Unidade da Voz

Inaugurada em 16 de Abril de 2012, a Unidade da Voz da CUF é constituída por um Laboratório da Voz e uma Equipa Multidisciplinar altamente diferenciada para o diagnóstico e tratamento da patologia vocal.

Áreas de atuação:

  • Consultas de Otorrinolaringologia (ORL)
  • Terapia da Fala
  • Aulas de Canto
  • Grupo de Intervenção e Reabilitação - Integra um Terapeuta da Fala e quando necessário um professor de canto. Este grupo dedicar-se à intervenção externa, no local de trabalho, que inclui desde a avaliação de necessidades específicas contextualizadas na atividade profissional, a medidas de adaptação do ambiente no sentido de reduzir o abuso ou mau uso vocal. Poderá ser considerada necessidade de intervenção comportamental no ambiente de trabalho, para favorecer a assimilação e automatização das técnicas de reeducação.
  • Grupo de Intervenção com profissionais da voz (contexto profissional) - Compreende a reabilitação vocal, reeducação vocal, reeducação postural e psicologia. Poderão ser aplicadas outras terapêuticas como injeção de toxina botulínica, injeção de medialização das pregas vocais ou outros, cuidados estes que exigem meios técnicos específicos.
  • Laboratório de Voz - Equipado com o sistema de videoestroboscopia da KayPentax, permite, em articulação com outras áreas da Unidade da Voz, a mais completa avaliação da patologia das cordas vocais com realização de:
Endoscopia O.R.L. (nasal, faríngea, laríngea)

Através de um instrumento (endoscópio flexível ou rígido) acoplado a uma câmara, um microfone e luz, as cordas vocais são visualizadas enquanto falamos e respiramos. Complementa o exame otorrinolaringológico permitindo uma avaliação mais pormenorizada.

 Videoestroboscopia

É realizada utilizando os mesmos endoscópios rígido e flexível, mas a luz é pulsada ou seja, intermitente, permitindo avaliar especificamente o movimento de vibração das cordas vocais. Ela permite fazer uma “câmara lenta” de um fenómeno tão rápido que só assim se consegue visualizar. É determinante para compreender algumas alterações da mucosa das cordas vocais e fazer o correto diagnóstico das suas lesões.

 Avaliação Acústica da voz

Permite determinar e quantificar a qualidade vocal do paciente de forma não invasiva, objetiva, através dos diferentes parâmetros acústicos que compõem o sinal: periodicidade, amplitude, duração e realização de um espetrograma. O hospital dispõe do programa de análise acústica Visi-Pitch IV.

Registo Digital de som e imagem

A imagem e a voz são registadas em formato digital, para melhor comparação ao longo do tratamento.

Avaliação da Função Respiratória

A voz é produzida com o ar da respiração, constituindo portanto um elemento determinante para algumas características da mesma. Uma avaliação mais específica é efetuada, quando necessário, através da realização de provas funcionais respiratórias.

Eletromiografia Laríngea

É um exame que permite avaliar os músculos e nervos envolvidos na produção da voz. Utilizando uma fina agulha colocada através da pele, designada de elétrodo, é registada a atividade do músculo, permitindo o diagnóstico de doenças neurológicas, doenças musculares ou problemas da transmissão do sinal na conexão de ambos. Envolve um pequeno desconforto durante a introdução da agulha-33léctrodo, mas é habitualmente bem tolerado. É o único exame que nos permite fazer o diagnóstico de algumas doenças envolvendo as cordas vocais. Permite ainda fazer a injeção de uma substância (toxina botulínica), para tratamento das distonias e outras doenças da laringe.

Videoendoscopia da Deglutição

É um exame realizado com o endoscópio flexível, enquanto o doente come (alimentos líquidos, pastosos e sólidos), permitindo visualizar diretamente o trajeto dos alimentos durante a deglutição. É uma avaliação fácil e rápida, muito bem tolerada, essencialmente dirigida para pacientes com doenças neurológicas que comprometam esta função (ex: doentes com acidente vascular cerebral), com risco de aspiração de alimentos para a traqueia. 

Na Unidade da Voz é realizada uma consulta inicial com um otorrinolaringologista e/ou um terapeuta da fala. Caso haja necessidade será encaminhada para outras especialidades como Alergologia, Endocrinologia, Fisiatria, Gastrenterologia, Neurologia, Neurofisiologia, Nutrição, Oncologia, Pneumologia, Pediatria, Psiquiatria, Psicologia e até um professor de canto.

 

A patologia vocal pode desenvolver-se sob a forma das seguintes doenças:

  • Nódulos toxina botulínica
  • Pólipos e quistos
  • Edema
  • Refluxo faringo-laringeo
  • Laringites
  • Cancro da Laringe
  • Paralisia das cordas vocais
  • Disfonia Espasmódica
  • Distonia Respiratória (ou Disfunção das Cordas Vocais)

 

Esteja atento. Valorize a sua voz!

 

A Unidade da Voz da CUF possui equipas de profissionais de saúde experientes no tratamento da patologia da Voz no Hospital CUF Porto.

Perguntas Frequentes
Como se produz a voz?

A voz é produzida pela vibração das cordas vocais (também designadas de pregas vocais). Elas são na realidade duas pregas de mucosa e músculo que se localizam na laringe. Esta é um tubo que conecta a boca e a traqueia, por onde passa o ar da respiração. As pregas vocais aproximam-se e afastam-se deixando passar o ar que vem dos pulmões e que as faz vibrar. O som produzido amplifica-se na faringe, boca e nariz as chamadas cavidades de ressonância.

O que é um problema de voz?

Qualquer dificuldade na produção da voz pode ser considerada um problema de voz, como por exemplo rouquidão, cansaço ao falar, voz fina ou grossa demais, fraca ou forte demais.

Como sei se tenho um problema de voz?

Se a sua voz ficou diferente nos últimos tempos (rouca, fraca, tensa ou cansada, por exemplo), se melhora quando fica alguns dias sem falar muito e piora em situações em que usa mais a sua voz, é possível que esteja com um problema. Se as modificações durarem mais que 15 dias, deve consultar um otorrinolaringologista especialista em voz.

O que fazer quando estou sem voz?

Se precisar falar, não force, fale baixo e mais devagar, abrindo bem a boca, porém, evite sussurrar. Mantenha-se hidratado bebendo pequenos goles de água ao longo do dia e procure um médico otorrinolaringologista e/ou um terapeuta da fala.

É normal uma criança ter a voz rouca?

Não. A rouquidão é sinal de um problema na voz. Se a criança fica rouca com frequência por falar forte, gritar ou se ela sempre foi rouca, é necessário compreender o que está a acontecer. Uma rouquidão pode dificultar a comunicação e prejudicar o desenvolvimento social. Procure a orientação de um terapeuta da fala e/ou otorrinolaringologista.

Na adolescência quando é que a voz muda?

A voz muda entre 13 e 15 anos, podendo ficar oscilante num período de seis meses, até ficar mais grossa (grave), em direção ao padrão adulto de falar. Essas mudanças são mais nítidas nos meninos e coincidem com o aparecimento dos caracteres sexuais secundários.

A voz envelhece?

Sim. Como todo o corpo, a voz também passa por modificações com a idade, que são mais evidentes a partir dos 60 anos, com grande variação de pessoa para pessoa. A voz pode ficar mais fraca, mais trémula, mais grossa nas mulheres e mais fina nos homens.

Quais os cuidados a ter com a voz?

Os principais cuidados a ter com a voz são:

  • Beba muita água (8-10 copos/dia) à temperatura ambiente
  • Evite falar muito alto ou durante períodos prolongados principalmente em ambientes ruidosos
  • Não faça esforço vocal (tossir, pigarrear, gritar ou sussurrar)
  • Fale sem esforço e articule bem as palavras
  • Descanse a voz (faça momentos de repouso vocal)
  • Evite usar a voz sempre que se esteja constipado ou com crises de alergia
  • Tenha uma boa postura corporal ao falar ou cantar
  • Não fume e evite frequentar ambientes de fumo
  • Reduza a ingestão de álcool, café, chá e bebidas com gás
  • Evite ambientes com pó, cheiros fortes e ar condicionado
  • Evite mudanças bruscas de temperatura
  • Tenha um estilo de vida saudável (durma bem, pratique desporto e mantenha uma alimentação equilibrada)
Como é realizada a cirurgia das cordas vocais?

A cirurgia da maioria das lesões das cordas vocais é feita através de um tubo que se introduz pela boca até às cordas vocais e é realizada sob visão microscópica. É uma cirurgia tecnicamente delicada, mas que não envolve grandes riscos. A exérese das lesões pode ser feita por microinstrumentos ou por LASER, dependendo do tipo de lesão e da experiência de cada cirurgião.

Em algumas patologias nomeadamente tumores e nas paralisias das cordas vocais, pode utilizar-se uma abordagem cervical (cirurgia através do pescoço) para uma remoção mais extensa das lesões (nos tumores) ou para modificar a posição das cordas vocais facilitando a produção da voz ou a respiração (nas paralisias).