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 # O que são as demências frontotemporais?

 

 

 



 

 

Cérebro e saúde mental

Doenças crónicas

 

 6 mins leitura 

 

 

As demências frontotemporais são mais raras e não afetam primeiramente a memória, mas sim a linguagem, comportamentos e função motora. Fique a conhecê-las.



Demências frontotemporais designa um conjunto de doenças que afetam duas zonas do cérebro: o lobo frontal e os lobos laterais (lobos temporais). Estes são tipos de [demência](https://www.cuf.pt/saude-a-z/demencia) menos frequentes (cerca de 8 a 17 % dos casos de demência em pessoas com menos de 70 anos) e que se manifestam principalmente na linguagem, em alterações de personalidade e comportamento e capacidades musculares.

As demências frontotemporais levam a uma redução do tamanho de algumas partes destes lobos, o que tende a agravar-se com o passar do tempo. São, em alguns casos, mal diagnosticadas e confundidas, por exemplo, com [doença de Alzheimer](https://www.cuf.pt/saude-a-z/alzheimer), no entanto, as demências frontotemporais desenvolvem sintomas distintos desta doença e atingem maioritariamente pessoas mais novas.

## Que doenças pertencem a este grupo?

Há um conjunto de doenças que podem ter origem nos danos cerebrais nos lobos frontais e temporais. Em comum têm consequências para as funções motoras, de personalidade e linguagem, todas localizadas nestas zonas do cérebro. Algumas das doenças que se incluem nas demências frontotemporais são:

### Demência frontal

Os danos localizam-se no lobo frontal, o que tem influência nos comportamentos sociais do doente. Este é o lobo do cérebro que gere o comportamento e as emoções. É também a zona do cérebro que permite manter o foco prolongado numa tarefa. Consequentemente, as pessoas com demência frontal perdem inibição social, autocrítica e caracterizam-se pela apatia. Podem também desenvolver, ao longo do tempo, alguma rigidez de pensamento, inflexibilidade, e alguns sintomas semânticos, como o discurso estereotipado e curto - por vezes, até o mutismo.

### Afasia primária progressiva

O dano, neste caso, é nas zonas laterais do cérebro. Se o dano for na zona temporal direita, afeta a capacidade de reconhecer caras e objetos; na zona temporal esquerda, afeta capacidades ligadas à linguagem, como reconhecer significados de palavras e nomes de objetos. Dentro desta afasia, distinguem-se dois tipos: a variante semântica (perda de capacidade de formular uma palavra e uma frase oralizada, substituição de uma palavra por outra) e a variante não fluente progressiva (linguagem muito simplificada e hesitante).

### Esclerose lateral amiotrófica

A [**esclerose lateral amiotrófica**](/saude-a-z/esclerose-lateral-amiotrofica) causa atrofia muscular. Neste caso, os sintomas comportamentais e semânticos da demência frontotemporal associam-se à doença do neurónio motor, cujos sintomas se desenvolvem mais lentamente, embora os sintomas da demência, tipicamente, se desenvolvam mais rapidamente.

### Paralisia supranuclear progressiva

Causa rigidez muscular, afeta movimentos de locomoção, alteração na postura e movimentos dos olhos. Há tendência para que também se desenvolvam problemas de fala e linguagem. Alguns sintomas da paralisia supranuclear progressiva têm semelhanças com a doença de Parkinson, no entanto, os tremores são menos comuns na paralisia supranuclear progressiva e os problemas de linguagem desenvolvem-se mais cedo.

### Degenerescência corticobasal

Está associada a degenerações no lobo frontal e condiciona rigidez e descoordenação de braços e pernas. Está associada ao fenómeno do membro alienado, em que o membro (braço ou perna) afetado executa movimentos sem o controlo da pessoa. Outra consequência é a apraxia, ou seja, a incapacidade de executar séries de movimentos típicos de uma dada tarefa, como tirar uma fotografia, abotoar um casaco ou atar um atacador.

## Sintomas das demências frontotemporais

Apesar de se incluírem neste grupo várias doenças, as formas mais comuns de demência frontotemporal são semelhantes nos seus sintomas. Todas elas tendem a desenvolver-se ao longo do tempo e afetar a memória, mas os seus sintomas iniciais manifestam-se a nível comportamental, da linguagem e motor.

**Alterações comportamentais**

- Comportamento socialmente desadequado
- Perda de empatia e insensibilidade em relação aos sentimentos alheios
- Falta de discernimento e reações exageradas
- Perda de ambição e interesses no dia a dia, vontade de passar o dia na cama (algo que pode ser confundido com depressão)
- Dificuldade de concentração numa tarefa e progressiva desorganização
- Comportamentos compulsivos (bater o pé, as mãos, *etc*)
- Deixar de cumprir a higiene pessoal
- Deixar de manter uma alimentação equilibrada, comendo apenas doces e hidratos de carbono
- Tentar comer objetos e pôr coisas na boca compulsivamente
- Crescente dependência de outros no dia a dia
- Em casos raros, alucinações e sintomas psicóticos

  
**Problemas de linguagem**

- Crescente dificuldade em compreender e usar linguagem escrita e falada, tendo problemas em encontrar as palavras corretas ou nomear objetos
- Usar pronomes ou outras palavras mais genéricas para evitar usar a palavra específica, por dificuldade em encontrá-la e perda de vocabulário
- Discurso telegráfico e hesitante
- Erros na construção de frases
- Em alguns casos, esquecimento do significado de algumas palavras

**Problemas motores**

- Tremores
- Rigidez
- Espasmos musculares
- Má coordenação
- Dificuldade em engolir
- Riso e choro incontrolável
- Problemas de locomoção e quedas
- Apraxia

## Como se desenvolvem estas doenças?

A investigação científica associa estas doenças ao desenvolvimento anormal de algumas proteínas no cérebro (como a TAU). Estas proteínas acumulam-se, o que se julga levar à morte de células cerebrais. Neste sentido, acontece simultaneamente uma acumulação destas substâncias e uma diminuição do tamanho dos lobos cerebrais afetados.

Ao contrário de outros tipos de demência, as demências frontotemporais têm um fator hereditário relevante, apesar de não se conhecer profundamente o seu papel no desenvolvimento de demência frontotemporal. Estas doenças tendem a manifestar-se em pessoas entre os 45 e 65 anos, apesar de poderem revelar-se em pessoas de todas as idades.

## Quais são os tratamentos?

As demências frontotemporais não têm cura neste momento, mas há formas de controlar alguns sintomas e técnicas para viver com estas doenças:

- Medicação: para alguns problemas comportamentais
- Fisioterapia e terapia ocupacional: para contornar problemas físicos e adaptar o dia a dia e os espaços do doente à sua condição física
- Atividades e grupos direcionados para pessoas com demência: formas de estimular a memória e aconselhar os doentes e os seus cuidadores
- Grupos de apoio para cuidadores e familiares: partilhar experiências sobre viver com pessoas com demência, desenvolver técnicas

## Como se diagnosticam estas doenças?

Para o diagnóstico destas doenças são essenciais os relatos dos sintomas, muitas vezes apenas percecionados pelos familiares e pessoas mais próximas do doente. Há ainda alguns exames que o médico especialista pode necessitar para auxiliar no diagnóstico:

- Avaliação do estado neurológico (como reflexos ou tónus muscular)
- Avaliação neuropsicológica, onde se inclui a memória, capacidade de resolver problemas, linguagem
- Exames imagiológicos como ressonâncias magnéticas e TACs
- Punção lombar, para excluir a possibilidade de doença de Alzheimer
- Análises ao sangue, para excluir doenças com sintomas semelhantes



 

 





Fontes:

Acta Médica Portuguesa, março de 2023

*Alzheimer's Association*, março de 2023

*Alzheimer's Society*, março de 2023

*Dementia.org*, março de 2023

NHS, março de 2023



 



 

 



 

Publicado a 03/04/2023

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