Unidade de Cirurgia da Anca e Bacia

Na Unidade de Anca e Bacia e da CUF trabalha-se com entusiasmo no diagnóstico e tratamento das doenças e patologia traumática da Anca e Bacia desde a juventude até às idades mais avançadas. Procura-se fazer o diagnóstico preciso quer clínico quer imagiológico com técnicas de última geração que permitam tratamentos concisos e com períodos de inatividade o mais curto possível, permitindo aos doentes a reabilitação e no mais curto espaço de tempo.

Nos últimos 20 anos registou-se um avanço significativo no conhecimento da fisiopatologia da anca com o conceito do conflito femuro-acetabular e o desenvolvimento dos conhecimentos sobre a displasia da anca no adulto. A melhoria da qualidade da imagem na ressonância magnética permitiu diagnosticar com precisão lesões do labrum e da cartilagem, e o desenvolvimento da luxação cirúrgica e da artroscopia da anca possibilitou o seu tratamento, bem como das lesões associadas.

A artroscopia da anca é uma técnica exigente, mas com grande potencial, permitindo o tratamento de diversa patologia intra-articular e periarticular. Na técnica utilizada na equipa, desenvolvida pelo Professor Michael Dienst, é realizado o acesso intra-articular ao compartimento periférico sem tracção e com controle de intensificador de imagem. O acesso ao compartimento central é efetuado a partir do compartimento periférico com controle artroscópico direto, minimizando o risco de lesão iatrogénica da cartilagem ou do labrum. Está técnica apresenta vantagens nos casos de difícil acesso ao compartimento central (hipercobertura acetabular, hipertrofia do labrum e distração limitada) e quando a patologia é predominantemente no compartimento periférico. Os doentes com indicação para cirurgia conservadora da anca são avaliados com vários “patient reported outcomes” (Escala de Tegner, Non Arthritic Hip Score (NAHS), versão curta do International Hip Outcome Tool (iHOT-12), Hip Outcome Score (HOS) e o questionário de qualidade de vida EQ-5D-3L) no pré-operatório, aos três e seis meses pós-operatório e depois anualmente.

Na Unidade são utilizadas diferentes abordagens na artroplastia total da anca, nomeadamente a via posterior minimamente invasiva, a via de Hardinge e a via anterior directa. Cada uma destas técnicas apresenta vantagens e inconvenientes específicos sendo que o principal objectivo é a preservação da anatomia com menor agressão cirúrgica, a implantação perfeita dos componentes e uma rápida recuperação.

Os doentes submetidos a artroplastia total da anca também são avaliados com vários “patient reported outcomes” (Escala de Tegner, Harris Hip Score (HHS), escala de dor (VAS), Hip dysfunction and Osteoarthritis Outcome Score (HOOS) e o questionário de qualidade de vida EQ-5D-3L) no pré-operatório, aos três e seis meses pós-operatório e depois anualmente.

 

Nos doentes com necrose avascular da cabeça femoral nas fases pré-colapso pode ser efetuada a descompressão da cabeça e a aplicação de concentrado de médula óssea autológa para estimular a regeneração óssea.

O número crescente de artroplastias primárias e a sua realização em doentes mais jovens levou a uma maior necessidade de cirurgias de revisão. A Unidade da Anca e Bacia tem os recursos para as cirurgias de revisão mais complexas como no descolamento dos componentes, desgaste ou fratura dos implantes, infeção, osteólise progressiva, fratura periprotésica e instabilidade. Nestas cirurgias é frequente a necessidade de recurso a aloenxertos ósseos estando o Hospital CUF Descobertas credenciado para a sua utilização.

A abordagem do doente com uma artroplastia dolorosa pode ser complexo, não sendo o diagnóstico muitas vezes óbvio. O descolamento sem evidente tradução radiológica e uma infeção com baixa virulência são um desafio diagnóstico. O envelhecimento da população com artroplastias está associado a uma menor qualidade óssea e ao aumento do risco de quedas, o que contribuí para o número crescente de fraturas periprotésicas. A maioria destas fraturas têm indicação cirúrgica, sendo o seu tratamento complexo pela idade avançada do doente, patologias associadas, osteólise, fragilidade óssea e possível descolamento dos implantes. Na Unidade o acompanhamento e tratamento dos doentes com complicações de artroplastias é efetuado por uma equipa multidisciplinar envolvendo o ortopedista, internista, infeciologista e fisioterapeutas por forma a minimizar complicações e melhorar o resultado clínico. O mesmo acontece nos doentes com fractura proximal do fémur e em doentes geriátricos  submetidos a artroplastia total da anca.

 

Na Unidade são ainda realizadas infiltrações intra e periarticulares da anca com controle de imagem (radiografia ou ecografia) como teste diagnóstico ou com intuito terapêutico. Neste caso utilizamos ácido hialurônico, concentrado de fatores de crescimento plaquetários ou um corticosteróide.

A Unidade recebe regularmente internos para realização de estágios com enfoque na patologia anca permitindo o aprofundar de conhecimentos na área da cirurgia de preservação da anca, artroscopia da anca, artroplastia primária e de revisão da anca tendo em conta que é uma das unidades do Centro de Ortopedia e Traumatologia que tem Idoneidade Formativa pela Ordem dos Médicos.

São também frequentes as visitas de fellows internacionais e em 2017 e 2019 recebemos a visita dos “Mark Paterson Travelling Fellows” com o apoio da European Federation of National Associations of Orthopaedics and Traumatology e do The Bone and Joint Journal.

A Unidade da Cirurgia da Anca e Bacia do Hospital CUF Descobertas tem vindo a crescer em termos de atividade científica, esta área é absolutamente essencial na monitorização dos resultados das técnicas desenvolvidas pelo centro como para investigar direções futuras e melhorar permanentemente a prestação de cuidados aos utentes.  Esta unidade está credenciada como centro de ensino pela European Society of Sports Traumatology, Knee Surgery and Arthroscopy (ESSKA) desde 2018.

 

Olhando o futuro toda a equipa se encontra a desenvolver diversos novos projetos de investigação. Temos especial interesse na área do planeamento operatório digital e tridimensional (impressão 3D) como forma de integrar as novas tecnologias no bloco operatório. Isto irá permitir diminuir os tempos cirúrgicos e melhorar os resultados dos utentes utilizando novos materiais e abordagens cada vez menos invasivas.

 

A Unidade da Cirurgia da Anca e Bacia consegue conjugar no seu armamentário o que de melhor e mais moderno se pratica na cirurgia da anca, das técnicas endoscópicas e minimamente invasivas às técnicas complexas de revisão de próteses da anca que entram em falência, numa população cada vez mais exigente nos standards de qualidade de vida.

 

Áreas de Atuação:

  • Conflito Femoro-Acetabular
  • Necrose Avascular do Fémur
  • Coxartrose
  • Síndrome dolorso do grande trocânter
  • Tendinopatia e lesões traumáticas dos isquio-tibiais
  • Próteses da anca dolorosas e complicações das artroplastia da anca
  • Revisões de próteses da anca
  • Fratura da Cabeça do Fémur
  • Fratura do Colo do Fémur e proximais do femur (Pertrocantérica/Intertrocantérica)
  • Fracturas do acetábulo e bacia
  • Sequelas de fracturas da bacia e do femur

 

A Unidade de Cirurgia da Anca e Bacia da CUF está estabelecida no Hospital CUF Descobertas e encontra-se em funcionamento desde a sua abertura, em 2001.

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