##  [Como tratar a obesidade?](/mais-saude/como-tratar-obesidade) 

 
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2. Como tratar a obesidade?
 
 

 # Como tratar a obesidade?

 

 

 



 

 

Doenças crónicas

Prevenção e bem-estar

 

 9 mins leitura 

 

 

O tratamento da obesidade é multifacetado, podendo incluir alterações de estilo de vida, medicação e até técnicas cirúrgicas. Conheça as diferentes abordagens.



A obesidade é uma doença crónica caracterizada pela acumulação excessiva de gordura corporal associada a várias causas - os hábitos de vida sedentários e uma má alimentação são duas das principais. Reduzida atividade física, alimentos e refeições de baixa qualidade nutricional e o *stress* contribuem para que a obesidade se torne um problema de saúde pública, uma pandemia no mundo ocidental, afetando de modo crescente crianças e jovens.

Em Portugal, mais de um quarto da população adulta tem excesso de peso e mais de dois milhões de pessoas vivem com obesidade, segundo a Direção-Geral da Saúde. Dados recentes do Instituto Nacional de Estatística mostram ainda que, em Portugal, em 2022, 15,9 % das pessoas com mais de 18 anos sofriam de obesidade, verificando-se a percentagem mais alta entre os 45 e os 64 anos (19,1 %) e os 65 e 74 anos (21,3 %). Por sexo, apesar de haver mais homens obesos (16,1 %), com um pico entre os 45 e os 64 anos (20,9%), a percentagem de mulheres era superior na faixa etária seguinte (23,5%).

Na base do tratamento da obesidade está a alteração de estilo de vida, com a implementação de atividade física regular e escolhas alimentares saudáveis e equilibradas e, quando indicado pelo médico, medicação e cirurgia bariátrica, sempre adaptadas a cada doente de forma a permitir uma [perda de peso](/mais-saude/beneficios-da-perda-de-peso-para-sua-saude) controlada e a longo prazo. Um peso adequado permite melhorar o estado de saúde geral e reduz o risco de complicações associadas à obesidade, como o risco cardiovascular, a esteatose hepática ([fígado gordo](/saude-a-z/figado-gordo)), complicações respiratórias como a apneia do sono e doença osteoarticular.

Entende-se atualmente a obesidade como uma doença crónica e recidivante, em que componentes genéticas e alterações metabólicas desempenham um papel decisivo, associadas a escolhas individuais e de estilo de vida que condicionam um balanço energético positivo entre a energia ingerida e a energia gasta criando um aumento do peso corporal.

## Riscos da obesidade

O excesso de peso é prejudicial à saúde mesmo nas situações de pré-obesidade. Segundo a Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEMD), a obesidade aumenta o risco de doenças como: ​​hipertensão arterial e patologia cardiovascular, [dislipidemia](/saude-a-z/dislipidemia), apneia obstrutiva do sono, diabetes tipo 2, doenças gastrointestinais e hepáticas, artroses, depressão, cancro (mama, endométrio, próstata) e infertilidade (feminina e masculina). O risco é avaliado em função do índice de massa corporal (IMC):



 

 





 ![Tabela com níveis de obesidade.](/sites/portalcuf/files/styles/max_width_1050px/public/media/image/2026-03/tabela_obesidade.png?itok=EZOvcbl1)

 



 



Fatores como a distribuição da gordura, que pode estar concentrada no perímetro abdominal, condicionam o nível de risco. No caso da [gordura abdominal](/mais-saude/gordura-visceral), o risco é elevado quando a circunferência da cintura ultrapassa os 80 cm nas mulheres e 94 cm nos homens; e torna-se muito elevado quando essa medida passa os 88 cm nas mulheres e 102 cm nos homens.

## Alteração de hábitos de vida é o primeiro passo

A mudança de hábitos alimentares, de atividade física está na base do tratamento da [obesidade e do excesso de peso](/mais-saude/5-perguntas-sobre-obesidade). Para tornar todo o processo mais fácil, siga sempre as recomendações do seu médico assistente.

### Alimentação

Adotar uma alimentação mais baixa em calorias e mais saudável é muitas vezes o primeiro passo no tratamento da obesidade e do excesso de peso. As regras a seguir devem ser sempre as implementadas pela equipa de cuidados médicos do doente.

Inicialmente, a perda de peso pode ocorrer mais rapidamente, contudo, a forma mais segura de fazê-lo e que permite manter os resultados a longo prazo consiste numa perda de peso estável e gradual. Deste modo, as pessoas que estão a tentar [perder peso](/mais-saude/10-dicas-para-emagrecer-de-forma-equilibrada) devem evitar dietas muito radicais, pois é pouco provável que consigam manter a perda de peso de forma permanente.

Não existe uma fórmula universal para a perda de peso. As alterações a nível de alimentação devem ser sempre individualizadas e podem incluir:

- Reduzir o número de calorias ingeridas;
- Fazer escolhas mais saciantes e menos calóricas, como, por exemplo, trocar as sobremesas e doces pela fruta e vegetais;
- Adotar uma dieta mais saudável, rica em vegetais, fruta, e cereais integrais e que inclua [leguminosas](/mais-saude/leguminosas-importancia-de-ter-no-prato), carnes magras e peixe;
- Limitar a ingestão de sal e açúcar adicionado;
- Consumir pequenas quantidades de gordura saudável, como azeite;
- Reduzir o consumo de alguns grupos de alimentos, como alimentos ricos em hidratos de carbono ou em gordura e alimentos processados.

**Atenção!**

Após um período de excessos alimentares - algo que é normal que possa acontecer -, por exemplo, numa festa, volte ao seu regime alimentar assim que possível.

### Exercício físico

A prática de exercício físico está na base do tratamento. As pessoas que sofrem de obesidade ou excesso de peso devem fazer atividade física regular a par da adoção de uma alimentação saudável.

Pessoas obesas devem praticar pelo menos 150 minutos de atividade física moderada por semana não só para manter a perda de peso alcançada como para prevenir o aumento de peso. Porém, este número deve ser adequado a cada pessoa e fase do tratamento.

Acima de tudo, é importante que seja uma pessoa ativa, mesmo quando não está a treinar. Para isso basta que coloque em prática pequenos gestos como estacionar o carro mais longe da porta do supermercado, tratar das tarefas domésticas e até usar um pedómetro, para saber quantos passos dá por dia.

## Medicamentos: opções disponíveis

Nos casos em que as alterações da alimentação e atividade física não são suficientes, poderão ser prescritos medicamentos no tratamento do excesso de peso e [obesidade](/saude-a-z/obesidade). Contudo, o doente deve cumprir adicionalmente pelo menos um dos seguintes critérios: ter um IMC de 30 ou mais; ou ter um IMC superior a 27 e uma complicação associada à obesidade, como diabetes, pressão arterial elevada ou apneia do sono. O IMC é calculado dividindo o peso pela altura em m².

O objetivo deste tipo de medicação passa, por exemplo, por reduzir a fome e falta de saciedade, ajudando o doente a seguir uma dieta pouco calórica. Atualmente, uma das abordagens mais inovadoras e eficazes baseia-se nos agonistas dos recetores do GLP-1 (como o liraglutido ou o semaglutido). Estes fármacos, tipicamente injetáveis, mimetizam uma hormona produzida naturalmente pelo intestino que atua no cérebro para regular o apetite e atrasar o esvaziamento do estômago, promovendo uma saciedade precoce e prolongada. Existem também medicamentos que impedem a absorção de parte da gordura dos alimentos pelo corpo, sendo esta eliminada através das fezes.

Durante a toma da medicação, os doentes devem ser vigiados pelo médico. É também importante ter em consideração que estes medicamentos não são adequados a todos os casos, têm riscos e que após a sua suspensão o doente pode recuperar algum do peso perdido ou até a sua totalidade.

## Técnicas cirúrgicas menos invasivas

No tratamento da obesidade, existem alguns procedimentos pouco invasivos, realizados sob [anestesia geral](/mais-saude/diferentes-tipos-de-anestesia), não envolvendo quaisquer incisões na pele. Estes são realizados através de endoscopia (como por exemplo a [gastroplastia endoscópica](/saude-a-z/gastroplastia-endoscopica)): é inserido um tubo flexível e instrumentos através da boca até ao estômago.

As técnicas utilizadas são várias, como dar alguns pontos no estômago de forma a reduzir o seu tamanho e a quantidade de comida que conseguimos ingerir ou inserir um pequeno balão no estômago que limita o espaço disponível no interior deste órgão.

Habitualmente, estes procedimentos são utilizados em pessoas com um IMC igual ou superior a 30, quando a [dieta](/mais-saude/nao-consegue-perder-peso-10-erros-comuns-de-quem-faz-dieta) e a prática de exercício físico por si só não se mostraram eficazes.

## Em que casos recorrer à cirurgia

Nem todas as pessoas com obesidade são candidatas à cirurgia bariátrica. Os critérios para fazer este tipo de intervenção são:

- Ter um IMC superior a 40;
- Ter um IMC superior a 35 e doenças associadas à obesidade, como [diabetes](/saude-a-z/diabetes), [hipertensão](/saude-a-z/hipertensao-arterial), [apneia de sono](/saude-a-z/apneia-do-sono), problemas do foro ortopédico ou do sistema vascular periférico, entre outros;
- Ter um IMC entre 30 e 35 e diabetes do tipo 2, quando não se consegue fazer um controlo metabólico através de outras medidas ou tratamento.

Além disso, esta é uma opção quando outras formas de tratamento não funcionaram. No entanto, o doente deve ainda comprometer-se a fazer mudanças a nível de estilo de vida para que a cirurgia tenha sucesso.

**Sabia que…**

A [cirurgia metabólica](/mais-saude/diferentes-tecnicas-da-cirurgia-da-obesidade-e-diabetes) permite realizar o tratamento cirúrgico da obesidade e diabetes através do mesmo procedimento.

## Cirurgia bariátrica

Este tipo de cirurgia limita a quantidade de comida que conseguimos ingerir ou reduz a absorção dos alimentos e calorias. Pode também ter ambos os efeitos. A [cirurgia bariátrica](/mais-saude/cirurgia-no-tratamento-da-obesidade) pode ajudar pessoas com obesidade a perder mais de 50 % do seu peso corporal em excesso. Esta não é, no entanto, uma garantia de que o doente vai perder todo o peso a mais ou que vai conseguir manter esses resultados a longo prazo. Para isso, as mudanças de hábitos de vida são fundamentais.

Alguns tipos de cirurgia bariátrica são:

- ***Bypass* gástrico** - nesta técnica é feita uma redução da parte superior do estômago, produzindo um novo estômago menor (*pouch*) e um desvio do intestino em forma de um Y. Este procedimento visa a redução do volume do estômago, diminui a absorção de calorias e promove o aumento de hormonas que dão saciedade, diminuindo assim a sensação de fome;
- **Derivação biliopancreática por *switch* duodenal** - técnica mista que combina a redução do estômago com um desvio intestinal extenso. Ao limitar a absorção de gorduras e calorias, é eficaz em casos de obesidade severa, exigindo vigilância nutricional rigorosa e vitalícia;
- ***Sleeve* gástrico (gastrectomia vertical)** - neste procedimento, uma grande parte do estômago é removida. Apenas um tubo ao longo da pequena curva do estômago permanece como uma ligação entre o esófago e o intestino, com as dimensões de uma banana. A ingestão de calorias é reduzida e a sensação de saciedade é mais rápida, tanto pela redução da capacidade do estômago, como pelo facto de se reduzir a produção de hormonas como a grelina.

## O papel da saúde mental

Para um sucesso sustentado, o tratamento deve incluir o acompanhamento psicológico e o foco na saúde mental. Esta intervenção é essencial para gerir comportamentos alimentares emocionais, como o comer compulsivo, e para manter a motivação perante as mudanças de rotina. Além de facilitar a adesão às novas escolhas alimentares e à atividade física, o apoio especializado ajuda a prevenir recidivas, garantindo resultados a longo prazo.

## Qual o médico especialista que deve procurar para tratar a obesidade?

O tratamento da obesidade deve ter uma abordagem multidisciplinar: procure aconselhamento junto do seu [médico de família](/especialidades/medicina-geral-e-familiar), que o pode encaminhar para o [endocrinologista](/especialidades/endocrinologia), [nutricionista](/especialidades/nutricao), [psiquiatra](/especialidades/psiquiatria) ou [psicólogo](/especialidades/psicologia-clinica), ou eventualmente para o [cirurgião geral](/especialidades/cirurgia-geral).



 

 



Testemunhos de pessoas reais

 

O tratamento da obesidade de Dora Cruz contribuiu para uma vida mais ativa



 [A história de Dora](/tratar-obesidade-para-uma-vida-ativa) 

 

 

O tratamento da obesidade de José ajudou-o a recuperar uma vida sem limitações



 [A história de José](/tratar-obesidade-e-recuperar-uma-vida-sem-limitacoes) 

 

 

 

 

 

 





Fontes:

*American Society for Metabolic and Bariatric Surgery*

Direção-Geral da Saúde

*European Association for the Study of Obesity*

*European Medicines Agency*

*Food and Drug Administration*

INE

INFARMED

*International Federation for the Surgery of Obesity*

*Mayo Clinic*

*National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases*

NHS

Organização Mundial da Saúde

Ordem dos Psicólogos Portugueses

Serviço Nacional de Saúde

Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo

Sociedade Portuguesa de Cirurgia de Obesidade

Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade

*World Obesity Federation*



 



 

 



 

Publicado a 04/03/2026

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