##  [COVID-19 e doença cardíaca: saiba como atuar](/mais-saude/covid-19-e-doenca-cardiaca-saiba-como-atuar) 

 
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 # COVID-19 e doença cardíaca: saiba como atuar

 

 

 



 

 

Coração

COVID-19

Doenças crónicas

 

 5 mins leitura 

Escrito por:

 [ ![Luis Ferreira dos Santos ](/sites/portalcuf/files/styles/professional_resume/public/media/image/2020-10/45030.jpg?itok=Qo8JhxrS) 

Luís Ferreira dos Santos , 

Cardiologista

 

 

 ](/medicos/luis-ferreira-dos-santos)

 

 

 

 

Os doentes cardíacos devem adotar cuidados redobrados em tempos de COVID-19, mas não devem deixar de pedir ajuda sempre que necessário.



Se, por um lado, sabemos que a COVID-19 representa risco acrescido para doentes cardíacos ou com fatores de risco cardiovascular, por outro, sabemos que as medidas de confinamento e isolamento social a que fomos sujeitos não devem ser motivo para que as pessoas não recorram aos serviços de urgência das instituições de saúde. As outras doenças continuam a existir e muitas como as síndromes coronárias agudas (enfartes do miocárdio) ou arritmias graves não tratadas de imediato podem ter pior evolução clínica e prognóstico que a COVID-19.

## Sobre os coronavírus

Os coronavírus são um grupo de vírus conhecidos há mais de cinquenta anos e a maioria das pessoas tem contacto com eles durante a vida por infeções do sistema respiratório, seja pela forma de constipações ou pneumonias. Dentro dos coronavírus, destaca-se com maior relevância clínica o SARS-CoV que originou uma epidemia em 2002-2003, o MERS-CoV que apareceu em 2012 e causou casos esporádicos e agora, a partir de dezembro de 2019, o SARS-CoV-2 (também chamado de “novo” coronavírus) e que origina a doença designada COVID-19.

## Como se manifesta a COVID-19

Nem todos os casos confirmados de COVID-19 necessitam de internamento - 80% dos casos conhecidos apresentam doença ligeira, com febre, pingo no nariz, dores de cabeça e mialgias. Recentemente, foi também verificada perda do olfato e, em alguns, casos a perda do paladar, como sintoma possível e por vezes único da doença.

Em 15% dos casos, a evolução clínica é mais grave, com pneumonia e dificuldade respiratória, precisando o doente de ser internado. 5% podem eventualmente precisar de cuidados intensivos e assistência respiratória com ventilação.

## COVID-19 e doença cardíaca

Dos doentes que morreram por COVID-19, muitos apresentam doença coronária conhecida, com elevada prevalência também de diabetes e hipertensão, o que indicia que a patologia cardiovascular ou metabólica prévia pode constituir um subgrupo de risco para evolução maligna desta doença.

Desta forma, é recomendado pela Sociedade Portuguesa de Cardiologia que:

1. Os doentes com patologia cardiovascular considerada pelo médico assistente como de risco elevado de complicações/mortalidade na infeção COVID-19, sobretudo se associada a idade superior a 60 anos e/ou outras comorbilidades, devem beneficiar de proteção legal de isolamento social no domicílio.
2. Devem ser consideradas como de risco elevado de complicações/mortalidade na infeção COVID-19 as seguintes cardiopatias:

- Cardiopatia sintomática (NYHA, CCS, EHRA ≥2)
- Presença isolada de: 
    - Status após transplante cardíaco
    - Doença cardíaca a aguardar intervenção percutânea/cirurgia
    - Enfarte agudo do miocárdio ou cirurgia cardíaca há menos de 1 ano
    - Status após CDI/CRT
    - Angioplastia coronária há menos de 3 meses
    - Doença valvular grave
    - Disfunção sistólica ventricular esquerda grave (FEVE&lt;40%)
    - Miocardiopatias e canalopatias
    - Hipertensão pulmonar grave (PSAP &gt; 50 mmHg)
    - Cardiopatia congénita do adulto não corrigida

## Medicação para patologia cardíaca e tratamento para a COVID-19

Muitos doentes com patologia cardíaca (por exemplo, após enfarte do miocárdio ou insuficiência cardíaca) e/ou hipertensão arterial estão medicados com fármacos da família dos iECA (inibidores da enzima de conversão da angiotensina) ou da família dos ARA (antagonistas do recetor da angiotensina) e foi colocada a hipótese de que estes fármacos possam ter interferência positiva ou negativa na evolução da doença cardíaca. O que sabemos é que o novo coronavírus se liga ao recetor “enzima conversora da angiotensina 2”, que é predominante no aparelho respiratório inferior e torna assim possível a invasão dos pulmões. Os doentes cronicamente medicados com estes fármacos podem ter reativamente um número alterado de recetores disponíveis e isso condicionar uma resposta diferente à doença, mas é ainda prematuro qualquer afirmação definitiva.

## A importância de manter os tratamentos prescritos

Por agora, o que é certo e unânime é o que os doentes devem continuar a fazer os tratamentos do âmbito da cardiologia com os fármacos que habitualmente tomam, pois não há qualquer evidência de que a interrupção destas moléculas atenue a gravidade da COVID-19, existindo até publicações a sugerir que estes medicamentos possam atenuar a severidade da doença e que a sua interrupção pelo exacerbamento da doença cardíaca ou renal conduza a aumento da mortalidade.

## Se necessário, não deixe de consultar o seu médico

As medidas de confinamento e isolamento social a que fomos sujeitos não devem, no entanto, ser motivo para que as pessoas não recorram aos serviços de urgência das instituições de saúde. As outras doenças continuam a existir e muitas como as síndromes coronárias agudas (enfartes do miocárdio) ou arritmias graves não tratadas de imediato podem ter pior evolução clínica e prognóstico que a COVID-19.

Desta forma, qualquer sintoma referido ao aparelho cardiovascular como a dor torácica súbita ou falta de ar para esforços pequenos, o desmaio, a sensação sustentada de batimentos cardíacos inapropriados deve fazer com que o doente recorra de imediato a cuidados de saúde, para poder tratar tudo o que é urgente, importante e não relacionado com COVID-19.



 

 



 

Publicado a 06/05/2020

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