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2. A dor é igual para todos?
 
  

 # A dor é igual para todos?

 

 

 



 

 

Dor

 

 5 mins leitura 

 

 

Não. A forma como o nosso cérebro percebe a dor vai influenciar a forma como a sentimos. A autoavaliação é essencial para ajudar o diagnóstico médico.



A dor constitui uma sensação (muito) desagradável, mas que pode funcionar como um alerta de que algo não está bem com o nosso corpo e que devemos agir para nos protegermos.

A questão é que nem todos temos a mesma perceção da dor: o que para uns é uma dor suportável, para outros pode não ser assim. É por isso que existem vários métodos para descrever e quantificar a dor, incluindo escalas de fácil utilização, para crianças e adultos, que permitem quantificar e caracterizar com pormenor a dor que sentimos.

## O que é a dor?

A dor aguda é uma sensação desagradável que está associada a danos nos tecidos do nosso corpo e o seu principal objetivo é avisar que algo de errado se passa e devemos agir para evitar danos mais extensos; pode ser intensa e normalmente é de curta duração. Neste caso, o tratamento do problema que a origina acaba por tratá-la também.

Por outro lado, a dor crónica tem uma duração mais prolongada - pelo menos 3-6 meses -, pode ser moderada ou severa, e ser contínua (como na artrite) ou intermitente (como nas enxaquecas). Não representa qualquer vantagem para o paciente e, pelo contrário, tem repercussões no bem-estar físico e psicológico, tornando-se ela própria uma doença. A dor crónica pode, por exemplo, causar alterações do sistema imunitário, diminuindo as defesas do organismo, insónias, ansiedade e depressão.

## Porque é que sentimos dor?

Imagine que a dor não existe e coloca a sua mão numa panela quente. O que vai acontecer? Se o seu corpo não puder saber que algo de errado e perigoso se passa vai originar uma queimadura grave. Este é o papel protetor da dor aguda.

Num cenário normal, em que a dor existe, quando coloca a mão na panela quente, os nervos (células que ajudam o corpo a receber e a transmitir informação) detetam a ocorrência de algum tipo de dano nos tecidos do corpo, gerando um sinal transmitido até ao nosso cérebro, que o vai interpretar. É nesse momento que sentimos a desagradável sensação de dor e afastamos a mão, prevenindo mais danos. Resumindo: a dor aguda é um mecanismo de defesa.

Inclusivamente o próprio cérebro tenta diminuir o sofrimento e também liberta substâncias que podem amenizar os efeitos da dor - as chamadas endorfinas.

## A dor pode ser um sinal de alerta. Mas porquê?

A dor é muitas vezes um sintoma de um problema de saúde. Isto significa que os profissionais de saúde interpretam a dor que o paciente descreve de modo a perceber o que se passa de errado com a sua saúde e assim tratá-lo. Por exemplo, uma dor de barriga pode ser sinal de apendicite aguda ou uma dor de garganta poderá ser sinal de uma amigdalite.

## Nem todos sentimos a dor de forma igual

É, por isso, muito importante que o paciente descreva todos os pormenores e características da dor que sente ao seu médico assistente, nomeadamente:

- Tipo de dor: ardor, picadas, queimadura, cólica, etc.
- Localização da dor: dor no peito, nas costas, no pé, etc.
- A dor irradia? Por exemplo: começa no peito e passa para as costas ou para o braço?
- Fatores que agravam ou aliviam a dor: por exemplo - a dor de barriga que melhora se colocar gelo ou a dor nas costas que melhora se colocar um saco de água quente.
- Horário da dor: horas do dia ou da noite em que sente dor; sente dor permanente? Sente dor por exemplo durante o período menstrual?
- Impacto nas suas tarefas do dia-a-dia: tem dor em repouso? Acorda com dor? A dor não lhe permite trabalhar?

## Formas de quantificar a dor

Os profissionais de saúde dispõem de instrumentos de uso simples para identificar e quantificar a dor, que permitem ajustar o tratamento à intensidade e ao tipo de dor: as escalas de dor.

Existem diferentes tipos de escalas e são utilizáveis em adultos, bebés, crianças, pessoas com deficiência e idosos com alterações cognitivas, quer na dor aguda quer na dor crónica. As mais utilizadas são:

- **Escalas numéricas:** classificam a dor numa escala de 0 (ausência de dor) a 10 (dor insuportável). É muito útil para avaliar a evolução da dor, por exemplo, na resposta a tratamentos ou na progressão da doença.
- **Escala de faces:** é constituída por uma série de "caras" que expressam, numa das extremidades, o sentimento de sofrimento (cara chorosa - dor máxima) e na oposta felicidade (um *smile* - ausência de dor). É normalmente usada em crianças e também pode ser usada em pessoas com défices cognitivos ou idosos com dificuldade em expressarem-se.

**Sabia que…**

A dor é considerada o 5º sinal vital: a caracterização da dor é sempre realizada na avaliação de um paciente, tal como a temperatura, frequência cardíaca, pressão arterial e frequência respiratória.



 

 



 

Publicado a 14/08/2020

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