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 # O desporto contra a diástase abdominal

 

 

 



 

 

Gravidez

 

 4 mins leitura 

 

 

Pode ocorrer durante a gravidez, mas, por vezes, permanece para além do que seria suposto. O exercício físico pode ser um aliado contra a diástase abdominal.



Durante a gravidez, mais precisamente na segunda metade da gestação, o aumento do volume abdominal leva a que os dois músculos abdominais paralelos, que vão do peito à pélvis, se separem. Esta alteração é normal e denomina-se diástase abdominal. Regra geral, desaparece cerca de oito semanas após o nascimento do bebé sem que seja necessária qualquer medida específica.

Contudo, existem casos em que o afastamento dos músculos permanece - uma em cada três mulheres ainda continua afetada por este problema 12 meses após o parto - com consequências ao nível da autoestima das mulheres, mas não só.

Ter mais do que um filho aumenta a probabilidade de se ter diástase abdominal, especialmente se as crianças tiverem pouca diferença de idade, assim como engravidar após os 35 anos. O risco também aumenta no caso de uma gravidez de gémeos ou de bebés mais pesados.

## Porque acontece

A diástase abdominal ocorre porque no decurso da gravidez a pressão abdominal vai aumentando, levando a alterações dos músculos do abdómen, que se tornam mais longos e frágeis. As alterações hormonais que ocorrem nesta fase e o aumento do peso também podem contribuir para o seu desenvolvimento.

Além disso, esta alteração anatómica é também uma espécie de mecanismo de defesa, que permite que os músculos acompanhem o crescimento do bebé no útero e não “rasguem”.

## Consequências para a saúde

Quando os músculos abdominais se afastam, o útero, intestinos e outros órgãos ficam protegidos por apenas uma fina camada de tecido. Em casos extremos, isto pode levar a uma ruptura dos tecidos, provocando uma hérnia.

Algumas das consequências mais comuns da diástase abdominal incluem:

- Dores de costas, sobretudo na região lombar, por falta de suporte muscular
- Obstipação
- Perdas involuntárias de urina
- Dificuldade em respirar
- Dificuldade em mover-se normalmente

## Aprenda a identificar a diástase abdominal

A existência de diástase abdominal varia de mulher para mulher mas, após o nascimento do bebé, existe uma forma de facilmente avaliá-lo: deite-se no chão com as pernas dobradas, levante os ombros do chão olhando para a barriga e, com as pontas dos dedos, palpe os músculos acima e abaixo do umbigo e avalie se existe um intervalo entre eles; verifique quantos dedos cabem nesse intervalo. Um intervalo de um a dois dedos é considerado normal.

Recorrer a esta técnica com regularidade vai ajudá-la a perceber se a separação dos dois músculos está a diminuir.

O seu médico assistente também poderá avaliar e medir a diástase abdominal na consulta utilizando uma fita métrica ou, eventualmente, recorrendo à ecografia.

## Desporto no pós-parto: porque é importante

É fundamental voltar a unir estes músculos, especialmente antes de uma nova gravidez. A prática de exercício físico é muito importante mas requer alguns cuidados.

É, por isso, muito importante que consulte o seu médico assistente, que a poderá encaminhar para um programa de fisioterapia, sobretudo nos casos de uma diástase mais pronunciada, que inclua tipos de exercício mais adequados e onde será acompanhada na sua realização.

## Aposte no reforço da parede abdominal

Faça exercícios que reforcem os músculos abdominais profundos, sem que sejam demasiado intensos. Por exemplo:

1. Comece o exercício numa das seguintes posições: deitada de lado ou de costas, sentada, de pé ou de gatas
2. Encolha a parte inferior da barriga em direção à coluna vertebral, mantendo esta posição durante 5-10 segundos enquanto respira normalmente
3. Descanse e repita 8-12 vezes
4. Repita esta série três vezes por dia, todos os dias

## Exercícios a evitar

Até que a diástase abdominal tenha desaparecido completamente, evite fazer agachamentos, flexões e pranchas, pois podem agravar o seu problema. O mesmo se pode aplicar a algumas posições de ioga (como o “downward dog”) e à natação. Também não é recomendável levantar objetos mais pesados que o seu bebé, esforçando demasiado os músculos fragilizados ou executar movimentos que façam com que a barriga fique saliente.

Após a recuperação, quando estes músculos abdominais estiverem novamente unidos, existem modalidades, como o Pilates, que podem ajudar a fortalecer a parede abdominal por reforço do músculo transverso abdominal (músculo profundo, que é uma espécie de cinta que envolve o tronco entre as costelas e a pélvis), evitando o esforço dos músculos abdominais mais superficiais.



 

 



 

Publicado a 30/04/2019

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