##  [Cancro do reto: da prevenção ao tratamento](/mais-saude/cancro-do-reto-da-prevencao-ao-tratamento) 

 
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2. Cancro do reto: da prevenção ao tratamento
 
 

 # Cancro do reto: da prevenção ao tratamento

 

 

 



 

 

Cancro

 

 7 mins leitura 

Escrito por:

 [ ![António Quintela](/sites/portalcuf/files/styles/professional_resume/public/media/image/2020-08/27252.jpg?itok=OvRFJP29) 

António Quintela , 

Oncologista

 

 

 ](/medicos/antonio-quintela)

 [ ![Carlos Vaz](/sites/portalcuf/files/styles/professional_resume/public/node/33945.png?itok=9WIUXmJn) 

Carlos Vaz , 

Cirurgião Geral

 

 

 ](/medicos/carlos-vaz)

 

 

 

 

António Quintela e Carlos Vaz, especialistas do Centro de Referência do Cancro do Reto CUF, falam sobre as opções de tratamento disponíveis para este cancro.



Em Portugal, o cancro colorretal tornou-se a segunda doença oncológica mais comum. “São já quase 8 mil casos por ano de tumores do cólon e tumores do reto que vão sendo diagnosticados, sendo que a maioria são do cólon e cerca de 30 a 40 % são tumores do reto”, especifica António Quintela, médico oncologista especialista em cancro colorretal, acrescentando que há cada vez mais diagnósticos em pessoas mais novas: “Em particular o número de novos casos em doentes novos, isto é, doentes com menos de 50 anos, quase duplicou nos últimos dez anos”, com uma maior incidência nos homens, conclui.

O cancro do reto caracteriza-se por um problema de crescimento desorganizado das células do epitélio do reto, ou seja, nos últimos 15 centímetros do intestino grosso.

O [Centro de Referência do Cancro do Reto](https://www.cuf.pt/centros/centro-de-referencia-cancro-do-reto), inserido nas unidades de cancro colorretal da CUF Oncologia, no Hospital CUF Descobertas e no Hospital CUF Tejo, é [reconhecido pela Direção-Geral da Saúde](https://www.chlc.min-saude.pt/centros-de-referencia/centro-de-referencia-de-cancro-do-reto/) pela qualidade e distinção dos seus tratamentos. Para isto são essenciais as equipas multidisciplinares presentes em todos os momentos, do diagnóstico e estadiamento ao tratamento e recuperação.



 

 



   
  
  

 

 



## A importância de uma equipa multidisciplinar

“Na base da decisão do melhor tratamento há uma regra que hoje em dia se considera absolutamente incontornável que é a chamada reunião multidisciplinar, ou seja, a reunião que todos nós fazemos regularmente, em que os especialistas das várias áreas envolvidas neste tipo de doenças - o cirurgião, o oncologista, o radioncologista, o radiologista, o anatomopatologista - têm de estar juntos e perceber qual é, para a circunstância, a melhor opção de tratamento. A melhor opção de tratamento pode passar historicamente, tradicionalmente, pela cirurgia”, explica António Quintela.

Carlos Vaz, cirurgião geral e coordenador do Centro de Referência do Cancro do Reto CUF, acrescenta mesmo que “a existência desta equipa multidisciplinar é mais importante do que ter um robot”, referindo-se aos avanços na cirurgia robótica, também presentes no Centro de Referência do Cancro do Reto. “O mais importante é que eu tenha, desde o diagnóstico até à fase de seguimento e recuperação, passando pelo estadiamento e tratamento, as equipas multidisciplinares com as pessoas especializadas nesta área. É muito diferente, logo na fase do diagnóstico, ter uma ressonância magnética feita por um imagiologista competentíssimo e generalista ou ter uma ressonância magnética feita por um imagiologista competentíssimo e especialista em cancro do reto. As respostas que este imagiologista me vai dar sobre aquele cancro e as implicações que isso tem para o tratamento são muito grandes.”

O grupo de especialistas em cancro colorretal reúne-se todas as semanas para discutir os doentes dessa semana. Para escolher a melhor abordagem de tratamento é necessário, antes de mais, o estadiamento, ou seja, “fazer uma fotografia da situação, perceber se a doença está efetivamente localizada só no reto ou se, porventura, porque isso pode acontecer, passou para outros órgãos”, explica António Quintela.

## Opções de tratamento do cancro do reto

O tratamento do cancro do reto passa, muitas vezes, pela cirurgia. O cancro do reto situa-se nos últimos 15 centímetros do intestino e isto significa que esta operação pode ter interferência em funções essenciais para a qualidade de vida, tais como as da continência anal, da continência urinária e pela função sexual.

Para Carlos Vaz é importante identificar o segmento do reto que é imprescindível tirar e fazê-lo da forma menos invasiva possível, de modo a preservar os plexos nervosos que possibilitam estas funções. Sendo os diagnosticados com cancro do reto cada vez mais jovens, é importante não ignorar a qualidade de vida que terão após a operação.

Atualmente, as cirurgias disponíveis para tratar o cancro do reto são:

- **Laparotomia,** uma excisão a que comummente se chama cirurgia aberta. Hoje, em alguns casos, já é possível tirar todo o reto e preservar o ânus e fazer uma nova ligação, evitando que o doente fique com uma [ostomia](/mais-saude/ostomia-o-que-e-e-em-que-casos-e-necessaria).
- [**Laparoscopia**](/saude-a-z/laparoscopia-cirurgia-minimamente-invasiva), uma cirurgia vídeo-endoscópica, que permite ter uma visão até melhor do que a cirurgia aberta. Esta cirurgia exige, no entanto, grande treino por parte da equipa médica.
- [**Cirurgia robótica**](/servicos-cuf/servicos-clinicos/cirurgia-robotica), uma evolução da laparoscopia. É a tecnologia que permite ser o mais radical possível na remoção do tumor e o mais preciso e seguro na preservação dos plexos nervosos, ou seja, a preservação da função de continência anal, função sexual e urinária. A recuperação dos movimentos do doente e do funcionamento do intestino tende a ser bastante mais rápida e com menos dor.

Algumas destas cirurgias são, por vezes, combinadas com tratamentos de [radioterapia](/especialidades/radioterapia) ou [quimioterapia](/cuf-oncologia/o-seu-tratamento/oncologia) e o tratamento não se esgota aqui. É essencial, no momento de recuperação, a figura do enfermeiro de referência, “enfermagem dedicada a este tipo de doenças, nomeadamente enfermagem dedicada a ostomias, se for o caso”, refere António Quintela, acrescentando outros intervenientes não médicos imprescindíveis: “O ponto de vista nutricional é um aspeto muito importante em todas as situações de cancro, tal como o suporte psicológico”. Para a recuperação do cancro do reto, pode ainda haver a necessidade de fisioterapia pélvica, para haver, por exemplo, uma recuperação de problemas de incontinência.

## Pode prevenir-se o cancro do reto?

“O essencial é mesmo fazer o rastreio”, diz António Quintela, que o aconselha a partir dos 50 anos, ou até mesmo a partir dos 45 anos, com a concordância de Carlos Vaz: “Se tem 45 ou 50 anos e não sente nada e está saudável, pondere fazer uma [colonoscopia](/marcacoes/exames/gastrenterologia-colonoscopia), porque grande parte das vezes o cancro do cólon e do reto não dá sintomas, e quando dá sintomas é tarde. Ser tarde ou ser cedo faz toda a diferença. Um cancro do reto ou um cancro do cólon diagnosticado precocemente cura-se quase sempre. Um cancro do cólon ou um cancro do reto diagnosticado tardiamente não se cura quase nunca.”

O alerta feito por Carlos Vaz é apoiado nas estatísticas: “Com um diagnóstico precoce do cancro do cólon temos uma taxa de cura na ordem dos 95 %. O mesmo cancro do cólon, se o apanharmos num estado tardio, temos uma taxa de cura que é inferior a 15 %.”

O rastreio é essencial e é, além disso, uma forma de prevenção secundária, como explica o cirurgião CUF. “A prevenção secundária pode ser feita nos casos de cancro do cólon e do reto. Nós conhecemos e temos acesso às lesões precursoras do cancro, que são os pólipos. Fazemos uma colonoscopia e se o doente tiver um pólipo, a colonoscopia permite-nos removê-lo e quando o removemos estamos a prevenir o cancro porque se calhar esse pólipo ia transformar-se em cancro.”

Para uma correta prevenção, será importante observar igualmente outro fator de risco além da idade: a [hereditariedade](/cuf-oncologia/prevencao-do-cancro/avaliacao-de-risco-oncologico). “Sabemos que há uma fração pequena, como aliás em vários outros tipos de cancro, em que se verifica uma componente genética, uma espécie de pré-determinação para que esta doença possa ocorrer”, diz António Quintela. Quando este fator se verifica é importante começar o rastreio antes dos 45 anos.

Além da prevenção através do rastreio, uma alimentação saudável, rica em fibras e baixa em gorduras, e com controlo calórico, é uma forma de prevenir o cancro do reto e outras doenças oncológicas.

## A que sinais estar atento?

As queixas que devem levar alguém a uma consulta com um médico especialista são:

- **Alteração no trânsito intestinal** **recente**, sendo mais frequente a [obstipação](/saude-a-z/obstipacao) do que a [diarreia](/mais-saude/como-prevenir-e-tratar-diarreia). “Sublinho que a alteração deve ser recente, porque há pessoas que têm uma obstipação crónica e não têm de estar preocupadas. Se já sabem que têm obstipação, se calhar já fizeram um exame e é assim o seu dia a dia”, explica Carlos Vaz.
- [**Sangue nas fezes**](/mais-saude/sangue-nas-fezes-o-que-pode-significar). “Pode ser vermelho vivo, pode ser mais escuro ou, às vezes, pode ser já o sangue oxidado, que a pessoa não identifica como sangue: são fezes pretas. Isto é mais habitual quando o sangue vem de outras zonas do tubo digestivo, mas pode também vir do cólon,” diz Carlos Vaz.

Além destes, há outros sintomas mais genéricos, comuns a outros tipos de cancro:

- Astenia (falta de força)
- Anemia
- Perda de peso
- Perda de apetite

No entanto, muitos cancros do reto (e do cólon) são assintomáticos e essa é uma razão forte para que a vigilância seja feita de uma forma precoce, a partir dos 45 anos e, depois, consoante a indicação do médico.



 

 



 

Publicado a 17/03/2023

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