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2. O que deve saber sobre síndrome metabólica
 
 

 # O que deve saber sobre síndrome metabólica

 

 

 



 

 

Coração

Prevenção e bem-estar

 

 6 mins leitura 

 

 

Em Portugal, a síndrome metabólica afeta mais de 1/3 da população. Saiba em que consiste este problema de saúde e qual o tratamento.



A síndrome metabólica é um problema grave de saúde pública, de grande prevalência, afetando mais de um terço da população portuguesa adulta. Não provoca sintomas precocemente, podendo a única “pista” visível da sua existência ser o aumento do perímetro do abdómen, que vai ficando proeminente.

Então, o que é exatamente a síndrome metabólica? Esta síndrome consiste num conjunto de fatores de risco metabólicos que aumentam a probabilidade de desenvolver problemas cardiovasculares, como o enfarte do miocárdio (ataque cardíaco) e acidente vascular cerebral (AVC), e diabetes tipo 2, tendo sempre por causa o desenvolvimento de obesidade abdominal.

## Fatores de risco da síndrome metabólica

- Excesso de peso e obesidade
- Resistência à insulina (ocorre quando o nosso organismo se torna mais resistente a esta hormona, resultando num aumento dos níveis de açúcar no sangue)
- Sedentarismo
- Fatores genéticos
- Envelhecimento
- Disfunções endócrinas, como problemas de tiroide

## Diagnóstico da síndrome metabólica

Uma pessoa é diagnosticada com síndrome metabólica quando se verificam três ou mais dos cinco seguintes fatores:

- Níveis elevados de açúcar no sangue em jejum (glicemia &gt; 100 mg/dl)
- Valores baixos de colesterol HDL, o “bom” colesterol (&lt; 40-50 mg/dl)
- Níveis elevados de triglicéridos (&gt; 150 mg/dl)
- Obesidade abdominal: perímetro abdominal (&gt; 102 cm no homem e 88 cm na mulher) devido à acumulação de gordura visceral, isto é, à volta dos órgãos internos do abdómen)
- Hipertensão arterial (&gt; 135/ 85 mmHg)

Cada um destes problemas é por si só um fator de risco para doença cardiovascular, mas o diagnóstico de síndrome metabólica aumenta a probabilidade de problemas cardiovasculares.

**Sabia que...**

A gordura visceral é o tipo de gordura abdominal mais perigoso e significa risco grave de eventos cardiovasculares.

### Hipertensão arterial

A pressão arterial reflete a força que o sangue exerce nas paredes dos vasos sanguíneos quando está a circular pelo nosso corpo.

É importante estar atento aos seus níveis de pressão arterial:

- 120/60 mmHg: pressão arterial saudável.
- Acima de &gt; 135-140 / 85-90 mmHg: quando são registados valores acima deste limite por várias medições consecutivas (em pelo menos três ocasiões distintas), considera-se que a pessoa tem hipertensão arterial.
- 130/80 mmHg: em pessoas diagnosticadas com síndrome metabólica, com diabetes, os níveis limite para hipertensão arterial são mais baixos, mais restritivos.

Quando a pressão arterial está elevada, o coração tem de se esforçar mais para bombear o sangue, o que pode aumentar o risco de alguns problemas de saúde, como, por exemplo, de AVC e enfarte do miocárdio.

Caso os seus níveis de pressão arterial estejam acima do ideal, o seu médico assistente poderá recomendar alterações a nível de estilo de vida - como ser mais ativo, adotar uma alimentação saudável (rica em fruta, vegetais, cereais integrais e fibra e pobre em gordura saturada e sal), manter um peso saudável, deixar de fumar e beber álcool e eventualmente prescrever medicação para controlar a pressão arterial.

### Dislipidemia

Uma alteração no metabolismo dos lípidos (gorduras) do nosso organismo - o chamado colesterol -, a dislipidemia aumenta o risco de síndrome metabólica.

Existem dois tipos de colesterol: o HDL (colesterol “bom”) e o LDL (colesterol “mau”). Níveis muitos baixos de colesterol HDL são mais comuns na síndrome metabólica, assim como mais graves. Valores baixos de HDL estão muitas vezes associados a níveis de triglicéridos acima do normal (iguais ou superiores a 150 mg/dl).

Pessoas que sofrem de dislipidemia têm também muitas vezes excesso de peso.

### Diabetes tipo 2

A insulina é uma hormona produzida pelo pâncreas, responsável pelo controlo dos níveis de açúcar no sangue. A resistência à insulina é mais comum em pessoas obesas, sobretudo em casos em que há acumulação de gordura visceral. Quando desenvolvemos resistência à insulina, o pâncreas tem de produzir maiores quantidades para manter o açúcar sob controlo, o que coloca cada vez mais pressão neste órgão endócrino. Consequentemente, o pâncreas não consegue produzir quantidades necessárias de insulina e os níveis de açúcar no sangue mantêm-se elevados. A resistência à insulina (ou pré-diabetes) é o estádio que precede a diabetes tipo 2 e no qual ainda é possível prevenir esta doença.

A diabetes tipo 2 é outro dos problemas que está muitas vezes associado à síndrome metabólica. Quando os níveis de açúcar no sangue estão muito elevados, podem ocorrer danos nos vasos sanguíneos, sobretudo nos de menor calibre, como os vasos dos olhos, nervos e rins. A diabetes aumenta também o risco de doenças cardiovasculares, como AVC e enfarte do miocárdio.

### Obesidade

A obesidade abdominal - quando a gordura se acumula na zona da barriga - aumenta os níveis de colesterol e o risco de desenvolver diabetes e síndrome metabólica.

Uma boa forma de perceber se sofre deste tipo de obesidade consiste na avaliação do perímetro abdominal. Use uma fita métrica e coloque-a à volta da zona da cintura, no ponto mais largo (por volta da zona do umbigo). Considera-se que a pessoa tem excesso de gordura abdominal quando o perímetro abdominal excede os 102 cm no homem e 88 cm na mulher.

## Tratamento da síndrome metabólica

A medida fundamental do tratamento da síndrome metabólica está na perda de peso, que deve ser de pelo menos 10% em pessoas com excesso de peso ou obesas, e/ou atingir um índice de massa corporal abaixo de 25 kg/m2. Para isso, é importante adotar uma alimentação saudável, pobre em gordura e açúcar, com um elevado teor de fibra e que inclua cereais integrais, fruta, legumes e peixe. Os hidratos de carbono devem corresponder a não mais do que 50% das calorias diárias. Deve também reduzir a ingestão de álcool e implementar um aumento da atividade física - pelo menos, 30 minutos diários de intensidade moderada, como uma caminhada de passo ligeiro. O aumento da atividade física pode ajudar a melhorar a sensibilidade à insulina.

Pessoas fumadoras com síndrome metabólica devem deixar de fumar, pois o abandono deste hábito contribui para a redução da resistência à insulina e da inflamação crónica.

Adicionalmente à mudança para um estilo de vida mais saudável, pode ser necessária a toma de medicação, por exemplo, para baixar o colesterol, antidiabéticos, anti-hipertensores ou antiagregantes plaquetários.



 

 





Fontes:

*American Heart Association*, agosto de 2021

Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal, agosto de 2021

*Cleveland* *Clinic*, agosto de 2021

Fundação Portuguesa de Cardiologia, agosto de 2021

*Heart UK*, agosto de 2021

*National Health Service*, agosto de 2021



 



 

 



 

Publicado a 02/11/2021

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