medicine, National Center for Biotechnology Information*, janeiro de 2022



 



 

 



 

Publicado a 03/01/2023

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